sábado, 28 de abril de 2018


MATEI POR GANÂNCIA

          Voar, voar, é o que desejo. Amar, amar é também o meu desejo...
          Mas como aconteceu algo muito grave, foi-me cortado o vínculo da vida física e meus desejos desapareceram.
           Hoje desejo viver, viver. Mas como se o fio da minha vida foi-se cortado.
           Não me lamento apenas por isso, me lamento por mim. Tive todo o tempo do mundo e o desperdicei. Tive também um emprego digno que me dava o suficiente para viver, mas perdi a vida.
          Foi em um tempo remoto que nem mesmo eu sei dizer quando. Eu morava em um casebre muito pobre. Ouvi passos de cavalos e se me apresentou um cavaleiro muito nobre e esse cavaleiro pediu-me pousada. Mas qual o quê? Pousada em meu casebre? Eu não tenho nada, mas mesmo assim pedi que ele entrasse, fiz-lhe um café forte e pedi que retirasse o cassaco, que estava úmido para por perto do fogão para secar. Arrumei uma cama em uma enxerga e o cavalheiro dormiu.
         De manhã ao acordar ele já tinha ido embora. Saiu de mansinho para não me acordar, mas esqueceu uma bolsa com sua fortuna. Depois eu soube que o cavaleiro era rico, e havia saído de casa para comprar uma herdade. E eu achei sua bolsa em minha casa. Pensei: “vou ficar com ela e mais tarde vejo o que vou fazer.” Cavei um buraco no terreno ao lado e a enterrei.
         O cavaleiro voltou e disse que achava que havia esquecido a bolsa e eu disse que não estava ali. Ele insistiu e eu pedi e ele que revistasse tudo. E realmente ele não achou. Mas ficou desconfiado.
         Mais tarde enviou um capataz que me fez perguntas agressivas, me apertou de todo jeito para eu falar, mas eu não falei. Fiquei muito medroso que ele voltasse e ele voltou. Só que eu já havia posto um machado atrás da porta e eu o golpeei. Ele ficou ensanguentado e acabou morrendo. Eu sem saber o que fazer fiquei desesperado e me matei também.
        Entendo hoje que se meus sonhos não se realizaram é por causa desse meu passado.
        Hoje vejo com clareza que a gente não deve ser desonesta, não deve roubar e nem mentir porque nós ao assim fazermos estamos marcando nossa alma para sempre. Foi por isso que tanto sofri, foi por isso que aqui estou para alertar a todos que lerem essa pequena carta não cometam esses erros. Pra encontrarem a felicidade é preciso que sejam leais e pratiquem o bem. Não pela metade como pratiquei, mas por inteiro.
        Foi muito fácil para eu dar meu leito para aquele homem dormir e secar suas vestes. Mas muito difícil vencer a tentação do ouro, pela ganância, pela mentira e chegar a morrer e matar por causa disso.

        Chico. Um irmão que agradece pela oportunidade do desabafo.                                                                                   
                                                         
          Psicografia recebida em 2018.                                      
          Médium: Catarina.

sexta-feira, 20 de abril de 2018


SAUDADES  DOS  BEIJOS  DA  MAMÃE




Dor,  sinto muita dor, a dor da saudade. Queria ter a oportunidade de estar com os meus familiares, amigos e principalmente com a minha mãe. Sentir o seu cheiro, o colo, o colo macio, seus carinhos em minha cabeça e ouvir sua voz e sentir os seus lábios em meu rosto com seus beijos estalados e molhados, confesso que não gostava muito, lembro que sempre limpava, mas hoje daria tudo que não tenho mais para sentir seus beijos.
Sinto uma dor no peito que chego a ficar sem ar, se eu não estivesse morto talvez eu pensaria em perder a vida, mas já não posso mais. Como dói a dor da saudade. Hoje estou aqui com a permissão de amigos de luz, desconhecidos e anônimos e não sei o real motivo disso.
Eu agora posso dizer que a dor é bem maior, pois as lembranças estão vivas em minha memória, sinto vontade de chorar e gritar, mas uma coisa eu posso dizer, não trago mais a revolta. Estou sereno e agradecido pela oportunidade. Não conheço a Doutrina, não tenho conhecimento da psicografia que poderia expressar os meus sentimentos e que outra pessoa viva poderia sentir e ouvir, escrever exatamente o que digo, isso é incrível. Estou bem leve apesar da dor da saudade.
Eu desencarnei menino ainda, vitima de uma doença grave e desconhecida para a época em que eu vivi. Hoje tenho conhecimento porque fui esclarecido que “morri” a muitos e muitos anos. Fui envolvido por lamentos, me sentia um coitado, revoltado e não queria acreditar mais em nada, eu queria meus pais, minha vida. Era um menino sonhador, queria constituir família, ter filhos e esposa, ter um trabalho onde poderia ajudar meus pais e de repente fiquei doente e quase levei minha família para o buraco comigo, em dividas e tristezas. Nossa família era muito querida, recebíamos ajuda de todos financeiramente, com palavras amigas, carinho e muitas orações. Lembro de muitas reuniões religiosas em nossa sala e depois todos deixavam doações em dinheiro ou algum alimento, até mesmo biscoitos e balas para mim.
Chequei aqui e recusei todo o tipo de ajuda, não me reconhecia, pois não me sentia um menino e sim um rapaz com barba, eu me recusava, não me enxergava de forma alguma. Foi aí que fui levado para algum lugar, onde permaneci em tratamento, não sei qual, talvez dormindo, não trago lembranças, mas depois vim para esse local. Somente hoje sei que fui me recuperando de uma forma mais consciente e com muito carinho destes amigos estou aqui para relembrar dos doces e deliciosos beijos de minha mãe.  
Sinto saudades da senhora minha mãe e muita dor, mas hoje sei que foi para o meu crescimento espiritual que parti de uma forma tão dolorosa e prematura. Obrigado por todo o seu carinho e dedicação. Muito obrigado pelas suas lembranças, não esqueceu de mim em suas orações noturnas. Foi sua fé e seu amor que me resgatou do mundo da revolta.
Obrigado minha querida mãe.
Como dói a dor da saudade!

Humberto Luiz.

