sexta-feira, 12 de outubro de 2018





PÁGINAS  DO  CORAÇÃO

         Um, dois, três quatro.
      Folhas em branco esperando serem preenchidas com algumas palavras, algum ensinamento, ou mesmo alguma queixa.
         Deixo-as assim jogadas, como a não querer preenchê-las com nada...
     Estou triste, muito triste. Os últimos acontecimentos não me ajudaram em nada, pelo contrário, me atrapalharam.
         Sou escritor há vários anos. Tenho muita facilidade em escrever. Mas não hoje. A pena que me acompanha há anos está jogada de lado. O silêncio me enche a alma. Sinto-me muito só. Meu coração sim está cheio de mágoas de dor, de tristeza. Como posso escrever sobre isso, se minhas escritas são alegres e até jocosas. Faço trovas bem alegres e não é isso que sinto hoje.
         Quero me expressar, mas o que quero dizer não posso. Sou muito crítico e sei que até para mim mesmo devo deixar de lado o que me atormenta.
          Aquela pessoa que me magoou tanto, nem se importa se eu vivo ou se eu morro. E ela estava tão bem estampada em meu coração. Quero fazer meu Deus.
            Abaixo a cabeça e parece que durmo, tomo a pena ao lado e meu coração se expressa:
            “Páginas de luz são nascidas da luz,
            Páginas de amor são nascidas do amor,
            Pérolas que reluzem após um sofrimento da ostra que lhes gerou são preciosas
            Porque sofrer, por tão pouco, se páginas reluzentes de luz estão brotando agora.
            Tu és um ser inteligente: podes pensar.
            Tu és um ser amado: Deus te ama desde o principio.
            Tu és um ser que reluz: dás boas obras a quem te lê.
            Nada tens de queixar meu irmão. Deus existe e te ama. Deus existe e te ampara. Levanta a cabeça, ergue-te e põe mãos à obra: trabalha, ama, espera e produz. Faça suas trovas e alegra o coração de quem te lê. És capaz disto e muito mais. Escreva as páginas que teu coração ditar. Viva, acredita e continua tua jornada. Lá na frente verás. Tudo o que acontece é para nosso bem. Anda, produz e trabalha no bem.”   
            E foi o que fiz e faço. Se estou triste, trabalho; se estou alegre, trabalho; se estou querendo sumir, apareço e trabalho mais.

            Jonas de Almeida Pereira.
            Um espírito presente à reunião.
      
                                                      
 Psicografia recebida em 2018.                                     
 Médium: Catarina.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018




VÍTIMA E NÃO O CULPADO
Não quero acordar, estou cansado ainda, preciso dormir mais, sinto necessidade deste descanso. Não gosto de ficar acordado, sempre me recordo daquele dia terrível que me levou a morte. Por favor, não façam isso comigo, tenham misericórdia e compressão, pois estou dizendo a verdade, creiam em mim.  
Quero continuar onde estou, sozinho sem recordações e sem culpa. O sono neste momento é o meu aliado, o meu consolo e a minha fuga. Como? O que vocês estão dizendo? Que tenho condições hoje de encarar o que realmente aconteceu e me perdoar? Não consigo, a minha dor é imensa e me enfraquece por completo. Vocês estão dizendo que não haverá outra oportunidade de estar diante de tanto conforto e amparo, que devo abraçar esta oportunidade como a minha única chance de redenção perante Deus? Se não tenho culpa, não preciso me render à Deus e sim abraça-lo e deixar que Ele me console. Querem que eu conte para vocês minha trágica partida do mundo dos “vivos”, que louco, pois me sinto vivo e com dores físicas, não consigo entender muito bem o que acontece comigo.
 Bem, estava em uma festa com minha família e todos iam voltar em meu carro. Com esta responsabilidade não quis em momento algum beber qualquer coisa que tivesse álcool e assim aconteceu.
No final da festa já todos dentro do meu carro, eu segui rumo a minha casa, mas de repente um caminhão desgovernado veio em minha direção, eu apavorado com aquela luz em meu rosto, simplesmente gritei e fechei os meus olhos e eu fui covarde. Não usei da habilidade que trazia de anos como motorista, fui covarde, eu entreguei toda a minha família a morte.
Carrego dentro de mim culpa e quando estou dormindo me sinto aliviado, sei que muitos me culpam, pensam que bebi, que sou um irresponsável de pegar o volante depois de uma festa, mas não bebi. Sei que muitos pensam e me culpam pelo acidente.
Como vocês conseguiram que eu relatasse e voltasse a essa cena tão triste e de grande horror?  Sinto o desespero das minhas tias e de meu afilhado e consigo ouvir eles me chamando. E vocês aí não vão falar nada? Eu quero voltar a dormir, preciso esquecer, eu não quero estar aqui, por favor, tenham piedade de mim.
OBS:  Rafael  J. era um rapaz de 24 anos, responsável, uma criatura do bem e de bons princípios e  religioso. Foi amparado no local do acidente. Está se recuperando do trauma e passa por um processo de sonolência para repor suas energias e foi necessário esse despertar para os primeiros trabalhos de recuperação e fortalecimento espiritual, onde o sono vai ajudar no equilíbrio de suas lembranças.  
Ele foi vitima e não culpado, mas o seu senso de responsabilidade é tão grande e o amor pela família é de um valor enorme.
Agora ele volta para o seu repouso necessário, onde trabalhadores do bem vão estar  todo tempo do seu lado auxiliando para que seja logo despertado, para receber a noticia de que todos estão vivos e que ele não fechou seus olhos, ele usou de sua habilidade e experiência  e conseguiu salvar todos.
Fiquem em paz e continuem com esse trabalho que é de grande importância para os irmãos que sofrem.
Um trabalhador da casa.    

