domingo, 1 de fevereiro de 2015

ENFERMIDADE  DO  ÓDIO

Aqui estou convalescente, pedinte e esperançoso. Estou enfermo. Uma tal enfermidade que trago no peito ofegante há varias encarnações. Doente das emoções em desalinho, em razão dos germes de ódio que agasalhei em meu coração. 
Tudo me agastava, seja o menor dos aborrecimentos ou a mais trágica calamidade. Palavras embebidas em ódio logo se avizinhavam de minha língua ferina e ágil. Conquistava platéias, inflamava companheiros invigilantes e igualmente carentes da educação de suas emoções. Frases amargurosas não encontravam obstáculo que as contivesse. Amigo ou inimigo, parente ou não, afeto ou desafeto, pouco interessava-me quem a atingia veloz e implacável no discurso destrutivo.
Não me cansava em ver a maldade e a hipocrisia ao alcance de meus olhos imersos na trave da ignorância. Achava-me o mais lúcido de todos. Atento soldado, implacável combatente. Sempre alerta aos interesses escusos e egoístas que, segundo minha concepção, encontrava-se nos bastidores de todos os atos humanos. Escarnecia e ridicularizava quando impotente assistia a ascensão de desafetos sociais. A língua ligeira e voraz não poupava oponentes e eu os via em todos os lados.
 A doença da alma, acalentada e devidamente semeada ao longo de anos extravasou seus efeitos no perispírito danificado. Lembro-me de envergar, em vida passada, o produto de meus esforços na disseminação da leviandade e do ódio. Nasci em berço empobrecido de bens materiais, embora abundante em solicitude e ternura materna. Obra de meu próprio passado faltava-me órgãos digestivos viáveis à vida adulta. Tão necessários à depuração de sedimentos alimentares e substâncias tóxicas, estes imaculados e perfeitos aparatos criados pelo Amor Divino, encontravam-se inservíveis, desgastados pelo corrosivo vergastar de sentimentos daninhos por longo tempo destilados.
Logo desencarnei, não, sem antes conhecer o amor e a dedicação de minha jovem mãe. Sentimentos estes que aqueceram o gérmen abrigado em meu peito tal como a semente do nobre trigo em meio à semeadura do joio de meus atos. Ao despertar, deste outro lado, outra vez, vi-me asserenado pelo amor com que fora acolhido no ninho materno. Para o enfermo, ardente em febre, recebera o santo medicamento.
Hoje, sigo acalentado por esses sentimentos doces e calmos, mas com enorme esforço ainda tento reeducar-me para que a enfermidade do ódio não atinja meu corpo e minha alma.
Entre amar e odiar creio ter aprendido qual a escolha correta que me levará à paz e à felicidade. Peço a Deus força e disciplina para reafirmar, todos os dias, a escolha do Amor.        
  
                        Augustus.   
                                                       
                                                         
Psicografia recebida em Reunião de Psicografia em  2014.                                     
           Médium:  Ana Paula.

domingo, 25 de janeiro de 2015

GANÂNCIA

                  Boa noite, meus irmãos em Cristo. Vocês devem se perguntar. Quem é você? Quem foi você? Aos olhos do mundo, um homem comum, bom pai, bom filho, esposo e próspero financeiramente e foi, meus amigos, essa “prosperidade” que me levou à falência como ser humano. De onde vinha tanto dinheiro? Tantas posses?
                  Quem olhava achava que vinha tudo do meu trabalho, mas não, meus irmãos; eu escondia atrás do “trabalho supostamente honesto” coisas horríveis, como abusei do meu poder para levar vantagens sobre tantas coisas, atrás daquele homem poderoso, correto se escondia um espírito perverso, que em tudo o que fazia procurava tirar vantagens de pessoas e coisas.
                  Acumulei enorme fortuna. Mas a que preço? Quantas dores, quantas lágrimas, quanto sofrimento me fez construir essa fortuna, passei por cima de tanta gente sem o menor escrúpulo para conseguir o que eu queria. Como não sabia entender ou não queria, quando uma esposa sofrida vinha me pedir para ser mais paciente com certa divida, eu, ao invés disso, cobrava tudo com rigor e me apossava de bens empenhados na hora de desespero, passei muita gente para trás, inclusive meus irmãos, de cuja herança lancei mão sem o menor pudor. Para mim aquilo era normal, os bens foram deixados pelo meu pai, porque dividir com meus irmãos, tripudiei em cima de todos.
                   Meus irmãos, que vergonha sinto de mim, que vergonha cada vez que me lembro das falcatruas que fiz para acumular toda a minha fortuna.
                   Quando desencarnei, só me preocupava com o dinheiro, achava que mesmo depois de morto o dinheiro continuava sendo meu e foi assim com tremendo desespero que vi meus filhos se matando por causa do maldito dinheiro acumulado durante toda a minha vida. Vi meus filhos ficarem inimigos, minha esposa sofrer horrivelmente com toda aquela situação, o tempo foi passando e vi que as únicas coisas que acumulei na minha vida foram dores e sofrimentos que eu semeei no caminho de quantos passavam por mim.
                   Que vergonha! Sinto eu hoje! De que valeu o dinheiro? Pra hoje eu ser um espírito que não conseguiu se aceitar e se perdoar, quantos ainda vibram negativamente pra mim, como sou atingido por esses dardos mentais enviados de tantos espíritos que fiz sofrer.
                   Meus irmãos não deixem que o dinheiro possa ser a parte mais importante da existência de vocês. Como eu queria que ao invés de dardos mentais tão negativos enviados ao meu espírito pudessem ser orações de agradecimento pelo que eu devia ter feito. Como fui ambicioso, como fui detestado, nem pelos meus familiares mais íntimos sou lembrado com saudades ou com sentimentos de amor e oração.
                   Me perdoe meu Deus, sei que terei nova oportunidade, se possível peço a sua misericórdia para que na minha próxima existência eu venha desprovido de todo bem material, que eu tenha força para passar  a vida com parcos recursos, que eu consiga viver mesmo com a falta do mais básico.
                   Jesus me perdoe, me ampare.
                   Luiz Carlos.
                             

   Psicografia recebida em Reunião Mediúnica 2014.                                    
               Médium: Débora S C

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

E O MEU BEBÊ?

