domingo, 31 de janeiro de 2016

O AUTISTA

Hoje não me sinto só, realmente nunca estive, mas não conseguia sentir a presença de ninguém. Quantos tentaram chegar perto de mim e eu simplesmente não permitia tal aproximação.
Sempre gostei de ficar sozinho e ia para um mundo onde eu era eu somente, ali eu ficava a brincar, estudar e muitas das vezes a morar, pois ficava nesta situação por dias, entregue aos meus pensamentos.
Meus pais estavam preocupados comigo, sou de uma família grande, eu tinha quatro irmãos e todos viviam de acordo com as conficções da vida, todos estudavam, brincavam com amiguinhos e ficavam sempre ligados nos acontecimentos familiares e corriqueiros. Eu não vivia só e sozinho ficava, as  vezes eu pegava um brinquedo e ficava com ele por hora, mas sempre no meu mundo, um mundo onde só existia eu, somente eu.
Meus pais já não aguentava mais ver aquele menino tão bonito e inteligente, pois possuía um QI muito elevado, não tinha nenhuma dificuldade com os números, mas gostava de viver no seu mundo sozinho.
Visitei vários médicos, possuía um distúrbio, mas eles não sabiam qual, e principalmente como lidar. E eu ali vivendo no meu mundo sozinho, eu não conseguia explicar que eu estava feliz, pois eu estava num lugar onde eu queria estar, que eu havia criado e era o meu mundo.
Um dia minha mãe já muito angustiada de não poder me ajudar, pois havia crescido e virado um homem, um homem que não deixou de viver no mundo que eu gostava de ficar. Ela ficou me olhando e tentando entender, onde um rapaz como eu poderia estar, onde sua cabeça o levava e ele ficava por horas e dias em estado de plena fixação e disse: eu tenho que achar um profissional que vai ajudar o meu filho a sair deste estado e viver a vida que todos viviam. Vou procurar um psiquiatra, não que eu acho meu filho louco, na época havia muitos preconceitos que com os psiquiatras somente loucos eram tratados.
O dia da consulta chegou e logo o medico Dr Joaquim falou: seu filho é uma criança autista e com uma inteligência maravilhosa, a senhora tem que leva-lo a uma escola, onde tem profissionais capacitados que iriam ajudar e a fazer seu filho a viver com menos frequencia no mundo dele, trazendo ele para viver um pouco mais aqui e com vocês.
Hoje já desencarnado e tendo já um pouco de conhecimento e estudo muito a respeito do autista, e vejo que eu precisava mesmo estar em um mundo que eu havia criado, pois não seria um ser humano normal e sim um ser humano terrível.
Quero deixar aqui os meus agradecimentos aos meus pais que com um pouco de conhecimento e amor, conseguiram muitas das vezes me trazer para o mundo real.   
Um grande abraço a todos.  

João Gabriel.                               

 Psicografia recebida em dezembro 2015.

             Médium:  M. Nicodemos.