 Psicografia recebida em   2018.
             Médium:  M. Nicodemos.

sábado, 14 de abril de 2018

PELAS PORTAS DO SUICÍDIO


Quão é avassaladora a dor do arrependimento! Como sofre um espírito como o meu que por motivos tão banais procurou a saída pelas portas do suicídio.
Sofro tanto quando me vem as lembranças daquele dia fatídico. Hoje venho aqui narrar tudo o quê passei desde a equivocada decisão que tomei, achando que com aquele ato eu colocaria fim a todas as aflições que eu sofria.
A muitos anos atrás quando as  grandes edificações começavam a serem erguidas nas grandes cidades, o que se vê hoje, aqueles tempos eram pouquíssimos mesmos na grande cidade a qual eu vivia. Foi na cidade de São Paulo, que tudo aconteceu.
Saí de casa em total desespero, caminhei por muitas horas sem rumo, em total desespero, andei até entrar num edifício comercial, daqueles de dez andares, os gigantes daquela época. Entrei naquele elevador e solicitei o número nove, o penúltimo andar, desci daquele elevador tremendo e ao mesmo tempo em que sentia medo, sentia imensa coragem.
Andei pelo corredor daquele andar a procura de uma janela que logo aviste e tomado de uma coragem e uma determinação que hoje sei que não era só minha, muito estava meu espírito aflito, assediado por outros tão mais aflitos. Ainda num relance lembrei de você mãe, mas nem a sua lembrança foi capaz de me deter de tão determinado e influenciado que eu estava. Não me deti e com toda a coragem que eu achava ter, hoje sei que era na verdade um ato de extrema covardia e egoísmo joguei-me qual uma pluma e daí a pouco meu corpo estourava no chão duro e meu espírito rebelde se despediria naquele instante.
Achando que partiria para a morte, parti para a dor, para o cativeiro de lágrimas e de arrependimento, mas era tarde demais, meu corpo já não existia, consegui destruí-lo, mas o espírito atormentado vivia, vivia para lembrar a cada minuto, como num filme parado numa mesma cena o ato tresloucado. Dalí fui arrebatado para o vale de dor e de escuridão que se tornaria por muitos e muitos anos minha nova morada.
Como sofri naquele lugar, lugar escuro que me causava imenso pavor, ali no meio de criaturas terríveis, que se arrastavam que se contorciam em dores atrozes, onde o música era o ranger de dentes, o pranto, os gritos daqueles infelizes iguais a mim mesmo.
Eu no desespero da minha vida, sim minha vida, porque só meu corpo morreu e com ele não morreu mais nada, nem minha essência e nem minhas dores. Tentava me esconder em buracos escuros onde bichos voadores esvoaçam sobre a minha cabeça me causando repulsa e pavor. Logo era encontrado por aqueles que me encorajaram na hora extrema e ali eu era xingado, apedrejado e assim seguia em dolorosos sofrimentos e sempre, sempre aquela cena do dia fatídico a se desenrolar na minha lembrança.
O sofrimento ao qual eu mesmo me impus seria difícil descrever com palavras. Assim passei muito tempo nesse estado deprimente, até que um dia as orações partidas do coração amoroso da minha mãe chegaram até a mim, então consegui me desvencilhar por alguns momentos da cena que eu estava preso e consegui lembrar das orações tantas vezes ouvidas no meu antigo lar. Lembrei-me das aulas de evangelização que eu frequentava todos os domingos, naquelas manhãs alegres de criança junto a pessoas que me faziam tão feliz.
Pedi perdão a Deus, orei com todo o fervor e naquela hora senti como se uma enorme rede me prendesse me tirando dali, e entrei num estado de topor até ser tomado por um sono profundo e reparador. Naquele dia fui resgatado do terrível vale, começava ali o meu socorro. Achava que nunca mais seria feliz, e comecei a sentir que Deus é Pai e que mesmo para mim que sabia não ser merecedor, pois que muitas coisas agravaram meu ato, eu sabia o que o suicídio acarretava a quem o praticava e ainda mais para mim que pratiquei por motivos tão banais...
Ah quanta dor, quanto arrependimento. Passei anos em tratamento depurando meu espírito até ter condições de aos poucos ir me recuperando, posteriormente começava a participar da minha regeneração através de novo processo reencarnatório.
Hoje estou eu próximo a minha prova, sei que será a prova mais difícil para mim, em breve estarei mergulhado na carne para novo aprendizado e ao final fazer a prova, passarei por problemas de verdade e terei que provar que não sucumbirei. Parto com enorme esperança de ser vencedor, de ser aluno dedicado e conseguir com isso uma ótima nota nessa prova. Creio na bondade infinita de Deus e na ajuda incondicional de espíritos amorosos que me ajudarão a vencer.
Peço a Deus que me fortaleça e que me auxilie e para usar meu livre arbítrio a meu favor e a favor de quantos cruzarem meu caminho. Preciso sair vencedor.
Dessa vez não posso decepcionar aquela mesma mãe de outrora que hoje aceitou mais uma vez me receber como filho. Agradeço à Deus pelo anjo de amor e bondade que Ele me deu e que eu chamarei de mamãe.
 
Jarbas.       
             
Psicografia recebida 2018.

             Médium: Débora S C.

sábado, 7 de abril de 2018


OS  BONS  PENSAMENTOS  CURAM

         Caros amigos. Sei que já não vivo entre vós, sei que meu tempo já passou. Tenho que me conformar com isso... Mas não me conformo...
          Como saber que morri se eu ainda vivo, tenho sonhos, desejos e às vezes até raiva.
          Como me conformar com isso... Tinha meu trabalho, meus amigos, meu filho e minha família.
         Eu ainda me sentia tão em forma com tantos planos para cumprir e fazer...
         Às vezes me pego pensando, aqui também se pensa e eu nem suspeitava disso. Eu penso, eu queria que tal coisa tivesse sido assim, mas eu ainda vou fazer isso. Depois me lembro que não tenho mais futuro pela frente. Pelo menos é que eu penso.
         Quero, ou queria voltar atrás naquele dia em que eu sai de casa, afobado e apressado. Pequei as chaves do carro e sai, como saia todos dias. Voei pela estrada porque tinha que fazer um serviço em uma cidadezinha próxima. Me senti um pouco abafado, mas prossegui. Olhei para todos os lados, tudo estava livre, não vinha nenhum carro e eu fui. Mas não sei porque, talvez a alta velocidade de meu carro eu bati em alguma coisa rígida que tanto podia ser um barranco ou uma árvore. Eu bati a cabeça várias vezes. Perdi os sentidos, não sei onde foi, pois eu fiquei atordoado.
          Não me lembro de mais nada. Só sei que depois de muito tempo desacordado eu me vi em um hospital, cabeça enfaixada e doendo tanto que não sei como pode existir tanta dor. Esse hospital eu não sei onde fica, nem como é seu nome.  
          Fui atendido por um médico negro. Eu não gostava muito de negros, achava que não tinham muita competência. Fui um traído por um negro.
          Só sei que eu tinha somente essa dor de cabeça indescritível, e não movia mãos e pernas. Estava tetraplégico. O que fazer? Perguntei ao médico que até era simpático e achei-o bondoso. Me respondeu: “ Não tem nada que fazer, somente ore e procure descansar. Mude seus pensamentos apurando seus sentimentos. Você vai melhorar...”.
           E acho que passou muito tempo, não posso dizer quanto tempo. Hoje me acho melhor, já movo as mãos, sou cuidado por um fisioterapeuta e aquele médico negro, hoje é um amigo e se chama “Dr Hilton”.
           A cabeça ainda dói bastante só quando eu me revolto e acho que não merecia isso. Mas estou procurando me dominar e pensar só no bem.                           
            A vocês que pedem por mim eu agradeço. A vocês que não me entenderam peço que tenham um pouco de tolerância comigo, pois eu já morri, e peço a prece de vocês.
             Abraços em minha família. 
               
