sexta-feira, 26 de outubro de 2018





A  DOR  QUE  NOS  PURIFICA

Finalmente me despeço do corpo que abrigou meu espírito por longos anos.
Passei muitos anos preso à um corpo doente, não andava, não falava, passei parte da minha ultima encarnação num corpo deficiente. Sofri muito por todos esses anos, mas hoje só o que eu tenho a fazer é agradecer a Deus pela bendita oportunidade, quantas arestas aparei estando cativo naquele corpo.
            Obrigado Jesus amigo pela dor e pelo sofrimento que a mim foi imposto, quanta coisa aprendi, quanto meu espírito cresceu durante esses anos.
Apesar de toda dor que passei hoje me sinto vitorioso, o que antes seria tão difícil entender, hoje é tão simples.
A infinita bondade de Deus em nos permitir resgatar erros passados. Como sou agradecido! Sinto-me outro ser como se agora eu nascesse novamente, com novas oportunidades.
Obrigado meu Deus. Muito obrigado pelas dores que me ensinaram tanta coisa. Após essa encarnação me sinto preparado para recomeçar, um recomeço de muitas alegrias, pois tenho a certeza de que através das coisas do passado, terei uma chance de provar o quanto aprendi e o quanto sou outra pessoa.
Irmãos, nunca duvidem da infinita misericórdia de Deus, todos os dias está Ele a nos mostrar sua bondade, nós é que somos rebeldes e custamos a entender. Bendita seja a oportunidade que Deus dá a cada um de Seus filhos.  
Hoje rumo a nova existência e retorno com o coração leve e cheio de esperanças num amanhã melhor. Irei me reencontrar com desafetos do passado que através do amor se tornaram verdadeiros amores de agora.
Bendito seja Deus, bendita seja toda a dor que nos purifica, auxiliando-nos a tornarmos pessoas melhores.
Orem por mim.

Gustavo.    

           Psicografia recebida em 2018.                                     
           Médium: Débora.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018



VIAGEM  INTERIOR

Amados irmãos.
Que a paz se faça entre vós.
Amigos, hoje queria trazer a vocês uma breve reflexão, uma viagem interior.
Gostaria que cada um pudesse olhar-se no espelho e dizer intimamente o que veem ou melhor como se veem; mas não fixem-se nos atributos físicos, mas nos atributos morais de cada um.
Meus amigos, muitos irmãos que habitam esse nosso planeta, ao fazer esse exercício, mesmo alertado para esquecer o lado físico, dificilmente esquecem esse lado, veem seu posto, seu título, veem o Apolo, sentem-se Deuses, acreditam que são os enviados, os dominadores, sentem-se seres superiores, mas por inúmeros motivos, escondem, deixam em segundo plano o lado moral, este lado, que para muitos, seria motivo de fraqueza, de vergonha.
Agora, venho lhes trazer uma reflexão, que hora parece dura, mas verdadeira, se conseguirdes olhar pra trás veríeis as inúmeras encarnações que antecederam este tempo atual, veríeis que não há motivo algum para tanta altives, verás que ao longo de tantas idas e vindas no mundo de carne, fizestes e fostes tão cruel, tão vil, desonesto, desleal, mas apesar de tudo isso, nunca deixastes de ser filho de Deus, nunca foste esquecido por Ele, nem um só segundo.
            Meus irmãos porque desta reflexão?
É para mostrardes que antes de fixardes no exterior, antes de julgar, antes de olhar a superfície, lembra que o mais importante que o ouro e a prata, o belo e o poder, existe o simples, existe o AMOR, que é a chave universal entre esses dois lados, o interior e exterior.
O mundo hoje fixa-se no exterior, mas o Cristo nos convida a olhar o íntimo de cada um de nós, de buscar a essência que foi colocada em cada um de nós, quando fomos criados SIMPLES, IGNORANTES e acima de tudo PUROS.
Sejamos PUROS de espírito, essa pureza jaz adormecida em muitos, mas não inexistente.
O mundo precisa e deve MUDAR. Mudemos em direção ao Belo, ao som de Glórias e de PAZ.     

Heleno.

Psicografia recebida em  2018.                                     
            Médium: Luciano C.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018





PÁGINAS  DO  CORAÇÃO

         Um, dois, três quatro.
      Folhas em branco esperando serem preenchidas com algumas palavras, algum ensinamento, ou mesmo alguma queixa.
         Deixo-as assim jogadas, como a não querer preenchê-las com nada...
     Estou triste, muito triste. Os últimos acontecimentos não me ajudaram em nada, pelo contrário, me atrapalharam.
         Sou escritor há vários anos. Tenho muita facilidade em escrever. Mas não hoje. A pena que me acompanha há anos está jogada de lado. O silêncio me enche a alma. Sinto-me muito só. Meu coração sim está cheio de mágoas de dor, de tristeza. Como posso escrever sobre isso, se minhas escritas são alegres e até jocosas. Faço trovas bem alegres e não é isso que sinto hoje.
         Quero me expressar, mas o que quero dizer não posso. Sou muito crítico e sei que até para mim mesmo devo deixar de lado o que me atormenta.
          Aquela pessoa que me magoou tanto, nem se importa se eu vivo ou se eu morro. E ela estava tão bem estampada em meu coração. Quero fazer meu Deus.
            Abaixo a cabeça e parece que durmo, tomo a pena ao lado e meu coração se expressa:
            “Páginas de luz são nascidas da luz,
            Páginas de amor são nascidas do amor,
            Pérolas que reluzem após um sofrimento da ostra que lhes gerou são preciosas
            Porque sofrer, por tão pouco, se páginas reluzentes de luz estão brotando agora.
            Tu és um ser inteligente: podes pensar.
            Tu és um ser amado: Deus te ama desde o principio.
            Tu és um ser que reluz: dás boas obras a quem te lê.
            Nada tens de queixar meu irmão. Deus existe e te ama. Deus existe e te ampara. Levanta a cabeça, ergue-te e põe mãos à obra: trabalha, ama, espera e produz. Faça suas trovas e alegra o coração de quem te lê. És capaz disto e muito mais. Escreva as páginas que teu coração ditar. Viva, acredita e continua tua jornada. Lá na frente verás. Tudo o que acontece é para nosso bem. Anda, produz e trabalha no bem.”   
            E foi o que fiz e faço. Se estou triste, trabalho; se estou alegre, trabalho; se estou querendo sumir, apareço e trabalho mais.