 Acordei e olhei pela janela do quarto onde estava a cama que me servia de leito. O sol brilhava intensamente lá fora. Que lugar seria aquele? Olhei ao redor e não vi ninguém que pudesse me responder, tentei levantar e dores fortes me detiveram. Imediatamente levei a mão na minha barriga, e o meu bebê?
Devagar os fatos foram passando na minha cabeça. Sim, me lembrei: aquele carro que invadiu a calçada e me atropelou, senti meus ossos se quebrando, a dor era muito forte. Ainda assim consegui ver muitas pessoas me circulando e tentando me auxiliar, nessa hora me lembrei do meu bebê, era um menino que iria nascer nos próximos dias, o desespero tomou conta de mim, ainda vi chegar a ambulância, vi ser colocada numa maca, daí pra frente não me lembrava de mais nada do que tinha acontecido.
Agora estava ali naquele hospital, desesperada pensando no que pudesse ter acontecido com o meu bebê, gritei desesperadamente. Uma senhora se aproximou de mim e me disse para que me acalmasse, que quando fui levada ao hospital os médicos  realizaram uma cesariana  e retiraram o meu menino e que ele estava bem, estava junto com o meu marido. Um enorme alivio se apossou de mim. Era certo que me sentia enfraquecida e doente, mas saber que o bebê conseguira sobreviver ao atropelamento e estar com o pai me deixou muito tranquila.
Perguntei àquela carinhosa senhora há quantos dias eu estava ali naquela situação, ela me disse que já haviam se passado três meses. Não consegui entender, parecia que tudo ocorrera a poucas horas. Exigi que entrasse em contato com o meu marido para que soubesse que eu havia despertado e trazer meu filhinho.
Lembrei-me do quartinho carinhosamente preparado por nós para recebê-lo, nesse instante me senti atraída para o meu antigo lar, sem nada entender vi meu marido na sala conversando com meu pai, enquanto minha mãe trazia no colo meu filho; corri em direção a eles e sorrindo falei com minha mãe:
 – Mãe, estou boa, me entregue meu menino, quero tê-lo em meus braços, como ele é lindo! No entanto minha mãe não percebeu a minha presença, corri para sala, observei que meu pai conversava com meu marido a meu respeito.
Como assim? Que conversa estranha era aquela? Falavam de mim como se eu tivesse morrido. Gritei bem alto que eu estava ali, ao lado deles, eles continuaram a conversa, assentei-me ao lado do meu marido e tentei segurar em sua mão. O que estava acontecendo, eu não conseguia tocar-lhe, continuei ouvindo a conversa e vi quando meu pai chorando dizia não se conformar com a minha morte. Morte? Eu estava ali ao lado dele, mais desesperada ainda gritei, gritei muito até não ter mais forças. O desespero tomou conta de mim e eu saí correndo pela rua. E agora estava eu ali naquele mesmo lugar com aquela senhora do meu lado. Fui medicada e voltei a dormir e assim fiquei não sei por quanto tempo, dormindo e acordando.
Enfim chegou o dia do meu completo despertar e, como na primeira vez, ali estava aquela senhora a me abraçar e me auxiliar. Foi devagar e com muito amor me esclarecendo tudo o que havia acontecido desde o dia do atropelamento. Imediatamente entendi tudo. Chorei, chorei mito, como isso foi acontecer comigo, esperei aquele bebê com tanto amor, amava tanto meu marido e viveria sem aquela vida planejada por nós. Digo aquela vida porque me sentia como se tivesse sido roubada da minha vida já que eu me via completamente viva em outro lugar.
Meus amigos, a dor é enorme, a saudade sem tamanho, sofri por muito tempo até conseguir entender que tudo o que nós acontece é por determinação de Deus. 
            Hoje passados alguns anos desse fato que lhes conto agora me sinto feliz e conformada, feliz por aceitar tudo o aconteceu depois. Meu marido casou-se outra vez e tenho na minha antiga casa uma verdadeira irmã do coração a cuidar do meu filho como se fosse verdadeiramente sua mãe. Não vejo nela uma rival que veio ocupar meu lugar. Vejo nela uma santa que, com muito amor, cuida do meu filho, que hoje já é um rapazinho e que a ama como uma verdadeira mãe.
             Obrigada minha querida, lhe serei eternamente grata. Sinto a alegria do meu menino cuidando dos dois irmãozinhos que você o deu. Obrigada minha irmã.
             Obrigada Deus.
              Cristina

   Psicografia recebida em Reunião Mediúnica 2014                                     
               Médium:  Débora S C  

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015


MORTO OU VIVO

                     Então um grande vazio tomou conta de mim!
                    Acordar para que? Se fechar os olhos para morrer foi tudo que eu sempre quis. Morrer, deixar de existir. Não mais lembrar de quem sou, da vida que ficou....
                 Mas, acordei. Senti a consciência me acusar, fazendo-me lembrar de tudo aquilo que eu fiz. Deixei-me ficar onde acordei. Olhei à volta e nada divisei que me fosse bom. Rostos disformes, mentes em desalinho, risos histéricos e numa terrível escuridão.
                   A luz se fazia, apenas para mostrar as bestas humanas que estavam a passar. Por que estava ali? Não entendia. Não me achava assim tão ruim. Então eu quis chorar e as lágrimas não se fizeram e os meus sentimentos, contidos, mais me faziam sofrer.
                 Com os outros eu também caminhei, sem parar, procurando um lugar onde eu pudesse me aquietar. E não encontrei. E também não parei. Por quanto tempo? Não sei.
                    Hoje, consigo observar e as coisas à volta mudaram. São rostos que sorriem, são mãos que me estendem e também posso parar. Não sei onde estou e não posso mais pensar. Perdi a identidade. Às vezes, quero pensar e não sei com fazer. Às vezes quero falar e não me faço entender.
                      Estou morto, estou vivo? Quem pode me dizer?
                    
                     Um irmão desencarnado socorrido em nossa reunião.

                     Psicografia recebida em reunião de psicografia em 2014.