             Juliano.
                                                           
 Psicografia recebida em 2018.                                     

 Médium: Catarina.

sábado, 31 de março de 2018


POLICIAL JUSTICEIRO


Senhor, meu Deus, aqui estou na pátria espiritual, resgatado por Ti. Como o Senhor pode ter misericórdia de mim, um homem cruel, infeliz, que só levou desgraça às pessoas?
Eu sei o quanto devo sofrer no umbral, na lama, na escuridão, sei da responsabilidade dos atos que pratiquei em plena consciência e vontade, segura dos meus atos e golpes.
Sinto vergonha, muita mesmo, mas não consigo me arrepender, pois todos os meus crimes tinham um culpado, uma causa que me levava a uma violência, que muitas vezes era terrível e cruel.
 Por que o resgate? Procuro uma resposta. Se preciso me arrepender para ter o Seu perdão, por que me buscastes? Não consigo entender.
Não me arrependo, volto a dizer, não me sinto culpado, fui sim um justiceiro, um policial que cumpria a lei, com “olho por olho, dente por dente”, e coloquei cada criminoso no seu lugar e matei na mesma forma que feriam sua vitimas. Honrei o meu batalhão e a minha farda, tinha respeito e admiração entre os meus soldados e companheiros de luta.
Vocês me falam que tenho que nascer novamente no meio de uma comunidade e serei um revolucionário, um questionador das leis impostas pelos traficantes dos morros e comunidades, onde conquistarei muitos jovens e crianças. Serei um homem respeitado ou corrompido pelo meio da bandidagem? Terei que escolher o meu caminho. Viverei nesse ambiente desde menino e vou ter amigos que não tiveram as mesmas oportunidades e as escolhas foram erradas e muitos vão tentar me levar para a vida fácil de muito dinheiro, aí sim, provarei se o verdadeiro motivo para os meus atos era vontade de fazer justiça ou se foi apenas a vontade praticar maldades que falou mais alto.
Estou muito nervoso, pois terei muitos a quem eu fiz justiça do meu lado, me questionando e pondo à prova o meu verdadeiro sentimento.
Morrerei nessa reencarnação como um lutador de uma causa ou morrerei como um justiceiro cruel?
Deus, da mesma forma que tenho que viver essa nova vida de luta e provações, peço a Ti Senhor que tenha misericórdia de mim e não me deixe ser corrompido pelo sentimento de Justiceiro e sim de um homem que acredita na bondade da humanidade independente da sua classe social.   

 José Expedito.
 
 Psicografia recebida em 2018.

             Médium: M. Nicodemos.

sexta-feira, 23 de março de 2018


A  CALUNIA  ME  FEZ  MATAR

         Pérolas de luz são as palavras de alguém que amamos.
         Flechas pontiagudas são as palavras de um caluniador.
         A calunia é o pior punhal. Mata sem dó e sem piedade, não alcançando só uma pessoa, mas às vezes alcançando uma coletividade.
         Vai se alastrando qual erva daninha em terreno abandonado. Às vezes nem acreditamos em o quê o caluniador fala, mas vem a dúvida: Será verdade?
         Pois bem, aconteceu comigo. Eu vivia tranqüilo em meu lar simples, mas aconchegante. Vivia do meu trabalho humilde. Minha esposa era professora formada em uma escola normal. Ficava em casa e não exercia a profissão. Um dia em que cheguei em casa bem cansado, ela me disse: “eu poderia trabalhar também e ajudar-te a manter nossa casa.” Não tínhamos filhos nossos, mas criávamos um sobrinho já adolescente, filho de uma irmã de minha esposa já falecida. Eu não gostei muito da ideia, mas ela fez com que eu cedesse a sua vontade.
         Ela começou a trabalhar como uma professora substituta no colégio próximo a nossa casa.
         Trazia para casa os trabalhos dos alunos. Às vezes eu me aproximava dela e ela me dizia estar ocupada, outras vezes estar cansada.
         Começou pegando outros horários também, por falta de outra professora que estava em licença maternidade.
          Pois bem, em minha mente ciumenta eu comecei a interrogar comigo mesmo: “O que estava acontecendo? Alguma coisa estava errada...”.
         Tinha um colega meu de serviço que muitas vezes conversávamos e eu expus a ele minha duvida e lê me disse: “Quando mulher faz isso, se afasta de casa e do marido é porque existe outro...”.
         Eu fiquei paralisado e comecei a argumentar em minha mente: “Existe outro homem nos atrapalhando.”.  
         Um dia cheguei em casa mais cedo e ouvi vozes dentro da área de serviço.
         Vi uma cena constrangedora. Um homem com minha mulher. Ela estava abaixada e ele com braço sobre as suas costas. Eu tive o ímpeto de estrangulá-los, mas não fiz isso. Fui dentro do quarto, tirei o revolver e os matei e em seguida me suicidei.
         Oh! Atrocidade. Oh! Infortúnio.
          Sofri horrores. Vampiros e fantasmas me assediavam, meu corpo foi devorado por eles e eu estava vivo.
         Vi quando chegou o carro da polícia e o carro da funerária para levar nossos corpos.
          Alguém disse: “É Sr. José o bombeiro!”. Quando chegou a esposa do tal Sr. José fiquei sabendo.
         Sr. José pai de um aluno dela foi em nossa casa para consertar o encanamento na área  que estava entupido e transbordando. A hora que cheguei ele apontava para minha mulher o local do entupimento.    
         Oh tristeza, se Deus me permitisse voltar atrás eu voltaria. Por que me Deus?
        Uma pessoa apenas insinuou o adultério de minha esposa. E ela leal e sincera nunca me traiu, sempre me amou. Não tiveram culpa, nem ela nem Sr. José.
        Hoje sofro horrores, mas tenho muita fé em Deus que irei pagar por meu crime que foi abrandado pela misericórdia de Deus.
        Tenho que voltar e corrigir meu erro.
        Deus me ajude. Obrigado.   
          
