MÃE QUERIDA,
Primeiro veio você, com a alegria e a
promessa de um dia me receber.
Anos depois cheguei eu, com a promessa de
muito poder te dar.
O tempo passou, depois dos primeiros anos,
com você não precisava mais contar.
Jovem arranjei um jeito,
um jeito de viajar e, por pelo menos alguns meses, no meu destino poder mandar.
Minha vontade era de
lá, lá no estrangeiro ficar, mas como? Se ainda não poderia me sustentar?
Voltei contrariado,
afinal meus estudos eu precisava terminar, e para isso com os recursos do meu
pai, era o que eu tinha para contar.
Estudei, me preparei, mas sempre a imaginar,
do dia em que eu ficaria livre do nosso lar.
Quando tudo estava arranjado, fui então
viajar, mas dizendo que logo iria voltar.
Minhas asas cresceram, já conseguia voar e
porque eu teria que notícias lhes enviar?
Andei mundo afora, sem jamais de você me
lembrar.
Depois do tempo passado, comecei a
imaginar, vou agora desfrutar de tudo que o dinheiro possa me dar.
O tempo passou ligeiro, vivi feliz com
muito dinheiro e chegou então a hora de eu voltar, não mais ao nosso lar.
Voltar pra verdadeira Pátria, que estava a
me aguardar, lá teria eu, que todos os meus atos prestar.
Foi aí que me lembrei, que um dia eu tive
você, você, mãe querida, que eu nunca mais procurei.
Onde
estaria você, queria te encontrar, mas no lugar que eu estava, era certo, que
você ali não poderia estar.
Te procurei em vão, até que um dia alguém
me disse, não adianta procurar, sua mãe aqui sempre vem e você não a consegue
enxergar.
A única coisa que faz, é por você orar.
Chorei, e me perguntei em que hora da minha
vida resolvi te abandonar.
Hoje, aqui de volta, procuro uma
oportunidade de algum dia te encontrar, e quem sabe, novamente, você, no seu
colo me embalar.
Perdão mãe querida, eu queria viver minha
vida, mas nessa vida vivida poderia ter deixado algum lugar reservado para o
meu amor por ti cultivar.
Otávio.
Psicografia recebida em Reunião de
Psicografia de 2014.
Médium:
Débora.