                                                            
Psicografia recebida em 2018.
             Médium: M. Nicodemos

sexta-feira, 28 de setembro de 2018



FEIA POR  DENTRO E  POR  FORA

 Sou uma pessoa extremamente infeliz, ou melhor, um espírito devedor, envergonhado pelas coisas que fiz.
Vivi uma vida de prazeres e luxurias, tive tantos homens quantos eu desejava, explorei muitos deles, vivia numa casa luxuosa, cercada de criados.
Não nasci pobre, era rica o suficiente para ter tido uma vida digna, podia ter aproveitado a minha situação financeira para estudar, para crescer, para ajudar tantas pessoas, mas tão logo meus pais morreram em um acidente eu herdei sozinha grandioso patrimônio.
E o quê fiz? Me lancei em festas regadas a drogas e sexo, não precisava, mas tinha o prazer de me prostituir. Como era muito bela, bem tratada e bem vestida atraia homens muito ricos aos quais eu explorava sem dó. Queria sempre mais, mais sexo e mais dinheiro, não poupava gastos em salões de belezas. Gastava rios de dinheiro com isso. E assim eu ia vivendo, linda, rica e cercada de pessoas importantes, homens influentes, era tudo luxo e prazer.  
 Frequentava os lugares da moda, restaurantes finos, viajava muito e me hospedava nos melhores hotéis, muitas vezes bancada por homens ricos que me queriam mostrar como um troféu. A maioria desses homens tinham família, mulher e filhos, e eu não me importava com isso. Muitos lares eu destruí, muitas mulheres eu fiz sofrer e até levei uma delas ao suicídio de tanta vergonha e dor. Nada disso me atormentava, eu simplesmente ignorava.
O tempo foi passando e fui chegando a idade madura sem no entanto aceitar isso, recorria a cirurgias e a tudo o que pudesse conservar a beleza e a juventude de outrora. Quanta ilusão, nada disso me serviu de nada.
Quando estava com quase sessenta anos foi diagnosticado em mim um terrível câncer que quando descoberto já não tinha mais tratamento. Estaria aí chegando ao fim da minha vida física.
Mesmo doente continuava orgulhosa, nunca dei nada pra ninguém, nunca fiz nenhum tipo de caridade, o que fazia era doar roupas e sapatos para minhas empregadas, mas com a condição financeira que tinha isso era nada. Isso para mim significava desocupar espaço para adquirir mais e mais roupas. Podia com que eu tinha ter ajudado verdadeiramente muitas pessoas, podia pelo menos ter mantido a ajuda que meus pais davam a certa instituição de caridade paupérrima e que necessitava muito dessa doação. Fui egoísta, frívola e tudo mais.
Hoje de volta ao plano espiritual vejo os que prejudiquei, as famílias que destruí, os homens que eu explorei, a mulher suicida que por minha causa acabou com a vida. Vejo meus pais e sinto tanta vergonha que sofro horrivelmente por isso. Sou a mais horrível das criaturas, minha aparência que tanto quis cultivar me transformou em uma mulher horrenda, como sou feia, por dentro sempre fui e agora por fora também.
Ousei a lhes contar essa historia para que possa quem sabe valer de exemplo para pessoas como eu.
Vivo buscando oportunidades e hoje tenho fé que vou conseguir. Parto em breve para uma reencarnação difícil, meu corpo físico antes lindo, será desta vez feio e deformado e sei que sofrerei muito com isso. As pessoas ao me olharem sentiram verdade pavor.
Mas vou com fé, não sei se conseguirei levar isso até o fim, mas tenho esse proposito e mesmo com essa deficiência física serei inteligente o bastante para poder trabalhar em benefício de muita gente.
E é isso que espero conseguir.
Orem por mim.   