         Antônio Moreira.
                                                           
 Psicografia recebida em 2018.                                     

 Médium: Catarina.

sábado, 17 de março de 2018

O MÉDICO   QUE  PERDEU  TEMPO

O tempo parecia voar, as horas do dia nunca eram suficientes para tantas coisas que eu fazia, era precioso que o dia tivesse muito mais que vinte quatro horas... Desdobrava-me entre um atendimento e outro, hora no hospital, hora no consultório, e assim seguia naquela correria sem fim.
 Nunca tive tempo pra curtir o crescimento dos meus filhos. Reuniões de escola? Jamais fui a uma festinha de dia dos pais e tantas outras promovidas pela escola. Eu nunca tive o prazer de estar presente, nunca tinha tempo e assim nessa falta de tempo, o tempo foi passando e eu cada dia correndo mais contra ele. Não posso esquecer de dizer também que por esse tempo eu já tinha acumulado significado patrimônio, meus filhos já estavam adolescentes e eu não havia me dado conta de que eles cresceram e que em meio aquela agitação e falta de tempo, o tempo tinha passado e eu não reparei o crescimento deles.
Meu reflexo no espelho também já não era mais o mesmo, não era ainda velho na idade, contava com 50 anos, mas a aparência sempre cansada demonstrava idade além da que eu tinha. A rotina de noites e noites mal dormidas estava me deixando sempre com aquela aparência de cansaço. Não aproveitava o que eu tinha conseguido, não conseguia usufruir do conforto da minha bela casa, roupas eram compradas por minha esposa, nunca tinha tempo de entrar numa loja ou passear num shopping para escolher as minhas coisas.
Meu lazer se resumia a algumas reuniões em casa de amigos que francamente nada me agradavam, achava aquilo tudo muito chato, mas acabava indo por obrigação social.
Sinceramente eu digo, eu não estava vivendo, só trabalhando e trabalhando...
Um dia amanheci me sentindo enfraquecido e um tanto mais cansado que de costume, mesmo assim levantei da cama, tomei um banho,passei pela mesa de café farta e bonita, mas não tinha costume de me sentar pra tomar o desjejum junto à minha família, e naquele dia então passei direto sem tomar nem mesmo aquele golinho de café. Saí de casa e dentro do carro já percebi que alguma coisa não estava bem comigo, saí e antes que chegasse ao meu destino com o carro ainda em movimento tive um infarto e consegui parar o carro no meio da rua, consegui ainda evitar mal maior, daí a poucos segundos eu abandonava ali dentro daquele carro de luxo  o meu corpo. Despedia-me naquele momento da minha jornada na Terra.         
Quando acordei? Não sei dizer ao certo, sei dizer como acordei, e não gosto de me lembrar, não foram tempos fáceis, sofri demais. Me cobrava severamente por tudo o que eu não tinha feito,por cada fase na vida dos meus filhos que não acompanhei, pela companhia amorosa que não fiz a minha esposa, pelas semanas e semanas consecutivas que passava sem dar um telefonema aos meus velhos pais...
Amigos o tempo é precioso, vamos amar mais, cuidar mais de quem a gente ama, dar amais atenção, ouvir, falar... Não deixem que o tempo acabe com o tempo de vocês.
Que Jesus me auxilie e que auxilie vocês.

Carlos Eduardo.
                                                          
Psicografia recebida em 2018.                
            Médium:  Débora C.

sábado, 10 de março de 2018




O ÁLCOOL MATOU MINHA VIDA

Viver! Eu sempre amei viver! Sempre fui muito cuidadosa com o meu corpo. Saúde em primeiro lugar, atividade física e alimentação saudável; enfim, achava que iria viver por muitos anos. Eu acordava e tinha pressa em viver aquele dia intensamente sem perder um segundo sequer. Eu queria viver intensamente, ser feliz, fazer tudo que me era permitido e não deixava que o desânimo ou a preguiça diminuíssem minha energia e o meu gostar de viver.
Sempre fazia meus exames periódicos e, com moderação, eu bebia com meus amigos uma cerveja, outros dias uma vodka e assim eu passava os finais de semanas, tudo muito regrado e moderado. Não havia exageros de minha parte e policiava as minhas amigas, sempre fui muito observadora e nada passava sem que eu não visse.
Numa noite de sábado eu abusei do álcool e senti uma alegria que me contagiou e eu gostei, eu queria ficar com aquela leveza e sem timidez. Foi muito bom, mas não percebi que aquele dia eu estava colocando minha vida em perigo por conta do vício.
Eu me achava superior a essas fraquezas pobres dos homens e sempre falava: “Sou superior, eu sei do meu limite, não se preocupe comigo.” Doce e triste ilusão. Fui pega pelo maldito vício do álcool, e fui acabando com tudo que eu e minha família possuíamos, moral e financeiramente.
Fiquei hospitalizada em clínicas caríssimas de luxo, fugia e, em outras clínicas, fui colocada, mas, infelizmente, o vício era tão fulminante e cruel que foi cada vez mais levando o meu gosto de viver, a minha alegria. Veio a preguiça e o desânimo. Eu já não tinha forças para lutar e, quando cansada, eu só tinha um pensamento: quero vodka. Cheguei a beber coisas que me nego a dizer neste momento, pois não sei quem vai ter acesso a esta carta, não quero contaminar ninguém.
Hoje estou aqui para relatar o que vivi, para alertar os jovens como eu para o perigo da bebida. Ficar alerta quanto ao momento de parar e não deixar que a euforia do álcool seja maior que sua alegria natural de ser. Tudo que passa do normal é perigoso, é falso, é cruel e é o seu fim inconsciente.
Eu sou Maristela..., uma jovem de 23 anos, que amava viver e que deixou uma dose a mais levar a alegria de viver por uma falsa alegria de sobreviver.
Desencarnei de um modo muito triste e de forma lamentável, fui encontrada em uma viela, sufocada pelos meus vômitos, como uma moça qualquer e sem família. Ainda com vida, pedi perdão a Deus e aos meus familiares por não ter dado valor à vida que o Criador havia me proporcionado.
O vício me venceu, mas não quero que outros se percam como eu; em apenas uma noite de sábado, eu deixei o vício acordar dentro de mim, pois trazia esta tendência de outras vidas.
E chegando aqui, percebi que fui vitima de suicídio indireto.
Não deixem que os seus jovens caiam nesse perigo. O álcool mata a vida terrena, pois a vida continua além-túmulo.