                     Médium L. Ferreira

sábado, 10 de janeiro de 2015


UM MENINO

É com muita tristeza que estou aqui. Não queria estar aqui, fui retirado brutalmente, não consigo aceitar esta nova “vida”, eu gosto, não gostava, gosto da vida quando eu estava ai  na terra.
Agora onde estou? A que tribo eu pertenço? Pois é, me sinto um índio, totalmente deslocado e sem terra.
Eu só quero a minha vida de volta, meus pais, meus amigos e, até mesmo, meus bichos.
Sei que sinto muita falta deles, aqui eu me entrego às queixas e lamentações, não consigo aceitar a minha morte sendo que não morri, estou vivo em “espírito”, mas como é muito difícil eu aceitar.
Hoje teve uma preparação muito especial para que pudéssemos estar aqui, senti um alivio e achei que eu ia poder ver os meus familiares, a minha casa, não era para ouvir a prece, oração ou reza não sei, é para escrever o meu desabafo.
A nossa preparação é toda especial e sempre com a ajuda de seres brilhantes de luz muito azul.
Eu levei um tiro e fui levado para um hospital, mas não resisti. Eu provoquei o acidente, não tinha noção que a arma estava carregada.
Se meu nome estivesse nesta lista de pedidos, eu poderia dizer que foi um acidente e que não há culpados.
Eu lamento muito, muito mesmo, foi minha culpa, eu sempre muito curioso e aconteceu simplesmente.
Agora tenho que ir, mas se possível sempre pensem em nós, aqui em cima ou aqui embaixo, pois não faço a menor ideia onde estou e qual direção.

              Obrigado
              Um menino.                   

 Psicografia recebida em Reunião Psicografia  2014

             Médium:  M. Nicodemos

domingo, 4 de janeiro de 2015

RECUPERADO DO CORPO E DA FÉ

Oi, oi eu estou aqui, nossa é possível mesmo. Duvidei o tempo todo achando que isso não seria possível eu escrever, eu estou pensando ou escrevendo? Nossa é mágico, estou muito ansioso isso pode me atrapalhar, é o que eles estão dizendo. Calma, calma preciso respirar um pouco, estou eufórico.
Mas estou muito feliz, feliz mesmo, pude ir a meu lar e dá uma espiadinha em todos. Eles estão bem, graças à Deus, mas fiquei muito triste com o meu esquecimento. Em nenhum momento meu nome foi pronunciado, nem um pensamento foi dirigido a mim.
Eu me senti esquecido, como se não, ou melhor, nunca ter feito parte daquela família. Eles me falavam aqui, que é assim mesmo, e pra mim, talvez fosse até melhor o esquecimento. Por que se for um pensamento de dor, sofrimento ou de não aceitação da minha partida eu iria sofrer muito aqui. Mas senti falta de um comentário a meu respeito, uma lembrança se quer.
Meus pais sabiam que eu estava sofrendo muito com a minha doença “câncer”, não gosto desta palavra ela me machuca ainda. Eles sofreram com a minha partida, mas ficaram felizes, pois, eu não sofreria mais. Engano deles sofri muito aqui, fui direto para o hospital, meu corpo precisava de cura, a minha fé abalada, pois, parti sem acreditar em Deus devido todas aquelas dores e injeções, muitos sofrimentos.
Mas assim que fui me recuperando, comecei a ver as coisas diferentes, vi o meu passado, o quanto eu judiei do meu corpo, não dei valor ao meu corpo perfeito que Deus fez com tanto carinho, precisei nascer e sofrer na carne o mal que fiz em meu corpo.
A minha fé? Estou tão fortalecido na fé que chego a iluminar, quem está do meu lado sente a minha fé e se encanta, pois acredito em Deus nosso pai e sou hoje um Filho de Deus recuperado do corpo e da fé.
Mas voltando em minha casa, o meu cachorro, acho que sentiu a minha presença e a minha energia, pois, ficou agitado. Talvez seja a minha carência que faz eu pensar assim.
Fico feliz em saber que todos estão bem, o meu recado é que às vezes nós podemos fazer uma visita na nossa casa sem fazer nenhum mal e principalmente estando muito bem  acompanhado de quem guardiões muitos especiais.
Um grande abraço.  
Um Filho de Deus recuperado.
       

 Psicografia recebida em Reunião Psicografia  2014
             Médium:  M. Nicodemos

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

AO MEU FILHO

Quero dedicar estas poucas palavras a meu filho. Começo desculpando-me pela ausência física.
Peço que me perdoe por não acompanhá-lo àquelas reuniões escolares tão enfadonhas as quais eu deixava-me levar pela obrigação de pai enquanto você, meu filho, radiante e orgulhoso da minha presença apertava amorosamente minha mão. Também devo desculpas por não estar nas arquibancadas do ginásio, torcendo, entusiasmado, como os demais pais, a cada lance do jogo do qual participava.
Acho que, até mesmo, devo-lhe desculpas por não estar ao seu lado nas noites de insônia, quando o sono teima em afastar-se e ceder seu lugar as velhos conhecidos tormentos infantis. Nesses momentos posso imaginar quanto lhe seria preciosa a presença do seu pai “super-herói” lhe dedicando um pouco da atenção desperdiçada, tantas vezes, nas noites boêmias de nossa cidade.
Não posso, também, de pedir-lhe que me perdoe por não ter lhe emprestado meus ombros largos e meu colo para seu repouso singelo após a refeição tão carinhosamente preparada por sua mãe. Desculpa-me por não poder estar presente nas fotos e álbuns que marcaram sua trajetória vitoriosa do colegial à faculdade.
Lamento, sinceramente, o pai ausente que sempre fui e relapso ao ponto de trocar as dádivas de nosso lar, refrigério santificado, pela ilusória satisfação pessoal que julgava encontrar nas drogas, na bebedeira e nos jogos de azar. Procurei fora de nosso santuário o aconchego e a felicidade verdadeira que sempre estiveram ali, ao meu lado, junto aos meus olhinhos meigos, à sua mente criativa e sedenta de aprendizado e aos seus cachos tão bem cuidados e “saídos” à sua mãe.
Sinto por não ter sido o pai que você merecia e precisava e, por minhas próprias fragilidades, ter tão cedo lhe deixado à própria sorte.
Peço-lhe perdão, meu filho e prometo-lhe minha vontade ardorosa e meu mais verdadeiro afeto se, por misericórdia deste Deus, que nunca compreendi verdadeiramente, tornar-nos a nos encontrar-mos nas voltas dessas vidas.    
Um abraço do seu pai.
   
            Alfredo.                                                           
                                                         
Psicografia recebida em Reunião de Psicografia em  2014.                                     

            Médium:  Ana Paula.

domingo, 21 de dezembro de 2014


É NATAL, DOE TUDO.