            Jonas de Almeida Pereira.
            Um espírito presente à reunião.
      
                                                      
 Psicografia recebida em 2018.                                     
 Médium: Catarina.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018




VÍTIMA E NÃO O CULPADO
Não quero acordar, estou cansado ainda, preciso dormir mais, sinto necessidade deste descanso. Não gosto de ficar acordado, sempre me recordo daquele dia terrível que me levou a morte. Por favor, não façam isso comigo, tenham misericórdia e compressão, pois estou dizendo a verdade, creiam em mim.  
Quero continuar onde estou, sozinho sem recordações e sem culpa. O sono neste momento é o meu aliado, o meu consolo e a minha fuga. Como? O que vocês estão dizendo? Que tenho condições hoje de encarar o que realmente aconteceu e me perdoar? Não consigo, a minha dor é imensa e me enfraquece por completo. Vocês estão dizendo que não haverá outra oportunidade de estar diante de tanto conforto e amparo, que devo abraçar esta oportunidade como a minha única chance de redenção perante Deus? Se não tenho culpa, não preciso me render à Deus e sim abraça-lo e deixar que Ele me console. Querem que eu conte para vocês minha trágica partida do mundo dos “vivos”, que louco, pois me sinto vivo e com dores físicas, não consigo entender muito bem o que acontece comigo.
 Bem, estava em uma festa com minha família e todos iam voltar em meu carro. Com esta responsabilidade não quis em momento algum beber qualquer coisa que tivesse álcool e assim aconteceu.
No final da festa já todos dentro do meu carro, eu segui rumo a minha casa, mas de repente um caminhão desgovernado veio em minha direção, eu apavorado com aquela luz em meu rosto, simplesmente gritei e fechei os meus olhos e eu fui covarde. Não usei da habilidade que trazia de anos como motorista, fui covarde, eu entreguei toda a minha família a morte.
Carrego dentro de mim culpa e quando estou dormindo me sinto aliviado, sei que muitos me culpam, pensam que bebi, que sou um irresponsável de pegar o volante depois de uma festa, mas não bebi. Sei que muitos pensam e me culpam pelo acidente.
Como vocês conseguiram que eu relatasse e voltasse a essa cena tão triste e de grande horror?  Sinto o desespero das minhas tias e de meu afilhado e consigo ouvir eles me chamando. E vocês aí não vão falar nada? Eu quero voltar a dormir, preciso esquecer, eu não quero estar aqui, por favor, tenham piedade de mim.
OBS:  Rafael  J. era um rapaz de 24 anos, responsável, uma criatura do bem e de bons princípios e  religioso. Foi amparado no local do acidente. Está se recuperando do trauma e passa por um processo de sonolência para repor suas energias e foi necessário esse despertar para os primeiros trabalhos de recuperação e fortalecimento espiritual, onde o sono vai ajudar no equilíbrio de suas lembranças.  
Ele foi vitima e não culpado, mas o seu senso de responsabilidade é tão grande e o amor pela família é de um valor enorme.
Agora ele volta para o seu repouso necessário, onde trabalhadores do bem vão estar  todo tempo do seu lado auxiliando para que seja logo despertado, para receber a noticia de que todos estão vivos e que ele não fechou seus olhos, ele usou de sua habilidade e experiência  e conseguiu salvar todos.
Fiquem em paz e continuem com esse trabalho que é de grande importância para os irmãos que sofrem.
Um trabalhador da casa.    