Rita Maria.    

           Psicografia recebida em 2018.                                     
           Médium: Débora.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018



NÃO VALE A PENA  SE MATAR

Quais as palavras devo dizer para expressar aquilo que sinto? Palavras de afeto?  Palavras de medo ou de angústia, ou palavras que vão me ajudar a sair da situação em que me encontro?
Faz muito tempo que sei que estou morto, mas me sinto mais vivo que nunca.
Respiro, sinto frio, calor... Tenho medo... Muito medo. Porque será?
Fui uma pessoa realmente muito legal, eu pelo menos achava que era... Cumpria meus deveres de homem e cidadão comum. Eu já não era tão jovem e me apaixonei pela pessoa errada. Fui tantas vezes advertido por meus familiares e meus amigos. Mas eu estava tão envolvido emocionalmente que resolvi sair de casa e assumir uma união ilegal.
A mulher que eu amava, para mim não tinha defeitos. Eu trabalhava num trabalho que me dava o necessário para manter meu lar, se é que eu podia chamar de meu lar. Uma casa modesta, mas muito ampla e segundo eu pensava comigo mesmo poderia abrigar muitos rebentos de meu amor, os meus filhos.
E assim foi. Ela queria a qualquer custo trabalhar fora. Eu fui muito exigente no inicio e bati na tecla falando que eu não queria que ela trabalhasse.
Mas, inteligente que ela era, conseguiu se empregar em um estabelecimento público, ou melhor, em um banco.
Ia se tornando cada vez mais distante e várias vezes não almoçava em casa, e quantas e quantas vezes, chegava bem tarde da noite dizendo que o trabalho era que a prendia.
O tempo corria e a nossa convivência foi sendo afetada. Ela se arrumava com mais apuro. Aos sábados ia para o salão de beleza e ficava a maior parte do tempo.
Comecei a me preocupar, até que um dia recebi uma carta anônima que dizia da traição de minha mulher com um colega de trabalho.
Não pensei duas vezes, pensei em acabar com ela e com ele. Mas achei que não seria bom, ou melhor, que eu não teria coragem.
O que fiz? Tomei uma arma guardada em um baú antigo, mirei meu cérebro e disparei. Suicidei-me.
E aqui estou, a muitos e muitos anos, agora perambulo, mas já sofri muito e espero que a minha experiência sirva para alguns de vocês.
Não vale a pena praticar o que pratiquei. Não vale a pena acreditar em alguém que você nem sabe quem é. Já passei por inúmeros tratamentos espirituais e fiz muitos pedidos para retornar a encarnar. Mas oh! Se reencarnar voltarei demente. Não sei como será.
Quero registar aqui a minha gratidão por terem me deixado escrever.
Quero que peçam por mim. Preciso de me equilibrar mais e deixar esses pensamentos de ódio, discórdia, de desamor...
Preciso confiar mais em Deus.

Obrigado.

João. Um espirito suicida.    
  
                                                                
 Psicografia recebida em 2018.                                     
 Médium: Catarina.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018