domingo, 24 de janeiro de 2016

COM DEPRESSÃO ME MATEI

         Por que esse choro, por que essa aflição? Você tem de tudo é jovem, feliz... O que mais você quer?
         Era isso que todo mundo que me conhecia falava para mim. Eu era um trapo humano, só chorava e queria morrer para ver se tudo isso acabava. A depressão me consumia.
        Cada dia que passava era um tormento. As noites um pesadelo. Eu era uma jovem, que aos olhos dos outros nada me faltava. Mas me faltava algo que ninguém percebia. Era uma força interna, capaz de me sustentar. Eu era vazia... Não tinha sonhos, só pesadelos. Até que um dia eu resolvi liquidar com tudo isso, e me matei.
         Aí sim, sofri, sofri e sofri muito. Aquilo que eu havia sofrido em vida não era nada perante meu sofrimento após a morte. Achava que estava viva e as dores me dilaceravam. Aí sim, não tinha ninguém para me perguntar o “porquê” daquele sofrimento. Só me acusavam de covarde, de fraca, e inconsequente. Eu não conseguia nem chorar, porque não deixavam. Tinha sede e fome, mas nada para me saciar.
         Aí pensei em minha mãe, como ela teria ficado sem mim? E eu a vi e a ouvi:  Filha malvada, egoísta que só pensou em si. Tudo fiz para ajudar. Paguei os melhores psiquiatras, comprei remédios caros. Procurei ajudar o quanto podia. E qual foi a resposta que me deu? Matou-se. Agora nada mais poderei fazer, pois quem está em depressão sou eu. Só que com ajuda de Deus eu não vou praticar o ato que você praticou. Lavo minhas mãos, pois não posso ajudá-la.  
         Hoje eu estou bem melhor, pois ao me sentir só e vendo que minha mãe teria ajuda de Deus, procurei também buscar Deus para mim.
         Apresentou-se a mim uma pessoa bondosa, que carinhosamente me pegou em frangalhos e me levou para um lugar onde pude ser lavada, tratada, alimentada e onde fui morar por uns tempos. Muitas pessoas como eu lá estavam: uns em recuperação, outros tresloucados que mal sabiam o que havia acontecido, mas todos sem exceção eram suicídas como eu.
         De tempos em tempos tínhamos a obrigação de levarmos alimentos e agasalhos para eles. E quando um ou outro se recuperava, nós também nos melhorávamos.
        Tivemos uma ocasião em que numa reunião espiritual pudemos expor nossas situações de encarnados (na encarnação anterior) e vimos que era uma prova que tínhamos que passar, pois fomos suicidas em outras vidas, mas sucumbimos.
        Vamos fazer um curso aperfeiçoamento moral em que vamos ser instruídos para uma nova encarnação, com provas mais severas. Mas temos certeza que Deus não vai nos desamparar.
         Queremos com essa carta dizer a vocês: Valorizem  a encarnação, por pior que ela seja. As provas passam, e são levadas como folhas ao vento. Somem e nem percebemos. Quando vier a tentação não devemos vacilar em pedir ajuda aquela pessoa ao nosso lado. O orgulho é benéfico, mas tenhamos a humildade de dizer ao outro: Estou sofrendo me ajude!
  
         Cris.   Um espirito suicida aos 19 anos.   
                                                                   
 Psicografia recebida dezembro 2015.                                     
 Médium: Catarina.