                                                            
Psicografia recebida em 2018.
             Médium: M. Nicodemos

sexta-feira, 28 de setembro de 2018



FEIA POR  DENTRO E  POR  FORA

 Sou uma pessoa extremamente infeliz, ou melhor, um espírito devedor, envergonhado pelas coisas que fiz.
Vivi uma vida de prazeres e luxurias, tive tantos homens quantos eu desejava, explorei muitos deles, vivia numa casa luxuosa, cercada de criados.
Não nasci pobre, era rica o suficiente para ter tido uma vida digna, podia ter aproveitado a minha situação financeira para estudar, para crescer, para ajudar tantas pessoas, mas tão logo meus pais morreram em um acidente eu herdei sozinha grandioso patrimônio.
E o quê fiz? Me lancei em festas regadas a drogas e sexo, não precisava, mas tinha o prazer de me prostituir. Como era muito bela, bem tratada e bem vestida atraia homens muito ricos aos quais eu explorava sem dó. Queria sempre mais, mais sexo e mais dinheiro, não poupava gastos em salões de belezas. Gastava rios de dinheiro com isso. E assim eu ia vivendo, linda, rica e cercada de pessoas importantes, homens influentes, era tudo luxo e prazer.  
 Frequentava os lugares da moda, restaurantes finos, viajava muito e me hospedava nos melhores hotéis, muitas vezes bancada por homens ricos que me queriam mostrar como um troféu. A maioria desses homens tinham família, mulher e filhos, e eu não me importava com isso. Muitos lares eu destruí, muitas mulheres eu fiz sofrer e até levei uma delas ao suicídio de tanta vergonha e dor. Nada disso me atormentava, eu simplesmente ignorava.
O tempo foi passando e fui chegando a idade madura sem no entanto aceitar isso, recorria a cirurgias e a tudo o que pudesse conservar a beleza e a juventude de outrora. Quanta ilusão, nada disso me serviu de nada.
Quando estava com quase sessenta anos foi diagnosticado em mim um terrível câncer que quando descoberto já não tinha mais tratamento. Estaria aí chegando ao fim da minha vida física.
Mesmo doente continuava orgulhosa, nunca dei nada pra ninguém, nunca fiz nenhum tipo de caridade, o que fazia era doar roupas e sapatos para minhas empregadas, mas com a condição financeira que tinha isso era nada. Isso para mim significava desocupar espaço para adquirir mais e mais roupas. Podia com que eu tinha ter ajudado verdadeiramente muitas pessoas, podia pelo menos ter mantido a ajuda que meus pais davam a certa instituição de caridade paupérrima e que necessitava muito dessa doação. Fui egoísta, frívola e tudo mais.
Hoje de volta ao plano espiritual vejo os que prejudiquei, as famílias que destruí, os homens que eu explorei, a mulher suicida que por minha causa acabou com a vida. Vejo meus pais e sinto tanta vergonha que sofro horrivelmente por isso. Sou a mais horrível das criaturas, minha aparência que tanto quis cultivar me transformou em uma mulher horrenda, como sou feia, por dentro sempre fui e agora por fora também.
Ousei a lhes contar essa historia para que possa quem sabe valer de exemplo para pessoas como eu.
Vivo buscando oportunidades e hoje tenho fé que vou conseguir. Parto em breve para uma reencarnação difícil, meu corpo físico antes lindo, será desta vez feio e deformado e sei que sofrerei muito com isso. As pessoas ao me olharem sentiram verdade pavor.
Mas vou com fé, não sei se conseguirei levar isso até o fim, mas tenho esse proposito e mesmo com essa deficiência física serei inteligente o bastante para poder trabalhar em benefício de muita gente.
E é isso que espero conseguir.
Orem por mim.   

Rita Maria.    

           Psicografia recebida em 2018.                                     
           Médium: Débora.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018



NÃO VALE A PENA  SE MATAR

Quais as palavras devo dizer para expressar aquilo que sinto? Palavras de afeto?  Palavras de medo ou de angústia, ou palavras que vão me ajudar a sair da situação em que me encontro?
Faz muito tempo que sei que estou morto, mas me sinto mais vivo que nunca.
Respiro, sinto frio, calor... Tenho medo... Muito medo. Porque será?
Fui uma pessoa realmente muito legal, eu pelo menos achava que era... Cumpria meus deveres de homem e cidadão comum. Eu já não era tão jovem e me apaixonei pela pessoa errada. Fui tantas vezes advertido por meus familiares e meus amigos. Mas eu estava tão envolvido emocionalmente que resolvi sair de casa e assumir uma união ilegal.
A mulher que eu amava, para mim não tinha defeitos. Eu trabalhava num trabalho que me dava o necessário para manter meu lar, se é que eu podia chamar de meu lar. Uma casa modesta, mas muito ampla e segundo eu pensava comigo mesmo poderia abrigar muitos rebentos de meu amor, os meus filhos.
E assim foi. Ela queria a qualquer custo trabalhar fora. Eu fui muito exigente no inicio e bati na tecla falando que eu não queria que ela trabalhasse.
Mas, inteligente que ela era, conseguiu se empregar em um estabelecimento público, ou melhor, em um banco.
Ia se tornando cada vez mais distante e várias vezes não almoçava em casa, e quantas e quantas vezes, chegava bem tarde da noite dizendo que o trabalho era que a prendia.
O tempo corria e a nossa convivência foi sendo afetada. Ela se arrumava com mais apuro. Aos sábados ia para o salão de beleza e ficava a maior parte do tempo.
Comecei a me preocupar, até que um dia recebi uma carta anônima que dizia da traição de minha mulher com um colega de trabalho.
Não pensei duas vezes, pensei em acabar com ela e com ele. Mas achei que não seria bom, ou melhor, que eu não teria coragem.
O que fiz? Tomei uma arma guardada em um baú antigo, mirei meu cérebro e disparei. Suicidei-me.
E aqui estou, a muitos e muitos anos, agora perambulo, mas já sofri muito e espero que a minha experiência sirva para alguns de vocês.
Não vale a pena praticar o que pratiquei. Não vale a pena acreditar em alguém que você nem sabe quem é. Já passei por inúmeros tratamentos espirituais e fiz muitos pedidos para retornar a encarnar. Mas oh! Se reencarnar voltarei demente. Não sei como será.
Quero registar aqui a minha gratidão por terem me deixado escrever.
Quero que peçam por mim. Preciso de me equilibrar mais e deixar esses pensamentos de ódio, discórdia, de desamor...
Preciso confiar mais em Deus.