DESCULPAS AMADOS FAMILIARES

Eu não sabia que ia causar tanta dor meus queridos. Quando resolvi acabar com a minha existência não tinha noção da dor de meus pais e irmãos.
Eu não queria fazer ninguém sofrer, eu só queria ser livre e não gostava da vida que vivia, e não conseguia enxergar novos rumos e me perdi na dor e na depressão, mas fui totalmente egoísta, não passou pela minha cabeça que era amado e que poderia causar tamanha dor.
Eu, eu e eu só tinha um pensamento egoísta sim, pensava em sair e acabar comigo, então resolvi e comecei a planejar tudo com muito cuidado e não queria sofrer numa tentativa invalida, gostaria que tudo saísse perfeito, já era uma característica minha ser, eu era,  ou melhor sou ainda perfeccionista.   
Calculei tudo com todos os detalhes possíveis e só faltava escolher o dia, eu não pensara em outras possibilidades, quando eu decidi acabar com a minha vida parei de pensar em outra atitude que não fosse o suicídio.
Veja bem, como hoje já mais esclarecido e podendo estar aqui relatando um pouco do que vive, vejo que entrei numa sintonia negra. Como deixei levar por pensamentos ruins, desânimo, e principalmente um sentimento de incapacidade? Me sentia o pior dos homens, um fracasso de pessoa. Como filho, um ser inútil, todo que fiz foi gastar o dinheiro do meu pai. Na vivência fui falência total, nos estudos sempre com muitas dificuldades e com as mulheres sempre vivendo amores platônicos, eu era um horror, um desastre em pessoa.
Um dia ouvi minha mãe falando a meu respeito com o meu irmão Luciano, este mais jovem do que eu, um rapaz sensato, lúcido, idealista e responsável. E minha mãe lhe disse: “O que teria acontecido com Joel, onde ela errou, pois sua vida passa e ele não consegue seguir, acaba da mesma forma que começou, acaba simplesmente. Luciano deixei passar a responsabilidade ou dei muitas oportunidades para ele, sem que lutasse pelos seus ideais. Me sinto culpada quando vejo ele vivendo um mundo de possibilidades irreais que só deu certo em sua cabeça.”
Vi que não teria mais jeito e que não poderia mais dar esse tipo de preocupação para minha mãe.
Marquei o dia e pronto, tirei a minha vida e fiquei ali junto deles. Não fui resgatado e nem perseguido por inimigos, fiquei todo tempo do lado da minha família e pude ver, sentir e sofrer com eles a dor de perder um querido e amado membro de uma família.
Não sei dizer quando tempo fiquei do lado dos meus, quanto tempo durou o luto, mas só sei dizer o quanto sofri por ter causado tamanha dor aos meus amados familiares.
Deixo aqui o meu pedido de desculpas e perdão a todos vocês meus queridos.  

Joel Silveira.  

Psicografia recebida em 2018.
          Médium: M Nicodemos.  

sexta-feira, 7 de setembro de 2018



ASSASSINO DE MIM MESMO


Venho aqui agradecer a infinita misericórdia de Deus, como me sinto agradecido a Ele, eu um assassino de mim mesmo. Hoje depois de tanto sofrimento me sinto leve e até feliz, feliz porque me encontro em reeducação, muitos erros cometi e pior deles, tirar minha vida por fraqueza, por covardia... Passarei agora a contar minha historia.
Estive por um tempo que não sei precisar, em lugar de muita dor e sofrimento, lugar escuro e lodacento, sem que o raio do sol se faça presente para iluminar a dor de todos os que ali têm a infelicidade de estar. Os dias são sempre noites infinitas, quando eu estava lá não sabia quem eu era, vivia numa mesma triste cena, um corpo caindo, a fração de tempo pequena era infinita numa cena única, me via me jogando de um lugar alto e me arrebentando no solo, essa cena se repetia e repetia infinitamente...  
Quanta dor experimentava minha alma aflita. Tudo era dor e solidão. Não sei quando nem como eu finalmente adormeci, assim como não sei por quanto tempo estive adormecido, sei que um dia abri meus olhos e a luz agora se fazia presente, o lugar era iluminado por raios solares, o ambiente limpo e eu estava deitado em uma cama confortável.
Nesse despertar comecei a me lembrar, sim, eu havia acabado com a minha vida, lembrei quem eu era e o porquê havia feito aquilo, quanta tristeza e arrependimento senti, que bobagem fizera, quis punir alguém e o maior punido tinha sido eu mesmo, e por motivo tão banal, que arrependimento...
Chorei muito, sofri de dor e remorso, mas estava ali naquele lugar aconchegante, lembrei de onde estava antes de adormecer, senti um frio percorrer todo o meu ser, um pavor, medo de voltar para onde eu estava, não suportaria!
Nesse momento uma luz muito grande se fez presente, e uma mulher em forma de anjo se apresentou a mim, aquele olhar ao tocar o meu fez milagres em mim, me senti envolvido em uma enorme paz, era nesse momento a misericórdia de Deus se apresentando a mim, estava sendo socorrido, senti vergonha, mas me deixei levar pelo olhar bondoso que me acariciava o ser tão dilacerado pela dor.
Fui acolhido, aceitei a ajuda, fui resgatado, e assim estou hoje, em processo de reeducação, preciso aproveitar essa bendita oportunidade que recebi, agora aprendo a valorizar a vida que um dia desprezei, aprendo a valorizar tudo o que tive e eu não dei importância.
Por isso agradeço a Deus, agradeço por ter me tirado daquele lugar e por me fazer entender o quão leviano eu fui, se tive a alegria desse resgate é porque Deus se apiedou de mim. Agora sigo aqui aprendendo e agradecendo, e espero me fazer merecedor da misericórdia que Deus teve comigo.
Estou tão feliz, hoje enxergo a luz depois de tanta escuridão. Sai de um lugar de lodo, sofrimento e dor. Que Deus continue a me auxiliar e eu possa vencer essa fraqueza, essa covardia que fiz a mim mesmo, tenho fé e esperança que tempos melhores virão e que eu poderei mostrar a minha gratidão, regressando à carne e sabendo respeitar o dom da vida.