domingo, 17 de janeiro de 2016

MINHA FILHINHA

Aquele dia recebi a noticia mais feliz da minha vida, abri o envelope com o resultado do meu teste de gravidez e o resultado era finalmente positivo, depois de muitas tentativas frustradas finalmente meu sonho seria realizado, um filho, teria um bebê por quanto tempo eu e meu marido esperamos por isso.
Corri no escritório do meu marido para dar-lhe a noticia pessoalmente, e me lembro da felicidade que ele sentiu, estávamos em êxtase, reunimos mais tarde a família para a tão esperada noticia.
A felicidade tomou conta das nossas vidas e começamos a nos preparar para o maior acontecimento, a chegada do nosso bebê. Consulta mensal ao médico, como toda gestante faz, tudo seguia bem, tudo era felicidade sem fim.
Os preparativos para a chegada da nossa menina, tudo foi comprado para a montagem do quartinho da nossa filha. O enxoval feito com o maior amor, quantas roupinhas lindas eu comprei, e a cada compra ficava imaginando a minha pequena vestidinha com elas. O quartinho todo decorado, lindo, tudo de melhor e mais lindo foi comprado.
Preparei-me durante todos aqueles meses, eu estava muito bem de saúde, com isso conseguia tranquilamente resolver tudo.
Enfim chegou o oitavo mês, e eu já estava com tudo pronto, afinal minha linda menina já estava perto de chegar. As roupinhas separadas, tudo em ordem. O dia do parto foi marcado, logo cedo fui para a maternidade louca de alegria e ansiedade, passados algum dia eu levaria minha menininha pra nossa casa para começarmos nova vida que com certeza seria repleta de alegrias.
Fui para o centro cirúrgico, confiante e feliz. Durante meu parto houve uma complicação e entrei em parada cardíaca, hoje sei disso, tentaram me reanimar, mas não resisti. Minha filhinha nasceu linda e saudável, mas eu não resisti, morri no parto.
Quando acordei no plano espiritual não conseguia entender, não queria entender, o que sofri não consigo descrever, que dor meu Deus!  Tudo o que eu mais sonhara na vida acabou, nunca pude ver o rostinho da filhinha tão esperada, nunca a peguei em meus braços, nunca lhe amamentei.
A dor imensa tomou conta de mim e eu briguei com Deus, porque Ele fez isso comigo? Passei muito tempo em sofrimento extremo sem me dar chance de receber auxilio.
Hoje passados muitos anos, minha pequena já é uma moça, e que moça linda, meu marido casou-se novamente e teve mais dois filhos, a nova mulher dele criou a minha menina com muito carinho, ela teve uma mãe amorosa e hoje agradeço a ela por ter cuidado da minha filha com tanto amor.  Minha menina a chama de mãe e eu agradeço a Deus por ela ter tido uma mãe boa e carinhosa. 
Não posso dizer que foi sempre assim, no começo sofri muito em ver que alguém tomou o meu lugar, rejeitava aceitar o amor que minha filha sentia por ela, ve-lá chamando de mamãe, enquanto eu sua verdadeira mãe nunca pude ouvir isso. Como fui egoísta! Deus é infinitamente bom, minha filha tem hoje uma mãe maravilhosa. Que Deus auxilie essa mulher a qual sou extremamente agradecida, ela não faz a menor distinção entre os filhos que ela gerou e a minha filha.
Obrigada minha irmã por tudo, pelo carinho que dedica a minha filha.
Feliz de quem parte e sabe que o maior amor que teve no mundo está sendo amada e cuidada.
A você minha irmã querida, minha eterna gratidão.

Sandra Regina.  
                                              
Psicografia recebida em dezembro de 2015.                                     

            Médium: Débora.

domingo, 10 de janeiro de 2016

NÃO VOLTAREI A TERRA

Queria hoje escrever uma bela história, mas infelizmente não tenho nada de belo a relatar de minha vida, de minha existência.
Desde pequenino a dor me acompanhou, sofri fome, frio, humilhação e toda sorte de sofrimento.
Não tive a chance de ter amor de pai, mãe e nem de ninguém.
Ganhei as ruas ainda pequeno e lá continuei o meu martírio de surras, fome, frio... Enveredei pelo caminho da revolta e de sofrimento, passei a roubar, ser avião de traficante e daí para o primeiro assassinato foi um pulo.
Tirar a vida de um outro moleque de rua como eu foi como matar um cachorro de rua, senti prazer e isso me inebriou, entranhou em minha alma e daí tornei-me um assassino; com 18 anos já havia eliminado algumas pessoas, não precisava motivo forte, o prazer em tirar vidas me fazia feliz.
Tolo que fui, tornei-me um monstro, com desculpa de ter tido uma infância infeliz, tentei levar a infelicidade a outros.
Fazia parte de uma quadrilha e assim junto com outros indivíduos como eu organizamos um grupo de extermínio, e por dinheiro, favores ou até mesmo pelo sentimento de “justiça” eliminamos inúmeras pessoas, usando por vezes de práticas de extrema crueldade.
Um dia esse mesmo grupo voltou-se contra mim e fui eliminado e desovado em uma vala.
Cena dantesca foi o momento em que verdadeiros “vampiros” sugavam-me e me extirpavam. Ah, que sofrimento. Anos e anos sofri, sofri muito, mais que todos as dores de minha infância multiplicada por mil.
Hoje fui socorrido e estou em tratamento, estou em condições precária e principalmente prisioneiro e presidiário de minha consciência.
Peço perdão a todos que levei o mal e rogo a Deus a oportunidade de reparar esses erros, mas não sei como, pois tenho muito medo de tudo que terei que encarar, isso se alguém quiser receber-me como filho ou se conseguirei voltar aqui nesta Terra que não soube aproveitar.    

Zé Luiz.