Mãezinha querida seque o seu pranto, não agüento mais te ver assim, preciso que você reaja, meu pai precisa de você e meus irmãos também. A minha etapa aí ao lado de vocês terminou, fiquei aí o tempo que me foi permitido por Deus. Cada um tem o seu tempo e embora com muita tristeza tive que regressar, foi chegada a minha hora e não adianta mãezinha se revoltar contra Deus, tudo tem um porque, não me cabe te dizer isso agora, mas pode estar certa minha partida não foi antecipada, tudo ocorreu conforme o programa traçado por mim mesmo e aprovado pela espiritualidade maior antes do meu reencarne.
Te peço mãe, pare de querer achar culpados, ninguém teve culpa, foi somente a vida seguindo o seu curso normal, não foi acaso que meu corpo se chocou contra aquele carro, tudo aconteceu com a permissão de Deus, a sua atitude só serve para te fazer sofrer, tente elevar seus pensamentos a Deus e ao invés de reclamar agradeça; sua lamuria diária só me faz sofrer, anime-se por favor mãe eu lhe peço.
Você tem meus irmãos aí que ainda precisam tanto de sua ajuda e da sua lucidez, pense neles, pense no meu pai, você sofre e eles também sofrem, sofrem por mim, mas muito mais por ti, eu já não mais pertenço a esse mundo e você ainda tem muita coisa a fazer.
Mãe me deixe seguir o meu caminho, estou procurando a luz e quando estou quase conseguindo me libertar me sinto puxado pela sua dor.
Mãezinha viva em paz e me deixe seguir também, preciso de paz, te peço, desfaça das minhas coisas, roupas e objetos; se quiser guarde algo como recordação, mas não mantenha as coisas do jeito que vem mantendo, não permitindo que ninguém toque.
 Lembre-se é Natal e te peço, doe os meus pertences eu não mais preciso deles e pense quantas pessoas poderão estar calçadas e vestidas com as minhas roupas, mãe pense direito você sempre teve um coração tão generoso, não guarde coisas que eu jamais precisarei. Essa atitude irá melhorar o ambiente do nosso lar. 
Se essa carta chegar até você de alguma maneira faça o que eu te peço, você com certeza me identificará pelas minhas palavras.
Deus te proteja minha mãe. Cuide de você e me ajude a encontrar a luz.

       Rafael.                                                                         
                                                          
Psicografia recebida em Reunião de Psicografia em  2014.                                     
            Médium:  Débora.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014


DESAJUSTADO CORAÇÃO

Já tive muito só. Andava, por aí, sem rumo e sem vontade. Não aceitava minha “passagem”, meu desencarne. Não refletia com equilíbrio e justiça sobre meus próprios passos. Exigia consolo, abrigo e  compadecimento. Não admitia, contudo, repreensões e admoestações.    
Pensava que este mundo aguardava-me como felicidade alcançada. Acreditava que deixaria o mundo “dos vivos” e adentraria ao “dos mortos” liberta de pressões por condutas morais irrepreensíveis, livre de cobranças e compromissos sociais e familiares e, acima de tudo, verdadeiramente esperava encontrar-me diante da liberdade absoluta. .
Surpreendeu-me trazer comigo os mesmos temores e angustias que alimentara “em vida”. Não apenas eles, mas também, as dores físicas pareciam perturbar-me com a mesma intensidade. As sensações e, muito custou-me aprender que não necessitava do alimento material ou da bebida para saciar fome e sede. Faltou-me paciência e reflexão para transpor essa ponte entre a vida e a morte com serenidade e aceitação.
“Em vida” tudo queria, tudo desejava com ansiedade e sem medidas. Faltou-me educar a consciência muito mais que aos modos.
Persevero hoje na decisão de libertar-me deste cativeiro de angustias e sensações materializadas. Já não vivo tão só. E, ora vejam só, finalmente compreendi que não existe o mundo “dos vivos” e o “dos mortos”. A vida continua exuberante deste outro lado e se manifesta de muitas formas que nem mesmo ainda posso compreender.
 Acompanho a vida de pequena comunidade que, nas horas de desilusão e rebelião, me acolheu em seus braços fraternos. Convivo com outros como eu, ansiosos, rebeldes, ignorantes e carentes de disciplina e compaixão.
Quando me permitem cá retorno eventualmente, trazendo noticias esperançosas ou apenas, como agora, deixando meu depoimento.
Quero agradecer àqueles que perseveram em mim, que me ajudaram a andar quando já me imaginava “morta”, que me ajudaram a ver, quando me acreditava cega e embalam-me em canções que falam de amor e solidariedade, alimentando, dessa forma, a fé que já esteve escassa em meu desajustado coração.
Que Deus nos abençoe a todos.
  Janaína.
      

 Psicografia recebida em Reunião Psicografia  2014

             Médium:  Ana Paula.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014


DESCONFORTO

Não me sinto confortável aqui onde estou, afinal do que serviu tanta doação em dinheiro para a igreja?
Me falavam lá que as minhas fartas doações mensais me garantiriam um lugar muito feliz depois da minha morte, que Deus estaria preparando um lugar especial para mim. Na verdade eu não acreditava muito nisso, mas era tão bom pensar assim, mais fácil, tudo o que eu precisava era desembolsar uma verba para a igreja e no final das contas tudo estaria acertado.
Nunca me julguei pessoa ignorante, sabe eu estudei, me formei e tinha diploma universitário. Hoje eu vejo o quão ignorante fui, não me esclareci em certos assuntos por pura comodidade.
Não me sinto revoltada pelo meu desconforto somente, mas o desconforto maior é o de ter sido tão invigilante, por ter me deixado enganar e digo com muita certeza, me deixei enganar por vontade própria. 
Aprendi que devemos acreditar e eu de certa forma acreditava em muitas coisas que eu ouvia, mesmo sabendo que eu própria vivia a falar mentiras, talvez não fossem mentiras assim tão graves, para resolver uma ou outra situação, as vezes para eu safar de alguma coisa e até mesmo para justificar pequenas coisas. Não julgava serem mentiras grandiosas, mas mesmo assim eram mentiras.
E se eu, sem pestanejar, contava sempre as minhas mentirinhas, por que achar que os outros só falavam a verdade?  A verdade é que fui bem ingênua, ou me fiz de boba, acho a segunda hipótese a mais provável.
 Agora, deixando essas reflexões que de nada mudarão alguma coisa nessas alturas da minha jornada, vou me remeter a realidade.   
Muito mais nos é viável aceitar certas coisas do que questiona-las, mais confortável não é?
Sair do nosso conformismo e do nosso conforto é mais difícil, mas, no entanto tentar entender e questionar é o que nos abrirá os olhos.  
Digo-lhes uma coisa, procure racionar, antes de aceitar mentiras como verdade.