Fiquem em paz.         
                                                         
Psicografia recebida em 2018.

Médium: M. Nicodemos

sábado, 3 de março de 2018





 MORTO E ENLOUQUECIDO

         O lugar era encantador. Tudo do “meu” jeito. Eu tinha uma vida tranqüila. Vivia em paz. Tudo do jeitinho que eu sonhara.
         A meu lado, a esposa adorável; os filhos todos já haviam se casado, exceto um. Esse, cuja situação não me agradava, afastara-se de nós. Só de vez em quando, de longe em longe, vinha nos visitar. Eu sabia que sua vida sentimental era bem diferente de todo mundo, pois ele vivia com outro homem, mais velho, sisudo e muito mal humorado. Mas, se ele gostava dele, o que fazer?
          Os anos passaram, meus filhos (todos homens) foram se afastando de nós, em razão dos filhos, nossos netos já adultos; e cada um tendo seus problemas.
           Minha esposa, de vez em quando, falava deles com muitas saudades. Eu também sentia saudades, mas não falava.
           Eu comecei a ficar quieto num canto do quarto, às vezes, da varanda ficávamos tristes de saudades, até que não tínhamos mais a energia de antes e foi necessário contratarmos os serviços de um ajudante, que veio com sua família. Eles tomaram conta de nós e do lugar. Já não nos sentíamos donos.
           Meus filhos vieram nos ver, e nós expusemos a situação. Não queríamos ninguém cuidando de nós. Queríamos nossos filhos. Nenhum deles podia deixar a vida que levavam para nos olhar. Minha esposa ficou diabética, tinha que ter cuidados especiais.
           Um médico da família vinha sempre nos visitar. Um dia, ouvimos um resto de conversa dele com um dos nossos filhos... Não tem solução, a solução é uma clínica, e nós conhecemos uma muito boa...
           Fomos para a tal clínica, mas ah! Minha esposa só viveu três dias depois de ir para lá. E eu? Eu fiquei jogado, sozinho, solitário.
           Daí a pouco eu também morri.
       Na minha missa de sétimo dia, estava presente, e fiquei sabendo que aquele lugar lindo, maravilhoso, tão bem cuidado, não pertencia a meus filhos, mas ao homem maduro, companheiro de meu filho caçula.
        Oh! Desespero! Sai daquela missa aos prantos, revoltado querendo reaver aquilo que foi meu, mas que ao morrer deixara na Terra.
         De que vale o homem se esmerar, se esforçar para ter alguma coisa para deixar para seus filhos e netos, se vem um estranho e nos rouba o que é nosso?
          Estou em desespero. Não sei o que fazer. Minha esposa se afastou de mim, pois eu não a vi mais. Será que nunca mais vou estar com ela?
Fiquei sabendo que ela está em tratamento. Eu acho que eu também preciso de um tratamento, pois me acho enlouquecido.
        Ajudem-me, pois não sei o que fazer.
               
             Venâncio.    
                                                      
 Psicografia recebida em 2018.                                     
 Médium: Catarina.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018




PAI  IRRESPONSÁVEL  PEDE SOCORRO 

 Senhor, não sei se sou digno de estar aqui para mais um pedido. Eu sei bem o que fiz e o que causei a muitos, principalmente à minha família. Mas necessito muito do seu perdão Senhor, meu Deus, meu Pai que tudo sabe e que tudo vê!
Pequei contra a vida, não só contra a minha, mas de muitos companheiros. Enganei, fui cruel e não tive dificuldade em fazer, na verdade, sentia certo prazer. Eu gostava de ser o chefe, mandar, humilhar e fazer crueldades com aqueles fracos e medrosos que viviam pedindo clemência e piedade.
Hoje estou aqui me sentindo um fraco e pedindo a Sua misericórdia.
Fui um chefe do tráfico em uma favela, digo, comunidade. Trafiquei, mandei matar, viciei vários garotos, crianças e até idosos, todos que eu via como possíveis consumidores e, com a simpatia de um lobo, pegava as minhas vitimas.   
Fiz fortuna e criei uma grande facção, construí um lar, e tive filhos que foram também minhas vitimas. Infelizmente, não existia em mim sentimento paterno, tudo que eu via era dinheiro, glória e poder. Fiz com que meus filhos assumissem bocas de fumo e fui influenciando todos os três até conseguir infiltrá-los no crime e no tráfico.
Os negócios cresciam de uma forma terrível, comecei a expandir para o tráfico de armas pesadas, munições, carros e motos. E logo já estávamos infiltrados no mercado de roubo de carros, caminhões com cargas valiosas, enfim, tudo ficando muito perigoso.
Um dia, no auge do meu delírio de chefe e me sentindo poderoso, fui até uma instalação governada por meu filho, José Henrique, e, como é meu costume chefiar e mandar, percebi algo estranho no olhar de meu filho que eu considero o mais esperto e cruel. Não tinha perdão era temido por todos em sua área e vi que ali, naquele olhar, existia perigo e comecei a ficar preocupado. Vivia me questionando: “será que o meu próprio filho vai me trair? Eu acho que ele quer o meu lugar! Não pode ser, eu ensinei a ele tudo, dei poder, dinheiro, não pode ser!”
Enfim o que eu temia aconteceu, fui traído pelo meu filho e fuzilado diante de todos, de todos aqueles que eu julgara meus “comparsas e fieis”.
Com o passar do tempo aqui na espiritualidade, fui responsabilizado por tudo que fiz e, com misericórdia de Deus, fui resgatado e hoje, evangelizado e ciente de todo o mal que causei, quero pedir ao Pai que me deixe ser o anjo e resgatar o meu filho José no umbral e trazê-lo para a luz, pois me sinto responsável por ele estar naquele lamaçal onde há ranger de dentes, lamentos e escuridão.
Por favor, Senhor, me dê essa graça de poder resgatar o filho que eu não soube amar.
Deixo, aqui, o meu pedido. Que o Senhor tenha piedade de José Henrique e misericórdia de mim, um pai irresponsável.    

Cristiano Leandro.