Obrigado.

João. Um espirito suicida.    
  
                                                                
 Psicografia recebida em 2018.                                     
 Médium: Catarina.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018


DESCULPAS AMADOS FAMILIARES

Eu não sabia que ia causar tanta dor meus queridos. Quando resolvi acabar com a minha existência não tinha noção da dor de meus pais e irmãos.
Eu não queria fazer ninguém sofrer, eu só queria ser livre e não gostava da vida que vivia, e não conseguia enxergar novos rumos e me perdi na dor e na depressão, mas fui totalmente egoísta, não passou pela minha cabeça que era amado e que poderia causar tamanha dor.
Eu, eu e eu só tinha um pensamento egoísta sim, pensava em sair e acabar comigo, então resolvi e comecei a planejar tudo com muito cuidado e não queria sofrer numa tentativa invalida, gostaria que tudo saísse perfeito, já era uma característica minha ser, eu era,  ou melhor sou ainda perfeccionista.   
Calculei tudo com todos os detalhes possíveis e só faltava escolher o dia, eu não pensara em outras possibilidades, quando eu decidi acabar com a minha vida parei de pensar em outra atitude que não fosse o suicídio.
Veja bem, como hoje já mais esclarecido e podendo estar aqui relatando um pouco do que vive, vejo que entrei numa sintonia negra. Como deixei levar por pensamentos ruins, desânimo, e principalmente um sentimento de incapacidade? Me sentia o pior dos homens, um fracasso de pessoa. Como filho, um ser inútil, todo que fiz foi gastar o dinheiro do meu pai. Na vivência fui falência total, nos estudos sempre com muitas dificuldades e com as mulheres sempre vivendo amores platônicos, eu era um horror, um desastre em pessoa.
Um dia ouvi minha mãe falando a meu respeito com o meu irmão Luciano, este mais jovem do que eu, um rapaz sensato, lúcido, idealista e responsável. E minha mãe lhe disse: “O que teria acontecido com Joel, onde ela errou, pois sua vida passa e ele não consegue seguir, acaba da mesma forma que começou, acaba simplesmente. Luciano deixei passar a responsabilidade ou dei muitas oportunidades para ele, sem que lutasse pelos seus ideais. Me sinto culpada quando vejo ele vivendo um mundo de possibilidades irreais que só deu certo em sua cabeça.”
Vi que não teria mais jeito e que não poderia mais dar esse tipo de preocupação para minha mãe.
Marquei o dia e pronto, tirei a minha vida e fiquei ali junto deles. Não fui resgatado e nem perseguido por inimigos, fiquei todo tempo do lado da minha família e pude ver, sentir e sofrer com eles a dor de perder um querido e amado membro de uma família.
Não sei dizer quando tempo fiquei do lado dos meus, quanto tempo durou o luto, mas só sei dizer o quanto sofri por ter causado tamanha dor aos meus amados familiares.
Deixo aqui o meu pedido de desculpas e perdão a todos vocês meus queridos.  

Joel Silveira.  

Psicografia recebida em 2018.
          Médium: M Nicodemos.  

sexta-feira, 7 de setembro de 2018



ASSASSINO DE MIM MESMO


Venho aqui agradecer a infinita misericórdia de Deus, como me sinto agradecido a Ele, eu um assassino de mim mesmo. Hoje depois de tanto sofrimento me sinto leve e até feliz, feliz porque me encontro em reeducação, muitos erros cometi e pior deles, tirar minha vida por fraqueza, por covardia... Passarei agora a contar minha historia.
Estive por um tempo que não sei precisar, em lugar de muita dor e sofrimento, lugar escuro e lodacento, sem que o raio do sol se faça presente para iluminar a dor de todos os que ali têm a infelicidade de estar. Os dias são sempre noites infinitas, quando eu estava lá não sabia quem eu era, vivia numa mesma triste cena, um corpo caindo, a fração de tempo pequena era infinita numa cena única, me via me jogando de um lugar alto e me arrebentando no solo, essa cena se repetia e repetia infinitamente...  
Quanta dor experimentava minha alma aflita. Tudo era dor e solidão. Não sei quando nem como eu finalmente adormeci, assim como não sei por quanto tempo estive adormecido, sei que um dia abri meus olhos e a luz agora se fazia presente, o lugar era iluminado por raios solares, o ambiente limpo e eu estava deitado em uma cama confortável.
Nesse despertar comecei a me lembrar, sim, eu havia acabado com a minha vida, lembrei quem eu era e o porquê havia feito aquilo, quanta tristeza e arrependimento senti, que bobagem fizera, quis punir alguém e o maior punido tinha sido eu mesmo, e por motivo tão banal, que arrependimento...
Chorei muito, sofri de dor e remorso, mas estava ali naquele lugar aconchegante, lembrei de onde estava antes de adormecer, senti um frio percorrer todo o meu ser, um pavor, medo de voltar para onde eu estava, não suportaria!
Nesse momento uma luz muito grande se fez presente, e uma mulher em forma de anjo se apresentou a mim, aquele olhar ao tocar o meu fez milagres em mim, me senti envolvido em uma enorme paz, era nesse momento a misericórdia de Deus se apresentando a mim, estava sendo socorrido, senti vergonha, mas me deixei levar pelo olhar bondoso que me acariciava o ser tão dilacerado pela dor.
Fui acolhido, aceitei a ajuda, fui resgatado, e assim estou hoje, em processo de reeducação, preciso aproveitar essa bendita oportunidade que recebi, agora aprendo a valorizar a vida que um dia desprezei, aprendo a valorizar tudo o que tive e eu não dei importância.
Por isso agradeço a Deus, agradeço por ter me tirado daquele lugar e por me fazer entender o quão leviano eu fui, se tive a alegria desse resgate é porque Deus se apiedou de mim. Agora sigo aqui aprendendo e agradecendo, e espero me fazer merecedor da misericórdia que Deus teve comigo.
Estou tão feliz, hoje enxergo a luz depois de tanta escuridão. Sai de um lugar de lodo, sofrimento e dor. Que Deus continue a me auxiliar e eu possa vencer essa fraqueza, essa covardia que fiz a mim mesmo, tenho fé e esperança que tempos melhores virão e que eu poderei mostrar a minha gratidão, regressando à carne e sabendo respeitar o dom da vida.