   Uma irmã da Congregação Evangélica do Reino dos  Céus.
                                                            
                                                         
Psicografia recebida em Reunião de Psicografia de 2014.                                     
            Médium:  Débora S. C.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014


NATAL

Aproxima-se o Natal. 
Comemora-se o nascimento de Jesus!
Programação de toda espécie alegram o dia esperado.
A preocupação do momento são os enfeites, os comensais e os trajes que não poderão faltar, no auge da moda, pensando em estar sempre melhor vestidos que os outros.
Os presentes são comprados, as dívidas crescem, e a realidade só acontece quando, após muita comida e muita bebida for ingerida, trás os transtornos justificáveis.
E o aniversariante? Não veio à festa? Naturalmente sim, mas não conseguiu passar por aquela vibração negativa que todos manifestavam pelos pensamentos e pelas ações. Jesus quer ser lembrado pela mensagem que vivenciou, mostrando-nos o caminho da evolução. Ao invés de tanto desperdício, porque não nos juntamos e fazemos uma leitura de uma página do Evangelho?
Podemos cear juntos e até trocar presentes, mas a comemoração precisa ter um sentido fraternal. Inventamos um Natal de mentiras e esquecemos que desesperamos, com  nossa atitude, aqueles que não tem o que alimentar-se. Torturamos crianças que não conseguem entender porque “Papai Noel” não leva nada para eles.
É preciso acordarmos do sono que ainda gostamos de dormir. Jesus é o nosso Mestre e ao Mestre devemos respeito e consideração. É necessário que aos poucos, grupos pequenos vão se unindo com propósitos maiores. Trazer para toda a humanidade, a Mensagem de amor contida na Doutrina Cristã.
Já perdemos muito tempo fingindo não entender que essa grande festa não atinge o Mestre que deve entristecer-se a cada ano, onde espera a maneira certa de ser homenageado, no ensinamento que leva a maneira correta de postarmos como cristãos verdadeiros.

Jesus nos abençoe.

Um Espírito amigo.                                                            
                                                          
Psicografia. Republicação 2021.                                     
            Médium: Luci Ferreira. 

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O MOLEQUE  E  O CARINHO

É com muito carinho que estou aqui, carinho porque hoje sei o verdadeiro significado desta palavra.
Fui uma criança com muitos irmãos e vivi em completa pobreza, nós éramos carentes de tudo, tudo mesmo, amor, atenção, dinheiro, moradia, comida, enfim vocês têm noção de toda a dificuldade de uma família que vivia em uma favela sem nenhum recurso.  Meu pai era um alcoólatra, minha mãe sofredora e passou a usar drogas pesadas, mas eu acho que era para fugir da realidade. Eu e meus irmãos nem sei, parece que os acontecimentos em que eu vivi, em determinado tempo de minha vida não existiu, eu não consigo lembrar. Sei que fui para as ruas e meus irmãos para o abrigo de menores que fazem coisas erradas.
Eu muito pequeno nas ruas, as pessoas me davam atenção e muitas das vezes matavam a minha fome, não de comida mais de me sentir gente, de ser olhada, mesmo com um olhar de desdém, mais eles estavam me vendo, sabiam que eu existia e isso para mim era muito importante, muitas das vezes eu me perguntava: por quê? Meu Deus, porque eu fico vivo nesta miséria e não morro de fome ou de frio. Que propósito você tem para mim?
Numa noite muito fria eu achei que não ia resistir, mas resistir e uma mulher muito bonita veio ao meu encontro e se encantou comigo, encantou mesmo,pois não tinha nada para oferecer a ela.
Ela olhou para mim e disse?
Como você chama? Eu disse:
Não sei, pois não lembrava mais o meu nome, sou um moleque é como todos me chamam aqui.
– Você que ter um lar?
– Como um lar? Você não me conhece, é melhor a senhora ir embora daqui, é muito perigoso.
– Não vou, quero a sua resposta, você quer ter um lar?
– Eu gritei, eu quero, eu quero é o que eu mais quero.
– Então venha e fui e....
E hoje entendo que não resisti ao frio, eu desencarnei isso mesmo desencarnei e fui ter o meu lar aqui, num mundo de luz, de esperança, de renovação e de renascimento.
E digo a todos vocês que aqui eu aprendi o que é ter carinho e receber carinho.
Fui uma criança de rua, mas resisti a tudo de errado, não me droguei, não roubei e não bati em ninguém. Consegui ser um menino do bem.
Muito obrigado pelo carinho e atenção.
              Um menino do bem.
              O Moleque.     

 Psicografia recebida em Reunião Psicografia  2014

             Médium:  M. Nicodemos

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

RETORNAMOS MUITO JOVENS

Nem sei como conter minha emoção, é difícil para mim, pois que ainda estou em processo de adaptação, mas peço forças a Deus e aos companheiros espirituais aqui presentes. Então vamos lá.
O nosso retorno por ter se dado de uma maneira repentina causou sofrimentos para vocês que aí ficaram, para nós dois também não foi fácil, fomos socorridos cada um a sua vez e nossa menina recebeu socorro imediato.
Nunca poderíamos imaginar que aquele dia feliz se transformaria em uma tragédia tão grande, que nos tirasse a vida e nos privariam da alegria da feliz convivência em família.
Não pensem que foi fácil aceitar, foi um processo complicado, doloroso, cheio de perguntas e muitas saudades. Entre um dormir e acordar sentia-me entorpecido e assim passei longo tempo. Hoje ainda nos encontramos em um hospital para tratamos o espírito rebelde e inconformado. Com tudo isso nossa situação hoje é muito boa, pois que já conseguimos aceitar e nos adaptar a nova vida. Não quer dizer que a saudade passou, pois que isso não passará nunca.  
Não pensem vocês que foi imprudência e não queiram atribuir culpa aos outros, tudo o que aconteceu teve uma razão de ser, ainda não sei qual foi essa razão, mas nessa encarnação nos três partiríamos novos, de forma violenta. Deus é perfeito em tudo o que faz e se deixou que nos acontecesse isso era porque precisávamos passar por isso.
Peço a vocês que não se revoltem contra Deus, em hora nenhuma Ele nos abandona, está sempre ao nosso lado na pessoa de um irmão iluminado a nos trazer a paz, por isso peço novamente: confiem Nele.
 A melhor maneira de amenizar a dor da saudade é através da oração, portanto não deixem de orar, a oração nos liga ao mais alto e com isso conseguimos forças para todas nossas dificuldades.
Sei que sentem falta da alegria da nossa princesinha, mas podem ter certeza ela também está bem, ou melhor, muito bem. Crianças aqui têm tratamento especial, não se preocupem.
Quero pedir as duas famílias que se acalmem, que se perdoem, ninguém foi culpado de nada como já disse. Sei que vocês tinham expectativas em relações a nos três, afinal retornamos muito jovens. Nos criamos expectativas mais quem decide é Deus e não há como lutar contra isso, tudo em Deus é perfeito.
 Estamos num lugar muito bonito e nos sentimos felizes, quando pensarem  em nós, pensem como se estivéssemos viajando para outro país e que ficaremos por lá muito tempo, mas com a certeza de que um dia nos reencontraremos.
Fiquem na paz de Deus, acalmem os corações atordoados, nós não morremos, todos estamos vivos, a morte não existe.
Saudades sempre e de todos.