            Psicografia recebida em 2018.
             Médium: M. Nicodemos.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018






MORRER É MUITO CHATO

Sinto uma tristeza em meu peito, um aperto, uma angústia que não me deixa sossegado por um minuto, vejo constantemente a cena horrível da minha partida, nessas horas não consigo me ligar a Deus, o que sinto é só revolta e ódio que me fuzilam os sentidos.
O que foi feito de mim? Acho que virei um bicho, um selvagem, não sei, não consigo me libertar dessa dor que tomou conta de mim... Não sei se um dia eu conseguirei me recuperar e voltar a ser a pessoa feliz que fui um dia.
Entendi que a vida não termina no túmulo e confesso que não gostei da descoberta, que negócio mais chato esse de estar morto, mas vivo, não gosto disso, era feliz vivo com meu corpo, como posso ser feliz se do jeito que estou não sou visto e nem entendido pelos  que deixei no caminho?
Gostava de viver, mas se era pra morrer, então porque não morri de vez? Já que acabaram com o meu corpo que era o meu meio de ser feliz e de me locomover, de viver enfim, não acaba logo com o espírito, de que serve um espírito sem corpo? Não gosto dessa história, pra mim vivo é quem tem corpo, entende?  Quem é de carne e osso, esse negócio de viver em espírito não é comigo. Ou me deixavam viver ou me matavam de vez, da maneira como está não gosto, não quero me recuso a ser assim, esse morto que vive.
Aqui pessoas como eu “mortos” tem tentado a todo custo me fazer entender, mas não consigo, nem sei se não consigo ou se não quero, mas, é isso, não gosto daqui,não gosto de ser esse fantasma que a morte me transformou.
Falam que um dia eu vou conseguir aceitar porque essa não é e nem vai ser a primeira vez que vivo essa situação, me disseram que já vivi e morri muitas vezes. Será mesmo possível isso? Ainda não sei, preciso de provas. Disseram que eu me recordarei oportunamente de muitas das minhas existências, mas não acredito muito nisso, sou extremamente ignorante nesses assuntos.  Nunca fui muito de rezar, até rezava quando criança repetindo as palavras da minha vó, assim meio que igual a papagaio, depois ela morreu e nunca mais rezei, assim como também nunca mais tive noticias dela até a presente data.
Vamos ver o que vem pela frente, mas não gosto de sentir essa angústia, isso não é da minha personalidade, sempre fui muito alegre.
Que alguém me faça o favor de explicar porque do jeito que vai tá difícil. Cansei, cansei de tentar entender e também cansei de ditar pra essa pessoa escrever, parece que ela fica ao mesmo tempo em que escreve querendo interferir, não estou gostando disso também, é como se eu falasse uma coisa e ela escrevesse a mesma coisa, mas não como eu falei. Muito complicado tudo isso.
Se morrer for assim mesmo, morrer é muito chato, onde está o descanso, ou o “eu não existo mais” porque  até agora continuo sentindo sem sentir e existindo sem existir. E o melhor, onde está Jesus que até agora não me foi apresentado? Ah, coisa mais sem noção.

Paro por aqui, e não vou dizer quem eu sou, pois sou e não sou, acho que era, não sou mais porque sem corpo não se vive!!   


             Psicografia recebida em 2018.                                      

             Médium:Débora S C

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018





DEUS  ME  LIVRE  DESTE  INFERNO

O que é dia ou que é noite eu não sei a muito tempo, não sei que é a luz do sol a tanto tempo que  nem mais sei mensurar esse tempo.
Sai do corpo forte e poderoso que tinha e de um segundo para o outro fui arrebatado para esse lugar, fui aprisionado pelos homens que antes julgava serem mais fracos que eu, por mulheres que subjuguei e por todos aqueles que maltratei.
Neste lugar que hoje habito, só dores encontrei, quanta podridão existe aqui e que frio eu sinto neste lugar.
Não podia imaginar que a vida continuava, se bem que isso que ora vivo nunca se pode chamar de vida.
Vivo no inferno e olha que eu gostava de dizer que meu lugar era no inferno e eu iria assombrar o diabo. Vejo hoje que eu fiz o inferno que vivo nele, que se eu soubesse da metade do que iria encontrar deste lado, eu não faria nada do modo que fiz.    
Eu que acreditava em minha força e nos meus dotes físicos e nas minhas habilidades para lutar e subjugar, tolo que fui, hoje não sou nada e vivo subjugado.
Imploro neste momento à Deus, se Ele existe e se mereço sua ajuda, me livre deste inferno, me aplaque a sede, a dor e o frio que sinto aqui.   

Jacinto.  

            Psicografia recebida em 2018.                                     

            Médium: Luciano C.

sábado, 30 de dezembro de 2017





A BEBIDA E AS DROGAS ACABARAM COMIGO

         Tu queres que eu te diga se estou bem. Mas como deveria estar se fui parar em um lugar tão estranho para mim. Sofri dores e confusões, tantas que quase enlouqueci. Perguntava a todos o que me estava acontecendo, mas ninguém me respondia. Parecia que não me viam, ou me ignoravam de propósito.
         Vaguei por lugares ermos, sem rumo e sem horizonte. A bebida me consumiu. Meu fígado doía, as náuseas eram constantes, tinha sede, mas nada vinha para me ajudar... Ninguém para me consolar.
          A bebida e as drogas acabaram comigo, eu sabia disso, mas mesmo assim continuei a consumi-las. Todos meus familiares se afastaram de mim, e acho eu, que me consideravam um pária da sociedade. Tinham vergonha de mim, mas eu não me importava.
          Fui parar em um hospital de terceira categoria, que tinha doentes de todos os matizes, todos drogados. Uns dementes outros não. E eu estava lá. Fiz tratamentos vários, mas nenhum tratamento surtia resultado, a falta da droga me acabava, tinha tremores, delirium tremens, e era um horror. 
          Uma manhã após uma noite avassaladora, de terror eu me senti diferente, estava leve, mas diferente. Não sentia meu corpo tremer mais e minha respiração estava branda, e foi se esvaindo aos poucos até eu não senti-la mais.
           Vi pessoas a meu lado tentando me reanimar, mas não adiantou. Eu estava morto. Que coisa atroz, se eu morrera eu não sabia porque eu via tudo e estava com ânsias de vomito e vontade de consumir a droga, mas estava morto, eu sabia.
           Como aconteceu eu não sei, só sei que penei, mas um dia veio até mim um rapaz, jovem ainda, que me amparou e me levou ao hospital de drogados no além.
           O nome desse rapaz é Walter, Walter Perroni, responsável por uma ala deste hospital que junto de médicos e enfermeiros auxilia os ex-drogados. Fui para lá, e foi lá, graça a Deus que consegui me livrar daquele suplício. Hoje eu digo que estou bem. As vezes ainda tenho vontade de fumar, mas Walter vem com aquele sorriso maroto, conta casos variados, fala de Deus, de Jesus  e nos anima novamente.
            Nós não nos sentimos sós e nem ociosos, pois à proporção que vamos melhorando, vamos trabalhar, a cada qual no que gosta de fazer: na horta, na jardinagem, na marcenaria, na confecção de curativos para o uso dos doentes.
            Já tenho lá amigos variados, até aqueles que não gostam de fazer nada são meus amigos e eu converso com eles, procurando ajudar um pouco.
            Agora sim te digo que eu estou bem, me preparando para ir para um lugar de estudos e recuperação da mente, pois até agora só tratei da parte da incontinência alcoólica e da droga. Sei que vou melhorar mais ainda e num futuro próximo vou também ajudar aqueles que se drogam e que ainda estão na Terra, para que parem de se drogar.
            Agradeço a todos, especialmente a esse grupo que me recolheu.