Ricardo.

           Psicografia recebida em 2018.                                     
           Médium: Débora.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018



MATEI-ME, MAS NÃO MORRI

         Certamente todos que ouvirem minha narrativa vão me censurar, me acusar.
         Não sem que eu me justifique.
      Já não tinha nada a perder, pois já tinha perdido tudo, até minha dignidade. Nenhum homem suporta o peso de uma censura, de uma acusação. Apesar de ninguém dizer uma palavra sequer, minha consciência me acusava. Eu não pude resistir. Pensei em desertar, pensei em sumir, mas não ia adiantar, pois iam me encontrar.
       O céu para mim não era mais azul como na minha adolescência, nem os dias claros de minha infância.
       Tudo parecia nublado em minha mente, não havia solução. E então resolvi desfechar o golpe derradeiro: “acabar comigo mesmo, me matar”.
          E eu o fiz com uma frieza e uma decisão tão firme, que hoje eu não sei como tive coragem.
         Eu não suportava a ideia de matar um animal sequer, nem que fosse para matar a fome. Mas me matei.
         Vivia muito calado e acabrunhado. Aquela ideia não saia da minha mente, e mesmo depois de morto queria acabar comigo, mas não acabava. Porque na realidade eu me matei, mas me sentia vivo. Tinha ódio de mim mesmo. Porque viver? Mas vivia. Era um sofrimento atroz porque os ferimentos doíam, e como doíam. Sangravam e sangravam. Minha cabeça era como um trovão, e um relâmpago passava em minha visão.
         O que fiz meu Deus? Eu não sabia mais de nada... Será que fiquei doido? Hoje sei que sim, pois em sã consciência jamais alguém faria o que fiz. Mas acontece que me sentia realmente vivo e sofria porque eu não morrera.
        Vaquei, andei, gritei, tampei os ouvidos, mas não conseguia estancar o sangue que saia da minha cabeça.
         Venham me ajudar! Gritei um dia, depois de muito sofrimento.
        E uma pessoa, simples, na capa de um mendigo se aproximou e com a beira de sua veste rasgada me enrolou e me carregou.  Me levou à sua choupana e disse:
 “Vou te ajudar, porque você fez essa ação inconsequente levado por irmãos ignorantes e desejosos de sua queda. Você não foi bastante forte para resistir à influência deles. Vou deixar você aqui e pedir socorro a irmãos maiores, porque é a única coisa que posso fazer no momento. Beba um pouco d’água e durma.”.
         E dormi. Quanto tempo? Não sei.
       Acordei muito depois em um lugar amplo, numa maca sendo conduzido por enfermeiros atenciosos, que já haviam feito um curativo em minha cabeça e me levaram a um hospital, “hospital público”, mas muito limpo, porém onde ficavam pessoas que como eu atentaram contra a vida, mas em vias da recuperação.
      Coisas muito tristes, que não quero e não posso narrar. Mas foi lá que encontrei a paz. Estou assistindo filmes de valorização da vida, que me fazem ir às lágrimas, e que me dão a vontade de voltar atrás para recuperar o tempo que perdi.
    Vou ser transportado para outro lugar onde poderei ser útil, mas só quando estiver totalmente recuperado.
        
        José da Silva Filho.
                                                                      
       Psicografia recebida em 2018.                                     
       Médium: Catarina.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018


