VIDA APÓS A MORTE
As dúvidas e interrogações que eu tinha
sobre a morte eram muitas. Não sabia ao certo como seria, mas tinha medo do que
podia ocorrer.
Sabia que mais cedo ou mais tarde isso
aconteceria, pois eu já era um senhor idoso.
Vivia os dias conforme eles vinham. Um dia
bem, outro dia mais ou menos, e alguns dias, não poucos, sentia dores. Dores
finas no peito que eram suportáveis, pois logo passavam.
Não gostava de ir a médicos, mas as dores
começaram a ser mais repetitivas e eu tive que procurar um médico. Fiz vários
exames. Só faltaram me virar do avesso. Pressão meio alterada, coração
descompassado e, às vezes, uma tosse inesperada e rouca. Resultado: meu coração
não ia bem. O profissional chamou meus filhos e aconselhou uma internação para
outros exames mais apurados.
Estava internado ainda quando sofri um
enfarto do miocárdio. Não sei como foi, mas o certo é que morri.
Eu que não queria muito saber de morte, não
sabia como era e fiquei ainda sem saber. Só sei que tive uma dor angustiante e,
depois, tudo apagou. O nada... Tudo era silêncio. Senti uma angústia tremenda,
mas eu respirava ofegante, as dores continuavam e eu não sabia onde estava.
Muito frio, suava frio, com as dores. Mas eu tinha que tentar dormir ali mesmo.
Mesmo em tal estado, eu sabia que não
estava só, pois parecia haver alguém comigo, me amparando, embora eu não visse
ninguém.
Naquele local em que me encontrava, deitei
e dormi. Quanto tempo se passou eu não sei. Descansei e, quando acordei, já
estava em uma maca sendo levado por dois maqueiros risonhos que me
cumprimentaram perguntando como eu estava. Eu estou bem melhor, respondi. Mas
onde estou? Não me responderam e me levaram a um quarto de hospital que era
muito semelhante ao que eu estava quando vivo.
Vi alhures uma pessoa que, parada, me
olhava com o olhar muito carinhoso. Era minha avó. Eu fui criado por ela e ela
já havia morrido há muito tempo.
Os rapazes que me transportavam e me
acomodaram no leito a chamaram e ela se aproximou falando-me como falava quando
eu era menino:
– Agora sou eu quem vai cuidar de você, mas
quando você crescer vai cuidar de mim (foi isso mesmo que aconteceu, eu cuidei
dela em sua doença).
– Mas vó, como eu vou cuidar da senhora
quando crescer se eu morri e não cresço mais? Estou morto e velho. – perguntei
a ela. E ela me deu a seguinte resposta:
– Depois você verá meu filho, aqui as
coisas são assim: os velhos ficam novos e os novos ficam velhos. Basta voltar
para Terra como criança, envelhecer e mudar de papel com aqueles que foram seus
pais e avós. Vamos aguardar. O tempo daqui não é igual ao da Terra que temos
que esperar tanto. Nós é que evoluímos e damos novas oportunidades ao nosso
espírito. Agora repouse, pois eu vou cuidar de você, para que você volte a
reencarnar para ser meu pai.
Dormi e hoje já me acho bem acompanhado,
não só por minha avó, mas por espíritos abnegados que me ajudam e me ensinam.
Foram eles também que me convidaram a dar este depoimento. Disseram-me que
havia um grupo em estudo e que eu podia escrever através de um médium.
Eu agradeço-vos por isso e vou me despedir
dizendo: Continuem a esclarecer as pessoas sobre a vida após a morte, porque muito
ajudarão com seus escritos.
Pedro.
Psicografia recebida em 2017.
Médium: Catarina.