            Nelson. Um ex-drogado presente a essa reunião. 
           
                                                      
 Psicografia recebida em 2017.                                     

 Médium: Catarina.

sábado, 23 de dezembro de 2017



LEMBRANÇAS  DO NATAL

Mesa farta, criança correndo em volta da casa, quintal iluminado, cheiro de comida especial, música, conversas paralelas, contos e piadas e risadas gostosas de ouvir. Família reunida!
Eu vivi momentos assim quando encarnado, minha família se reunia sempre com muita alegria e presentes tinham poucos, mas as comidas eram coisas deliciosas feitas com muito capricho. Relembrando agora consigo sentir o cheiro, e acho que sou capaz de até lembrar do gosto da comida.
São lembranças boas e é tão bom saber que vivi tantos natais com a minha família. Quando chegava a hora de fazermos uma oração e agradecermos ao aniversariante as bênçãos do alimento, da saúde e principalmente da vida, formavamos um só coral de muito obrigado e era possível sentir a fé, a gratidão, renovar as esperanças e colocar nos braços de Jesus nossos pedidos de um novo ano de paz e realizações.
Sempre era o meu pai que fazia a prece e ele sempre se emocionava e minha mãe terminava como uma linda e abnegada anfitriã. Lembranças agradáveis e o silêncio, que nós os adolescente e crianças, éramos abrigados a fazer, era o momento mais difícil, sempre um fazia uma piada para levar um chamado. Como todas essas lembranças são lindas e agradáveis. Eu estou muito agradecido a Deus e a Seu filho por me ter permitido tais lembranças.
Sou um jovem rapaz que desencarnou devido uma grave doença, muito jovem mesmo, aos 18 anos de idade. Não aceitei fácil, pois gostava de viver, era feliz e sonhador. Meus pais me amavam e era um amor encantador e leal, sempre fui muito bem educado e tinha já os meus valores morais e religiosos. Não era espírita, cheguei na espiritualidade completamente leigo e precisei de muita ajuda e fui muito ajudado. Eu tive meus momentos de pouca fé e rebeldia, mas como já trazia conhecimento evangélico, foi mais tranqüilo minha recuperação.
Sinto muita falta dos meus familiares e principalmente de meus pais, e nesta época sei que é muito difícil para eles, sinto suas vibrações de dor e ouço suas preces com choro de saudades. Gostaria tanto de poder vê-los e abraça-los, deixar o meu cheiro no ombro de cada um.
Natal é uma festa familiar, se possível tragam suas famílias para perto de vocês, e em uma só voz façam uma oração simples com a que Jesus nos ensinou e agradeça a vida, saúde e fortaleça a fé. Que venha um ano de paz, de amor e solidariedade onde um vai olhar para o outro e reconhecer um irmão.
Deixo aqui um pouquinho da importância do Natal, pois foi esta lembrança que me fez renovar e acreditar que é possível viver na espiritualidade acreditando num próximo encontro com os meus, que tanto amo e sou amado.
Um feliz Natal a todos e um próspero ano novo.
Muita Paz!    
Um jovem amigo!
Luciano Campos.        

 Psicografia recebida em 20 dezembro  de 2017.
             Médium: M. Nicodemos.

domingo, 17 de dezembro de 2017



NUM ASSALTO MORRI
 Meu Mestre amado, por que desencarnei tão cedo? Não queria deixar de viver, não aceito a minha morte, quero voltar e continuar vivendo com os meus. Senhor, por quê? 
Eu não consigo aceitar a morte, sou um jovem rapaz, bonito, saudável, inteligente e de bom coração. Com que direito vem um homem cruel e me tira a vida, sem nem ao menos me conhecer? Não posso crer no meu desencarne, não posso aceitar, Senhor.
Choro, choro muito e vou continuar chorando, pois não encontro razão de estar aqui e não aí entre os vivos. Minha mãe querida, eu quero voltar, não me deixe aqui, por favor, peço ajuda à senhora, em suas preces peça a Deus que eu volte, pois quero viver Senhor.
 Mãe, mãe, socorro, me ajude! Não quero viver aqui, estou desesperado, quero voltar e continuar a lutar pelos meus sonhos e desejos. Quero amar e ser amado, quero ter filhos, quero ter uma família e simplesmente estou morto por um homem cruel que não deixou e não quis que eu vivesse.
Mãe, pai e irmão, me ajudem por favor! Quero minha vida novamente, não aceito estar aqui. Por favor, venham me buscar, quero minha vida de volta.
Senhor, meu Deus, onde estava que não me salvou? O que queria de mim se era um exemplo de jovem em educação e coração? Qual é a Sua perfeição para que eu tivesse o direito de viver mais alguns anos? Onde errei? O que eu fiz para que esse homem cruel me tirasse a vida, mesmo não convivendo comigo? Por quê?
Não quero ajuda, eu quero a minha vida, quero a minha família, o meu direito de viver, de sonhar e de caminhar entre os meus. Não quero luz, quero viver! Não quero paz, quero viver! Não quero colo, quero viver! Não quero...! Eu quero minha vida que foi interrompida por um homem cruel.
Quero saber! Onde está esse homem cruel, onde? Ele está vivo e por que ele vive? Com que direito ele vive? Deus por que ele vive? Será que ele é melhor que eu e por isso vive? Eu quero minha vida novamente. Deus, por favor, me devolva o direito de viver, eu quero viver.
João Carlos foi acolhido no decorrer de sua psicografia por espíritos de luz. Devido ao seu estado depressivo está se recuperando em sono profundo. Um irmão que busca respostas, mas ainda não tem sabedoria e compreensão para saber o porquê de sua morte tão prematura e violenta ocasionada por um assalto.    

Um irmão Trabalhador da Seara Jesus.


            Psicografia recebida em  2017.