Ricardo.

           Psicografia recebida em 2018.                                     
           Médium: Débora.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018



MATEI-ME, MAS NÃO MORRI

         Certamente todos que ouvirem minha narrativa vão me censurar, me acusar.
         Não sem que eu me justifique.
      Já não tinha nada a perder, pois já tinha perdido tudo, até minha dignidade. Nenhum homem suporta o peso de uma censura, de uma acusação. Apesar de ninguém dizer uma palavra sequer, minha consciência me acusava. Eu não pude resistir. Pensei em desertar, pensei em sumir, mas não ia adiantar, pois iam me encontrar.
       O céu para mim não era mais azul como na minha adolescência, nem os dias claros de minha infância.
       Tudo parecia nublado em minha mente, não havia solução. E então resolvi desfechar o golpe derradeiro: “acabar comigo mesmo, me matar”.
          E eu o fiz com uma frieza e uma decisão tão firme, que hoje eu não sei como tive coragem.
         Eu não suportava a ideia de matar um animal sequer, nem que fosse para matar a fome. Mas me matei.
         Vivia muito calado e acabrunhado. Aquela ideia não saia da minha mente, e mesmo depois de morto queria acabar comigo, mas não acabava. Porque na realidade eu me matei, mas me sentia vivo. Tinha ódio de mim mesmo. Porque viver? Mas vivia. Era um sofrimento atroz porque os ferimentos doíam, e como doíam. Sangravam e sangravam. Minha cabeça era como um trovão, e um relâmpago passava em minha visão.
         O que fiz meu Deus? Eu não sabia mais de nada... Será que fiquei doido? Hoje sei que sim, pois em sã consciência jamais alguém faria o que fiz. Mas acontece que me sentia realmente vivo e sofria porque eu não morrera.
        Vaquei, andei, gritei, tampei os ouvidos, mas não conseguia estancar o sangue que saia da minha cabeça.
         Venham me ajudar! Gritei um dia, depois de muito sofrimento.
        E uma pessoa, simples, na capa de um mendigo se aproximou e com a beira de sua veste rasgada me enrolou e me carregou.  Me levou à sua choupana e disse:
 “Vou te ajudar, porque você fez essa ação inconsequente levado por irmãos ignorantes e desejosos de sua queda. Você não foi bastante forte para resistir à influência deles. Vou deixar você aqui e pedir socorro a irmãos maiores, porque é a única coisa que posso fazer no momento. Beba um pouco d’água e durma.”.
         E dormi. Quanto tempo? Não sei.
       Acordei muito depois em um lugar amplo, numa maca sendo conduzido por enfermeiros atenciosos, que já haviam feito um curativo em minha cabeça e me levaram a um hospital, “hospital público”, mas muito limpo, porém onde ficavam pessoas que como eu atentaram contra a vida, mas em vias da recuperação.
      Coisas muito tristes, que não quero e não posso narrar. Mas foi lá que encontrei a paz. Estou assistindo filmes de valorização da vida, que me fazem ir às lágrimas, e que me dão a vontade de voltar atrás para recuperar o tempo que perdi.
    Vou ser transportado para outro lugar onde poderei ser útil, mas só quando estiver totalmente recuperado.
        
        José da Silva Filho.
                                                                      
       Psicografia recebida em 2018.                                     
       Médium: Catarina.