                    Flávio Amorim.                                                              
                                                         
Psicografia recebida em Reunião de Psicografia de 2014.              
Médium:  Débora S. C                                

sexta-feira, 28 de novembro de 2014


TRANSMUTAÇÃO

    Ora, nem sei bem por onde começar. Naquela tarde chuvosa de outono, no encanto da idade, por dizer assim, deixei para traz o corpo já cansado pelas adversidades. Naquela época pouco compreendia o que ocorria ao meu redor e o choro convulsionado de meus pais e familiares mais contribuía para o prolongamento do meu estado mórbido. Tanta revolta e irresignação agrediam-me o coração igualmente amargurado. Se tivessem podido transmudar as lagrimas e imprecações em orações dadivosas talvez meu reequilíbrio se fizesse mais ágil. 
Contudo, como julgar papai e mamãe, que, de alma e coração dilacerados, vertiam rios de lágrimas? Como julga-los se a doenças retirava de seus braços ternos a doce companhia de sua filha? Que pai e mãe teriam equilíbrio e sensatez em hora tão amarga.
Se, contudo, escuras sombras cobriam, nos primeiros meses, suas almas aflitas, eu, por minha vez, recuperava a sanidade outrora perdida pouco antes da “transmutação” da carne. Como soa melhor esta palavra àquela mais preferida por todos: “desencarnação”. È que, para mim a carne apenas transformara-se em pura energia espiritual e, como a lagarta que precedera a borboleta, vi-me, aos poucos deixando no passado o corpo frágil e febril para assumir minha forma de hoje.
Ocupo este espaço para brevemente enviar meus abraços saudosos aos meus parentes, mas, também, para agradecer a todos aqueles que, neste, como noutro plano, oraram e contribuíram para minha ascensão.
Encontro-me bem agora e mais forte e preparada para nova jornada que espero com paciência e resignação quanto às novas adversidades que terei de passar para recompor meu passado estéril e faltoso.
A todos o meu muito obrigado.  

                          Clarice.                                                                                   
                                                         
Psicografia recebida em Reunião de Psicografia em  2014.                                     

           Médium:  Ana Paula.

domingo, 23 de novembro de 2014


ALMA FEMININA

Tenho sentido muitas saudades dos meus queridos familiares, pois, de forma cruel fui retirado do meio deles. De uma forma dolorosa com muito sofrimento tanto na carne como no espírito. Fiz todos que estavam ao meu redor sofrer e até mesmo adoecer.
Hoje aqui no plano espiritual, eu posso entender muito bem, quanto minha querida mãezinha sofreu, sempre muito calada, mas com o coração em lágrimas.
Um homem, ou melhor, um filho homem, para os pais é sempre muito esperado, são depositados nele muitos sonhos e sempre a questão do “macho”. Mas quando vê que seu filho é homem, mas a com alma feminina, começa o sofrimento, a vergonha e o preconceito.
È muito difícil para eu falar aqui do meu sentimento, pois, nunca tive a liberdade de expressar e gritar para todos a minha verdade. Falta em mim palavras certas para dizer, acreditem tenho medo, muito medo da repressão de todos.
È muito louco tenho hoje total liberdade para o meu desabafo e não consigo, mas não vou perder esta oportunidade de dizer a todos que não me arrependo das minhas escolhas. Se envergonhei, se não fui um macho sinto muito, muito mesmo e eu lamento por não ter realizado os sonhos de meus pais. Sei que acabei com minha vida, não me cuidei, não pensei que ficaria doente e que todos ao meu redor iam adoecer comigo. 
Me perdoem, por favor, eu lhes peço perdão com meu coração cheio de amor, pois, fui um homem que só queria amar e ser aceito.
Com carinho, um grande abraço.       
      
                        Juliano.   
                                                        
                                                         
Psicografia recebida em Reunião de Psicografia em  2014.                                     

           Médium: Nicodemos.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

PERDA PRECOSE  

Entendo que minha abrupta “partida” tenha desestruturado mamãe e papai. Quando nasci, lembro-me como se fora ontem, fiz transbordar de alegria seus convulsionados corações.
Tão querido e ansiado, tive as portas do lar amoroso abertas francamente à minha breve passagem. Eles não se lembravam mais, mas tempos antes de minha concepção já havíamos nos reencontrado durante o desdobramento espiritual ocorrido nas noites tranqüilas daquela primavera. Havíamos acordado “os termos” de minha vinda ao seu mundo e não consistia surpresa, por isso mesmo, que minha estada seria tão breve.       
Embora não se lembrassem igualmente, já nos encontráramos diversas outras ocasiões no mesmo seio familiar, mas com os papeis trocados, ora “eu” pai, ora eles. Temiam com antecipação a dor da perda precoce de seu primeiro e abençoado filho, mas foram encorajados a seguir o caminho daquela prova pelos abençoados guias que nos conduziram àquele encontro prévio. Afiançaram-lhes que nunca lhes faltariam o socorro divino nos momentos de desespero e que, em orando e rogando a Deus a resignação e a compreensão necessária, prontamente as teriam, desde que, também se esforçassem nesse sentido.  
Lembro-me perfeitamente que, pouco antes de minha ligação ao pequeno feto que se formava no ventre materno, novas angustias reprimidas pelo inconsciente de minha mãezinha, temerosa do indefinível sofrimento que alcançaria a família, em tão pouco tempo após minha chegada, abalaram minha constituição orgânica, a ponto de quase expulsar-me por meio de um aborto espontâneo.
Refeita do melindre nos afagos e amorosos esclarecimentos do benfeitor ao qual minha família fora confiada, ao longo de tantas gerações, pudemos prosseguir com minha gestação e posteriormente parto.
Assim, embora tudo estivesse previamente acordado, não se lembravam de sua corajosa aceitação à minha vinda e breve partida. Por isso entendo seus lamentos e, até mesmo, a temporária revolta que parece ter tomado conta do coração de papai. Queria lhes dizer o quanto os amo e que, daqui, de onde estou, posso ouvir sua orações e sentir como meus o ressoar de seus sentimentos.
Quero dizer-lhes também obrigado. Pelo amor incondicional, pela doação e renuncia temporária ao convívio com esta minha singela alma que tanta dor e desencanto já lhes proporcionou em pretéritas existências, mas que agora, com ajuda deles, começa a reassumir o leme de seu barco outrora desgovernado.  
       