EU QUERO UM JARDIM


Quero ficar num lugar calmo, sem gritos e lamentações. Quero ver um lindo jardim com crianças brincando, senhoras colhendo flores, quero ver árvores gigantescas com frutas e flores. Não quero ficar onde estou, aqui é frio, escuro e tem muito choro.
Eu pensei que quando morresse iria para um paraíso, com direito ao descanso eterno. Como fui tolo em acreditar em lugar de tamanha beleza e encantamento. Deixei-me ser conduzido a um ideal onde só encontrei dores e ranger de dentes.
Fui trazido até aqui por tanto pedir misericórdia e perdão, tirei minha vida por um capricho banal e fútil, sou muito descrente de Deus, não acreditava que uma simples oração fosse me ajudar em meus problemas íntimos.
Sempre quis uma vida fácil, sem trabalho, mas gostava de ter coisas lindas, roupas, perfumes, sapatos e cobrava de minha mãe. Cheguei a dizer coisas horríveis para ela e minha mãe era uma guerreira que trabalhava como cozinheira em uma grande casa, com pessoas de grandes posses e muito ricas.
Minha mãe sempre trazia roupas doadas para mim, eu aceitava, mas não me convencia de que eram roupas usadas que queria usar. Eu queria mais e mais. Até que um dia resolvi trabalhar nesta mesma casa como ajudante do jardim, uma profissão pequena e sem importância. Fazia o que tinha que ser feito, mas sem nenhum interesse de minha parte em fazer o meu melhor.
Um dia uma linda moça veio até o meu encontro e perguntou: “Você Gabriel é um rapaz muito bonito e tem mãos boas para cuidar de meu jardim, vejo que as mudas que plantou semana passada estão fortes e querendo desabrochar para nos encantar com sua beleza e cor. Tenho uma pequena propriedade em lugar um pouco distante daqui, onde gostaria que você cuidasse para mim, você aceitaria?”. Pensei em não aceitar, sair de minha casa para viajar todos os dias e ainda cuidar de jardins? Não sei, gostaria de pensar um pouco mais e darei a resposta amanhã, você se importa? Perguntei.
Passaram uns dias ela veio ao meu encontro e eu aceitei ir morar em sua pequena propriedade. Esses dias em que fiquei pensando, comecei a desejar a pequena propriedade, comecei a ver uma possibilidade de ficar com essa linda e inocente dama, minha mente não parava de pensar até que cheguei finalmente a me casar com a pequena dama.
Fui um homem cruel e fiz tanta maldade que ela ficou louca e se suicidou, eu fiquei com toda a sua fortuna, mas enlouqueci, não encontrei a minha paz, fui ficando cada dia mais triste e por onde eu ia conseguia vê-la com seu sorriso, gentileza e o seu olhar meigo para mim, eu conseguia sentir o seu amor e  a sua confiança que ela tinha por mim. Não tive como viver mais naquele lugar e fui para cidade.
Na cidade logo encontrei um vicio, onde me deixava um pouco mais calmo, que era a bebida. Até que um dia fui encontrado em lugar escuro e sombrio, e hoje me encontro aqui em busca de um lugar lindo, onde eu possa plantar uma nova história de vida que possa florir lindas rosas vermelhas como os lábios de minha amada Julieta.
Eu amava a minha pequena dama, não tinha conhecimento desse sentimento, só depois da morte que fui capaz de reconhecer.
Sinto muito...

Gabriel Lima.        
                                                             
Psicografia recebida em 2018.
             Médium: M. Nicodemos

sexta-feira, 17 de agosto de 2018


MÃOS VAZIAS

Através dessas linhas que hora escrevo pretendo contar-lhes um pouco das duas últimas encarnações.
Começo então pela penúltima, eram os anos de 1800, por essa época nascia em uma grande fazenda de café, no interior do Brasil, cheia de vida e saúde dava meu primeiro suspiro de retorno à carne. Tinha tudo pra ter sido útil e feliz, mas me entreguei a inutilidade e a proporcionar a infelicidade daqueles pobres negros que viviam nas senzalas insalubres das fazendas do meu pai.
Não sei porque tinha tanto ódio meu coração tão jovem, me comprazia em ver aqueles pobres negros sofrer, era como se a dor deles me desse enorme prazer, minha crueldade era tanta que sentia prazer em ver aquelas costas serem rasgadas pela chibata do feitor, homem  rude e de maus modos.
Passei por essa encarnação só prá ser servido e fazer o mal, não consigo me lembrar de uma única vez que tenha sido boa à alguém, uma única vez que tenha feito alguém feliz. Casei com homem igual ou pior que a mim mesma, casamento arranjado, nunca conheci amor, nunca amei, nem mesmo ao meu único filho. Nunca consegui amar aquele ser, logo após o nascimento já foi entregue as muitas amas que ali viviam, jamais tive para com ele o menor gesto de carinho, nunca o aconcheguei em meu regaço, jamais lhe ofereci o alimento que jorrava dos meus seios. Ele foi crescendo e se tornando um lindo rapaz, mas para mim não fazia diferença, como fui má. Não cativei nem o amor do meu filho que por isso nunca me amou como se ama a uma mãe, era-me completamente indiferente.
   Os anos passaram, não cheguei a envelhecer, uma enfermidade me levou de volta à Pátria Espiritual, lá cheguei com as mãos vazias, vazias de tudo. Voltei carregando comigo o ódio daqueles pobres negros que muito comemoraram a minha morte.
Mais uma vez o tempo passou, muito sofri e muito aprendi, novamente chegou a hora de novo mergulho na carne, pensava em ser pelo menos um pouco melhor dessa vez.
Volto então a minha última encarnação. Não nasci em família muito abastada, mas com condições suficiente para que nada me faltasse, teria aí chances de através do meu esforço conseguir vencer financeiramente e moralmente, da mesma forma que me foi dada condição de ter escola, tive em casa na escola do lar mãe amorosa que ensinou a amar a Deus, ser caridosa e fazer o bem. Ela tentou, eu infelizmente não aprendi.
Era inteligente e logo me destaquei nos estudos, me formei, tive uma profissão e me casei com homem de posição, era bela, inteligente, interessante, tinha dinheiro e recebi ensinamentos, enfim tudo para viver bem e fazer o bem. O que fiz? Mais uma vez tudo errado.
Menosprezava os que tinham condições inferior a minha, não gostava de me misturar com empregados, jamais pratiquei a caridade, achava que a tudo e todos se comprava com o dinheiro. Dessa vez aprendi a amar, mas só os meus, queria ver meus filhos bem, o resto não me importava. Nunca pensei em ajudar a ninguém, achava que quem não conseguia sucesso financeiro era porque não tinha coragem, a todos julgava, achava que se não conseguiam é porque eram preguiçosos, porque faltava-lhes coragem, nunca pensei que pudesse ser por falta de oportunidades.
Pensava na minha aparência, nunca me conformei com o fato de estar envelhecendo, cada ruga que marcava meu rosto representava enorme tristeza para minha alma extremamente fútil. Outra vez ele, o tempo, passou e eu idosa, demente regressei à Pátria Espiritual. Mais uma vez retornei de mãos vazias!
Meu Deus aqui estou à tantas décadas, tanto tenho aprendido, e tanto medo sinto, vejo que em breve devo estar sendo chamada a nova experiência na carne, o que fazer? Preciso dessa oportunidade, não posso mais falhar, sei que a natureza não dá saltos, mas preciso dar um salto na minha triste existência, não posso mais voltar de mãos vazias.
Quanta vergonha e medo sinto quando olho minhas mãos, vergonha do que não fiz e muito medo do que vou fazer, mas uma coisa eu tenho certeza, não quero, não devo e não posso mais trazer as mãos vazias.