             Médium: M. Nicodemos

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017



NO VELÓRIO

 Amigos, quando formos chamados a comparecer num velório, pensemos nisso:
 - Guardar serenidade e pensamentos bons;
 - Prece em favor do desencarnado e familiares;
 - Silêncio e educação.
Como temos visto a presença de irmãos encarnados quando participam de um velório e o comportamento, muitas vezes, deplorável desses irmãos nos levam a crer que ainda somos muitos insensíveis às dores alheias.
Devemos guardar serenidade porque ali não está só um corpo sem vida, na grande maioria das vezes o irmão desencarnado ainda se encontra ali, próximo ao corpo inerte. Às vezes, nem mesmo os familiares do desencarnado conseguem manter serenidade, para a família a dor faz, muitas vezes, com que percamos a razão.
 Ao participar de um velório, é importante que saibamos nos comportar de maneira correta, pois ali, naquele local, se encontram espíritos trabalhadores que precisam de silêncio e tranquilidade para realizar os propósitos de fazer com que aquele irmão ali “exposto” se desligue da matéria. A espiritualidade trabalha intensamente nessas horas, por isso é desagradável ver a conduta de companheiros de ideal encarnados.
Vamos, nessas ocasiões, dar o exemplo, vamos nos manter em silêncio, em prece, evitar a conversa em torno dos assuntos referentes ao companheiro ali desencarnado e manter as vibrações de paz e de amor em favor do companheiro que está passando por uma fase difícil.
Auxiliemos a espiritualidade no trabalho prestado em favor desse companheiro, respeitemos a dor dos familiares que ali estão sofrendo a perda de um ente amado. Deixemos o falatório para depois, se for imprescindível dar algumas palavras com alguém que se tenha encontrado ali naquele local, vamos sair da sala de velório para poder ter essa conversa; a sala onde o corpo está sendo velado é um local sagrado para a espiritualidade, seja o desencarnado quem for.
Vamos ser breves e dar um abraço amigo nos familiares e não dizer meus pêsames. Vamos fazer diferente: pedir a Jesus que dê forças para o momento difícil pelo qual estão passando sem, entretanto, ficar tentando saciar a nossa curiosidade em relação ao que está ocorrendo.
A pessoa mostra que tem educação em várias circunstancias, mas, em especial, essa é a maneira de mostrarmos que temos educação.
Silêncio. O silêncio é uma prece. Vestir-se conveniente para a ocasião, uma pessoa de boa educação jamais se apresentará nessas circunstâncias com roupas impróprias; devemos nos vestir de maneira a não ferir os olhares da família. Não digo que devemos nos vestir de preto e chorar sem estar com vontade, mas devemos nos vestir com uma roupa que imponha respeito.
Tenho participado como assistente em várias situações como essas e fico triste em ver como ainda damos pouco valor ao trabalho da equipe espiritual ali presente. Vamos, como irmãos de ideal, dar o exemplo quando chamados a um velório.
Desculpem-me se não consegui transmitir minhas idéias com clareza. Como vocês, ainda sou um aprendiz.

Um espírito estagiário nesse assunto.
 
             Psicografia recebida em 2017.                                      

             Médium: Débora S C.

sábado, 2 de dezembro de 2017


VIDA APÓS A MORTE

As dúvidas e interrogações que eu tinha sobre a morte eram muitas. Não sabia ao certo como seria, mas tinha medo do que podia ocorrer.
Sabia que mais cedo ou mais tarde isso aconteceria, pois eu já era um senhor idoso.
Vivia os dias conforme eles vinham. Um dia bem, outro dia mais ou menos, e alguns dias, não poucos, sentia dores. Dores finas no peito que eram suportáveis, pois logo passavam.
Não gostava de ir a médicos, mas as dores começaram a ser mais repetitivas e eu tive que procurar um médico. Fiz vários exames. Só faltaram me virar do avesso. Pressão meio alterada, coração descompassado e, às vezes, uma tosse inesperada e rouca. Resultado: meu coração não ia bem. O profissional chamou meus filhos e aconselhou uma internação para outros exames mais apurados.
Estava internado ainda quando sofri um enfarto do miocárdio. Não sei como foi, mas o certo é que morri.
Eu que não queria muito saber de morte, não sabia como era e fiquei ainda sem saber. Só sei que tive uma dor angustiante e, depois, tudo apagou. O nada... Tudo era silêncio. Senti uma angústia tremenda, mas eu respirava ofegante, as dores continuavam e eu não sabia onde estava. Muito frio, suava frio, com as dores. Mas eu tinha que tentar dormir ali mesmo.
Mesmo em tal estado, eu sabia que não estava só, pois parecia haver alguém comigo, me amparando, embora eu não visse ninguém.
Naquele local em que me encontrava, deitei e dormi. Quanto tempo se passou eu não sei. Descansei e, quando acordei, já estava em uma maca sendo levado por dois maqueiros risonhos que me cumprimentaram perguntando como eu estava. Eu estou bem melhor, respondi. Mas onde estou? Não me responderam e me levaram a um quarto de hospital que era muito semelhante ao que eu estava quando vivo.
Vi alhures uma pessoa que, parada, me olhava com o olhar muito carinhoso. Era minha avó. Eu fui criado por ela e ela já havia morrido há muito tempo.
Os rapazes que me transportavam e me acomodaram no leito a chamaram e ela se aproximou falando-me como falava quando eu era menino:
– Agora sou eu quem vai cuidar de você, mas quando você crescer vai cuidar de mim (foi isso mesmo que aconteceu, eu cuidei dela em sua doença).
– Mas vó, como eu vou cuidar da senhora quando crescer se eu morri e não cresço mais? Estou morto e velho. – perguntei a ela. E ela me deu a seguinte resposta:
– Depois você verá meu filho, aqui as coisas são assim: os velhos ficam novos e os novos ficam velhos. Basta voltar para Terra como criança, envelhecer e mudar de papel com aqueles que foram seus pais e avós. Vamos aguardar. O tempo daqui não é igual ao da Terra que temos que esperar tanto. Nós é que evoluímos e damos novas oportunidades ao nosso espírito. Agora repouse, pois eu vou cuidar de você, para que você volte a reencarnar para ser meu pai.
Dormi e hoje já me acho bem acompanhado, não só por minha avó, mas por espíritos abnegados que me ajudam e me ensinam. Foram eles também que me convidaram a dar este depoimento. Disseram-me que havia um grupo em estudo e que eu podia escrever através de um médium.
Eu agradeço-vos por isso e vou me despedir dizendo: Continuem a esclarecer as pessoas sobre a vida após a morte, porque muito ajudarão com seus escritos.

            Pedro.  
                                                                       
         Psicografia recebida em 2017.                                     

         Médium: Catarina.