                        Josué.   
                                                       
                                                          
Psicografia recebida em Reunião de Psicografia em  2014.                                     

           Médium:  Ana Paula.

domingo, 16 de novembro de 2014

EU TE AMO

    Mãe vou direcionar esta mensagem a você, pois sei que é a que mais sofre com minha partida. Tão grande é o seu sofrimento que pedi permissão ao meu mentor, aquele que me ajuda a superar a dolorosa separação do meu corpo físico, para lhe escrever e acalentar o seu coração.
Imagino como é difícil para as mães perder seu filho que foi gerado com tanto amor. Imagino como é tamanha dor da separação. Imagino tantas coisas dolorosas, mas só não vivi nenhuma delas, pois não tive filhos nessa encarnação. Parti muito cedo no auge da minha juventude e ainda não pensava nisso. Mas mãe venho lhe dizer que estou bem, me recuperando a cada dia do mal que me fez tanto sofrer, o mal que me levou desta vida. A doença realmente foi muito dolorosa. Você não sabe, mas às vezes perdia as forças e pedia a Jesus para me levar.
Agora entendo que mesmo pedindo Ele só nos leva quando é chegada a hora. Por isso lhe digo, a hora chegou. Não quero que chores mais, pois isso me faz sofrer. Pratique o desapego e doe todas as minhas roupas, sapatos, bolsas, bijuterias, óculos, lenços, pois sei que estão todas ainda guardadas como deixei. Não vou usar mais e você sofre por ver essas peças imaginando eu dentro delas, desfilando pela casa, como sempre fazia. Eu muito vaidosa gostava tanto de uma boa produção. Então, não imagine mais. Ore e peça a Deus por nós duas, pois estou fazendo isso aqui.
Só poderei me restabelecer se você estiver bem. Veja quantas mães já perderam seus filhos. Você não é a única. Por isso lhe peço, tenha fé em nosso pai maior, Ele sabe o que está reservado para mim e para você. Quem sabe se você arrumasse uma irmãzinha para mim, assim você passaria a ela todo esse amor guardado que tem por mim. Sei que ela receberia e seria muito feliz. Será que Deus vai te fazer uma surpresa? Não sei, é somente uma sugestão daquela que te ama tanto.
Quero que saiba que nossos laços nunca vão se separar e assim que me for permitido estarei te visitando e você sentirá a minha presença e quando isso acontecer, acredite, pois sou eu que estarei lá. 
Acalma o seu coração. Alivia a suas dores e se apega com Jesus.
Termino aqui dizendo três palavras: Eu te amo e esse amor que estou lhe enviando neste momento fará com que você se restabeleça de todas as mazelas.
Beijos da sua filha que sempre estará junto de ti.

                          Julia P. Fonseca.                                                                                   
                                                         
Psicografia recebida em Reunião de Psicografia em  2014.                                     

           Médium:  Regina.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014


MÍNGUA DE AMOR

Á velhice amargurada já me cobria com o véu escuro os olhos quando desencarnei naquela tarde fria de outono. As pernas, antes lépidas e inquietas, já não sustentavam com firmeza o corpo cansado. As mãos descarnadas e trêmulas já não dispunham de utilidade. Os órgãos desgastados pelos excessos da gula e vícios incontidos apenas aguardavam o findar das energias depauperadas.
Admito que minha partida deste plano não deixou-me a vontade. Assim que recobrada a consciência logo inquiri-me: onde os palacetes celestes, os anjos fulgorosos, as dádivas divinas, enfim. Para mim, homem trabalhador que, a custo da própria saúde, mantivera o necessário a família, não faltaria as honras do pai bem sucedido e chefe respeitado.  
Quantas ilusões nutria. Alçava-me às graças celestes apenas por levar o alimento suficiente e o agasalho necessário. Gabava-me de honrar a casa paterna conferindo à frágil esposa e os filhos concebidos o sobrenome de minha linhagem.
Hoje, de posse da consciência e autocrítica já não me vejo como outrora. Se sustive de bens materiais o lar construído deixei-o à míngua de amor e consideração. Não soube entender o papel de educador que a vida me impunha. Não perquiri quanto aos anseios de felicidade daqueles que imaginava apenas me caber o sustento do corpo. Falhei deveras no quadro de meus compromissos e, ao final, apenas soube amargurar-me com a decadência do corpo outrora avantajado.  
Àqueles que, com eu, reduzem seus compromissos às responsabilidades mundanas deixo este meu triste exemplo de pai e esposo muito amado, mas incapaz de externar e disciplinar seus próprios afetos.
Cultivando a afetividade e o amor verdadeiro, decerto, em melhor situação encontrar-me-iam hoje.
Que Jesus nos abençoe e conceda a misericórdia.
   
 Lourival.   
                                                        
                                                         
Psicografia recebida em Reunião de Psicografia em  2014.                                     