Meu nome? Prefiro não dizer!
Mãos vazias.
               
Psicografia recebida 2018.

            Médium:Débora S C.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018


O CÂNCER ME CONSUMIU


          Jesus sofreu, eu também sofri. Estava consternado com meu sofrimento. O câncer corroia-me não só meu corpo físico, mas também minha alma. Eu ainda me considerava tão jovem para morrer...
         E como sofri, cada sessão de quimioterapia e radioterapia eu ia ciente que melhoria, mas qual o que? Eu só piorava. Tinha dias que eu sentia uma pequena melhora, mas depois tudo voltava ao início.
         Meus familiares cercaram-me de carinho e dedicação. Foi uma dádiva. Até aqueles que eu achava que não me tinham muita consideração, se cercaram de mim. Faziam-me vistas tanto em casa como no hospital.
         Devo nesse momento fazer um agradecimento a meus médicos e aos enfermeiros que cuidavam de mim com tanta dedicação.
         À proporção que meu corpo se tornava debilitado, minha alma se rebustecia. Nos meus sonhos eu estava sadio. Sentia-me jovem e forte como nos velhos tempos. Mas ao acordar eu sentia as dores e a aflição.
         Meu corpo já não correspondia aos meus desejos simples de ao menos me assentar na cama. Tinha que ser ajudado. Já não podia fazer quase nada.
         Um dia vi aproximar-se de mim muitos irmãos que eu pensei serem evangélicos. Muitos felizes, falantes. O mais idoso, que achei ser o pastor se aproximou de mim e disse: “Chegou a hora, vamos liberta-te e levar-te para um lugar onde vais ser curado de teus sofrimentos. Ajuda-nos com seus bons pensamentos, pois irá torna-te mais leve. Vamos meu irmão.”    
          Eu quero despedir dos meus, da minha filha, de meus netos, dá-me essa oportunidade, respondi.
          E eles disseram: “Sim despeça.”
           E em espírito beijei a cada um deles. Eles não estavam presentes e eu não sei como percorri a distância que nos separava. Beijei-os, agradeci-os. E me fui, levado por aqueles irmãos que de uma forma desconhecida me auxiliavam apenas com as mãos.
          Só sei que fui “transportado” a uma distância incalculável. Fui ficar em lugar de muita paz. Um hospital que tinha jardins que exalavam perfumes de flores que eu desconhecia também.
           Hoje após esse tempo, sinto-me recuperado. Já posso, de meu lado, auxiliar aos que como eu padecem de câncer.
          Eu hoje agradeço a Deus a oportunidade de estar aqui nesta reunião, participando ativamente e deixando o meu testemunho de que a “morte não existe”. A felicidade é conquista nossa.
          Obrigado irmãos, muito obrigado.

           Anselmo.
              
            Psicografia recebida em 2018.                                     

