Acordei
e olhei pela janela do quarto onde estava a cama que me servia de leito. O sol
brilhava intensamente lá fora. Que lugar seria aquele? Olhei ao redor e não vi
ninguém que pudesse me responder, tentei levantar e dores fortes me detiveram.
Imediatamente levei a mão na minha barriga, e o meu bebê?
Devagar os fatos foram passando na minha cabeça. Sim,
me lembrei: aquele carro que invadiu a calçada e me atropelou, senti meus ossos
se quebrando, a dor era muito forte. Ainda assim consegui ver muitas pessoas me
circulando e tentando me auxiliar, nessa hora me lembrei do meu bebê, era um
menino que iria nascer nos próximos dias, o desespero tomou conta de mim, ainda
vi chegar a ambulância, vi ser colocada numa maca, daí pra frente não me
lembrava de mais nada do que tinha acontecido.
Agora estava ali naquele hospital, desesperada
pensando no que pudesse ter acontecido com o meu bebê, gritei desesperadamente.
Uma senhora se aproximou de mim e me disse para que me acalmasse, que quando
fui levada ao hospital os médicos
realizaram uma cesariana e
retiraram o meu menino e que ele estava bem, estava junto com o meu marido. Um
enorme alivio se apossou de mim. Era certo que me sentia enfraquecida e doente,
mas saber que o bebê conseguira sobreviver ao atropelamento e estar com o pai
me deixou muito tranquila.
Perguntei àquela carinhosa senhora há quantos dias eu
estava ali naquela situação, ela me disse que já haviam se passado três meses.
Não consegui entender, parecia que tudo ocorrera a poucas horas. Exigi que
entrasse em contato com o meu marido para que soubesse que eu havia despertado
e trazer meu filhinho.
Lembrei-me do quartinho carinhosamente preparado por
nós para recebê-lo, nesse instante me senti atraída para o meu antigo lar, sem
nada entender vi meu marido na sala conversando com meu pai, enquanto minha mãe
trazia no colo meu filho; corri em direção a eles e sorrindo falei com minha
mãe:
– Mãe, estou
boa, me entregue meu menino, quero tê-lo em meus braços, como ele é lindo! No
entanto minha mãe não percebeu a minha presença, corri para sala, observei que
meu pai conversava com meu marido a meu respeito.
Como assim? Que conversa estranha era aquela? Falavam
de mim como se eu tivesse morrido. Gritei bem alto que eu estava ali, ao lado
deles, eles continuaram a conversa, assentei-me ao lado do meu marido e tentei
segurar em sua mão. O que estava acontecendo, eu não conseguia tocar-lhe,
continuei ouvindo a conversa e vi quando meu pai chorando dizia não se
conformar com a minha morte. Morte? Eu estava ali ao lado dele, mais
desesperada ainda gritei, gritei muito até não ter mais forças. O desespero
tomou conta de mim e eu saí correndo pela rua. E agora estava eu ali naquele
mesmo lugar com aquela senhora do meu lado. Fui medicada e voltei a dormir e
assim fiquei não sei por quanto tempo, dormindo e acordando.
Enfim chegou o dia do meu completo despertar e, como
na primeira vez, ali estava aquela senhora a me abraçar e me auxiliar. Foi
devagar e com muito amor me esclarecendo tudo o que havia acontecido desde o
dia do atropelamento. Imediatamente entendi tudo. Chorei, chorei mito, como
isso foi acontecer comigo, esperei aquele bebê com tanto amor, amava tanto meu
marido e viveria sem aquela vida planejada por nós. Digo aquela vida porque me
sentia como se tivesse sido roubada da minha vida já que eu me via
completamente viva em outro lugar.
Meus amigos, a dor é enorme, a saudade sem tamanho,
sofri por muito tempo até conseguir entender que tudo o que nós acontece é por
determinação de Deus.
Hoje passados alguns anos desse
fato que lhes conto agora me sinto feliz e conformada, feliz por aceitar tudo o
aconteceu depois. Meu marido casou-se outra vez e tenho na minha antiga casa
uma verdadeira irmã do coração a cuidar do meu filho como se fosse
verdadeiramente sua mãe. Não vejo nela uma rival que veio ocupar meu lugar.
Vejo nela uma santa que, com muito amor, cuida do meu filho, que hoje já é um
rapazinho e que a ama como uma verdadeira mãe.
Obrigada minha querida, lhe serei
eternamente grata. Sinto a alegria do meu menino cuidando dos dois irmãozinhos
que você o deu. Obrigada minha irmã.
Obrigada Deus.
Cristina
Psicografia recebida em Reunião Mediúnica 2014
Médium: Débora S C