           Médium:  Ana Paula.

sábado, 8 de novembro de 2014

BENDITA RESIGNAÇÃO

Quanta tristeza carreguei na minha última existência, aos primeiros anos da minha juventude, onde os sonhos são tão leves e felizes, tudo é beleza, quando a vida nos sorri e nos sorrimos para ela.
Foi nessa época que depois do aparecimento de manchas pelo corpo e a falta de sensibilidade nas pontas dos dedos fui levada pelo meu pai a uma consulta com famoso médico da época.   O diagnóstico fora certeiro e aniquilante, o que era? Lepra, que hoje se chama Hanseníase.
A partir daquele momento meu mundo e o da minha família desabaram, e foi com muita dor que fui afastada do convívio dos meus, internada num hospital especifico para tratamento da tão temida Lepra. Ali só os pacientes da terrível moléstia conviviam normalmente entre si, o restante, médicos e outros profissionais de saúde nos tratavam com certa diferença, acredito que a maioria deles não fazia isso por maldade, mas muito mais por falta de esclarecimentos. Sabem que as cartas que enviávamos aos nossos familiares não saiam dali naturalmente, tudo passava por um processo de esterilização. Assim vivi nesse lugar.
No começo foi muito triste, não consegui terminar nem a escola normal, queria tanto ser professora..., a ausência da família e preconceito sofrido por toda gente.  Com o tempo fui me acostumando e com o passar desse tempo comecei a trabalhar lá, auxiliando pessoas menos cultas e desprovidas de tantas coisas que eu tive fartamente desde o meu nascimento, a vida ali era muito sofrida, as pessoas perdiam pedaços, quanta dor senti e vi ali. Eu mesma, de uma moça bonita tive minha aparência física afetada pela doença.
Hoje eu consigo entender perfeitamente o porquê de tudo o que eu passei, e confesso, não foi mais do que eu mereci, cada dia, cada dor, cada desilusão que sofri me serviu como meio de resgate de coisas feitas em outras encarnações.
Mesmo durante os longos anos que lá passei consegui aceitar com resignação tudo aquilo. Lá me casei, tive filhos e vivi por muitos anos. Pude ainda ter a oportunidade de sair de lá e me estabelecer em uma casa com minha família, que a essa altura era formada por mim, meu marido e meu filho.
Ainda assim sofri muitos preconceitos, muitos tinham medo de se aproximar, mas como sempre encontramos almas esclarecidas e caridosas. Muitas pessoas também se aproximavam e nos abraçava dando mostra do enorme amor que sentiam.
 Tudo passado! Tudo resolvido! Resgatei nessa última existência boa parte dos meus débitos e agradeço a Deus por cada dia que passei, por cada dor que senti naquele bendito lugar, naquela escola de amor e aprendizado. Bendita seja a resignação que tive durante toda minha vida.
Hoje sou tão feliz! Feliz de ter dado conta de tudo que passei. Obrigada meu Deus por toda a oportunidade de aprendizagem que me destes.
Um irmã, uma amiga chamada
                        Lepra.    
                                                        
                                                         
Psicografia recebida em Reunião de Psicografia em  2014.                                     
            Médium:  Irmã D. 

domingo, 2 de novembro de 2014


MÃE QUERIDA,

Primeiro veio você, com a alegria e a promessa de um dia me receber.
Anos depois cheguei eu, com a promessa de muito poder te dar.
O tempo passou, depois dos primeiros anos, com você não precisava mais contar.
           Jovem arranjei um jeito, um jeito de viajar e, por pelo menos alguns meses, no meu destino poder mandar.
       Minha vontade era de lá, lá no estrangeiro ficar, mas como? Se ainda não poderia me sustentar?
          Voltei contrariado, afinal meus estudos eu precisava terminar, e para isso com os recursos do meu pai, era o que eu tinha para contar.
            Estudei, me preparei, mas sempre a imaginar, do dia em que eu ficaria livre do nosso lar.
            Quando tudo estava arranjado, fui então viajar, mas dizendo que logo iria voltar.
            Minhas asas cresceram, já conseguia voar e porque eu teria que notícias lhes enviar?
Andei mundo afora, sem jamais de você me lembrar.
Depois do tempo passado, comecei a imaginar, vou agora desfrutar de tudo que o dinheiro possa me dar.
O tempo passou ligeiro, vivi feliz com muito dinheiro e chegou então a hora de eu voltar, não mais ao nosso lar.
Voltar pra verdadeira Pátria, que estava a me aguardar, lá teria eu, que todos os meus atos prestar.
Foi aí que me lembrei, que um dia eu tive você, você, mãe querida, que eu nunca mais procurei.
Onde estaria você, queria te encontrar, mas no lugar que eu estava, era certo, que você ali não poderia estar.
Te procurei em vão, até que um dia alguém me disse, não adianta procurar, sua mãe aqui sempre vem e você não a consegue enxergar.
A única coisa que faz, é por você orar.
Chorei, e me perguntei em que hora da minha vida resolvi te abandonar.
Hoje, aqui de volta, procuro uma oportunidade de algum dia te encontrar, e quem sabe, novamente, você, no seu colo me embalar.
Perdão mãe querida, eu queria viver minha vida, mas nessa vida vivida poderia ter deixado algum lugar reservado para o meu amor por ti cultivar.

                    Otávio.                                               
                                                        
Psicografia recebida em Reunião de Psicografia de 2014.                                     
            Médium:  Débora.

sábado, 1 de novembro de 2014



ORIENTE OS JOVENS

        Querido amigo José é com muita alegria que me foi permitido esta comunicação. Hoje estou bem melhor, me sinto mais leve, podendo caminhar com mais segurança. Tenho muitas saudades de você, dos nossos bate-papos em minha varanda. Lembro de seus conselhos para eu parar de beber, mas eu não tinha ouvidos de ouvir e deixei o vício me dominar.
        Estou com muitas dificuldades para expor os meus sentimentos, eu sinto que não vai ser possível entregar esta carta a você, pois você não acredita em vida após a morte. Chego a ficar preocupado com você quando for fazer esta viagem, vai levar um susto e vai pedir muito a ajuda de Deus, mas tenho certeza que estarei aqui para receber você com todo o meu carinho e respeito.
        Como eu fui tolo, deveria ter aproveitado mais a minha vida ai com você, mas não, entreguei a bebida e ela me consumiu.
        Sempre que você José ver um jovem com uma bebida forte, proibida pela idade, não tenha medo, oriente este jovem, nunca perca a esperança de salvar um ser tão perfeito, maravilhoso e que tem tanta gente zelando por ele.
        Eu tenho que ir, mas estou em tratamento ainda, pois estou contaminado, o meu corpo tem que passar por um processo de purificação, para eu ter direito a uma nova vida.


        Benedito Lima
                                                
        Psicografia recebida em Reunião Mediúnica 2014

        Médium :Nicodemos