            Médium: Catarina.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018



A PEQUENA GUERREIRA

Num momento tão lindo de minha vida eu fui comunicada através de médicos que minha filha tinha uma grave doença pulmonar. Eu com minha fé fui atrás de tratamentos com os melhores médicos. Tentei passar para minha pequena confiança e coragem, mas no fundo do meu coração estava descrente e sem animo para cuidar e já estava sem esperança de cura.
 Vi minha pequena emagrecer, cair os cabelos e ela com sua inocência e acredito que Deus protege intensamente as crianças, pois para ela parecia tão simples, tudo que se passava somente ouvia dela um leve choro quando os medicamentos eram venosos e como toda criança quando vê uma agulha se espanta e chora, mas ela tinha um olhar que dizia: “Tenha calma mamãe, não sofra tanto assim!”. Crente chego a ver esse olhar neste momento e quantas saudades tenho de minha pequena.
Eu sentia que ela sabia da gravidade de sua enfermidade, mas sempre mantinha a calma e com um sorriso no canto da boca dizia: “Vamos curti este momento mamãe!”.
Mas infelizmente o meu sofrimento passou a ser maior que o dela. Fui levada pela tristeza, fui totalmente covarde diante do sofrimento de minha pequena. Vi que estava doente também, num momento em que eu deveria estar forte, mostrando fé, esperança e confiança nos médicos, acabei sendo totalmente engolida pela depressão.
 Meu estado de saúde se agravou. Fui colocada em hospital psiquiátrico e minha família ficou responsável pela minha pequena. Muitas vezes fui vê-la no hospital sempre acompanhada por um enfermeiro ou médico, eu quando olhava para ela podia sentir e seu olhar o que ela queria dizer: “Mamãe tenha confiança e coragem!”, minha pequena era guerreira.
Num momento tão triste não pude cuidar de minha filha. Seu pai, um homem bom, jamais deixou de ajudar, sempre que possível estava presente, pois ele precisava trabalhar para pagar as despesas de hospitais e medicamentos.
Minha pequena faleceu em 2007, numa tarde de sol, o céu estava azul, na clínica onde eu estava os pássaros cantavam alegremente, senti a sua partida, fiquei calma e não sei explicar o que aconteceu comigo, mas eu vi o seu olhar e ele me dizia algo assim: “Mamãe estou bem, aqui não vai haver mais sofrimento, não sofra com a minha partida, estou bem, existe luz onde eu estou indo”.
Eu fiquei calma, minha doença não se agravou, mas não sai da clínica, fiquei hospitalizada até o dia do meu desencarne no ano de 2010. Nunca lamentei o falecimento da minha pequena, jamais culpei Deus por isso, mas eu me culpo e trago aqui na minha alma a tristeza e sei que deixei infeliz o meu Pai que está no céu. Ele me confiou uma pequena e eu com a minha pequenez não fui capaz de cuidar devidamente como uma mãe forte que devem ser todas as mamães.
Hoje me encontro em recuperação em uma casa acolhedora e sei que o meu encontro com a minha pequena depende exclusivamente de mim.
Tenho certeza que vou conseguir através da minha confiança e coragem e com a ajuda de toda essa equipe sinto que em breve estará em meus braços a minha pequena guerreira Gabriela.

E eu Luciana, uma mãe que aprendeu muito com sua pequena a ser guerreira, agradeço ao Pai por tudo.
  
                                                            
Psicografia recebida em 2018.
             Médium: M. Nicodemos

sexta-feira, 27 de julho de 2018



RELATOS DO SUICÍDIO


É doloroso para mim ter que relatar e lembrar de tudo que passei antes e após desencarnar. Doloroso, mas necessário. Precisava dessa comunicação que me foi permitido, pois as sequelas são grandes e o processo de refazimento é muito lento.
Quero gritar aos quatro cantos para que as pessoas não cometam atos insanos como eu cometi. É muito sofrimento, muito doloroso e de nada adianta.
Na verdade, tudo começa com uma grande perturbação em nossa cabeça. Parece que uma voz vem até nosso ouvido dizer o que temos que fazer para amenizar as nossas dores, é uma voz do mal que não devemos escutar, mas ela toma conta de nós e passamos a dar crédito a tudo que ela nos fala. Claro que é tudo fruto da nossa mente perturbada e, ao darmos crédito, cometemos, muitas vezes, atos insanos.
Sei que fui um fraco. Acho que passei a minha vida sendo um fraco. Não foi da noite para o dia. Nada é assim tão de repente, tudo é um processo.
Não damos crédito ao que sentimos, nos deixamos ser conduzidos e, quando percebemos, já é tarde demais. Não nasci para morrer assim dessa forma. Deus não me deu a vida para que eu a tirasse, assim, sem pensar. E aí temos que pagar por esses atos errados que cometemos.
Preciso dizer que é muito sofrimento. Fui recolhido, muito tempo depois, de um vale escuro e gelado. Acho que me jogaram ali para eu pensar. Pensar em tudo que fiz com a minha vida. Esses pensamentos geraram dor, muita dor.
A todo momento me senti vivo e arrependido. Qual a razão de tirar a minha vida se eu me sentia vivo? Agora sim, o sofrimento foi muito maior.
Pensava eu... Que fazer agora?  O que eu fiz com a minha família? O que eu fiz com os meus amigos queridos? O que eu fiz comigo?
Quantas lágrimas deixei. Quanto sofrimento deixei.
Não feri só a mim, mas a todos que me amavam. Será que foram muitos? Não sei, pois não tive mais a consciência de ver. Fui tolhido de tudo. De amor, de amparo, de notícias. De tudo mesmo, até chegar à verdadeira exaustão e ao verdadeiro arrependimento. Só assim fui recolhido e amparado.
Estou em tratamento, pois muitas feridas consegui provocar no meu corpo e no meu espírito. Meu espírito está triste. Sinto um grande vazio. Minha cabeça está oca.
Meu coração pulsa em ritmo acelerado. Quantas coisas sinto hoje que não sentia antes e não posso mais tirar minha vida novamente, porque ela se foi. 
Queria dizer à minha família que meu arrependimento é imenso e peço desculpas por tanto sofrimento causado. Ninguém tem culpa. A culpa é totalmente minha. Somos responsáveis pelos nossos atos.
Queria dizer a meus amigos do coração, a falta que me fazem. Não existe mais aquele papo gostoso e é muito dura essa separação.
Estou aqui a caminhar em passos lentos, mas vencerei.
Fé e força é o que estou pedindo agora e obterei.
Fiquem todos na paz.
Retornarei um dia com uma bela mensagem.
Abraços eternos.

Roberto.

Psicografia recebida em 2018.
Médium: Regina.