 Psicografia recebida em dezembro de 2015.                                     
             Médium: Luciano C.

sábado, 2 de janeiro de 2016

NATAL COM SIMPLICIDADE

Eu tive várias reencarnações, sempre nasci em família desprovida de tudo, moradia, emprego e na total miséria, mas sempre eu me sentia feliz. Esse sentimento de felicidade foi entrando no meu coração à medida que os meus anjos iam falando comigo, de forma tal, que eu ia lembrando de mim criança correndo nas vielas, os meus pés descalços na lama, água suja e eu ali feliz.  
Meus pais sempre muito honestos e trabalhadores, minha mãe faxineira, meu pai biscateiro e muitos irmãos, todos pequenos ainda. E foi passando um filme, é um filme mesmo, essa era a sensação que eu tinha.
Quando chegava o natal, essa época era de muito sofrimento para os meus pais, para nós não, eu e meus irmãos, o natal era a pura esperança. Escrevíamos cartas, colocávamos meias nas portas e os nossos corações cheios de esperanças e expectativas.
Minha mãe quase enlouquecia na procura de mais faxinas que pudesse nós dar um brinquedo somente e realizar um sonho de seus filhos. Meu pai nem dormia, fazia “bico” durante o dia e a noite era garçom, isso era todo ano. Nossa casa era a referência de todo o morro, minha mãe fazia questão de deixar a porta aberta para que todos aqueles que quisessem cear conosco seriam bem vindos. E a criançada sabia que tinha comida boa e um brinquedinho novo.
Como eu era feliz, o meu coração era leve, não era bonita, não tinha cabelos bem cuidados, nem perfumes importados, mas nós éramos felizes com tão pouco e fazíamos tanta gente feliz.
Mas infelizmente não foi sempre assim e você que está lendo está psicografia não vai entender nada porque eu na minha ultima reencarnação tirei minha vida  num dia de natal. Eu uma mulher rica, realizada profissionalmente, uma família linda, uma casa enorme com esgoto encanado, luz, computador, mas nada me fazia ser feliz, tudo era muito estranho, como que o mundo que eu vivia não me pertencia. No natal sempre fazia trabalhos voluntários, distribuía presentes nas comunidades, isso sim, me fazia feliz.
Quando voltava para o meu mundo, era uma tristeza que não mais agüentava, tomava remédios para dormir, tomava para acordar, eu não queria viver assim.
Eu queria ser feliz por completo, de corpo e alma e isso não acontecia e quando chegou o mês de dezembro, não suportei tanta diferença de classe social e a felicidade daqueles que não tinham nada era tão linda e profunda que eu enlouqueci e foi o meu fim.
Hoje com todo o esclarecimento que tenho aqui, vejo que eu fui feliz com pouco e não estava preparada para viver uma vida com tantas facilidades.
Hoje eu comemoro o natal com simplicidade e me sinto muito feliz, mas tenho muito para aprender e estudar.
Vou ser feliz neste dia em que comemoramos o nascimento de Jesus.         
    
Lindalva da Cruz.     

 Psicografia recebida em dezembro de 2015.

             Médium: M. Nicodemos.

domingo, 27 de dezembro de 2015

UM  DIA  EU VOU  SABER

         Somos todos descendentes uns dos outros, queiramos ou não somos uma só família. Assim sentia eu, pois morei em um orfanato, órfão de pai e mãe (eu achava assim) estava sempre a espera que alguém me adotasse. Vinham pessoas de todos os lados, eu achando que iam me querer... Mas qual o que? Olhavam-me de lado e passavam.
          E eu pensava assim: não sou descendente dessa pessoa, ou melhor, o nosso sangue não é igual? Mas nada. Ninguém me queria. Atingi a adolescência e chegou a hora de me virar.
          O orfanato mesmo cuidou de me arrumar um emprego. Nesse emprego eu dormia, comia e afinal de contas morava. Só que eu continuava sendo rejeitado. Meus patrões me exploravam de todo jeito: eu trabalhava quase a exaustão. A comida era controlada. À noite eu sentia muito frio, no tempo do frio e muito calor quando era o verão. O cômodo era muito pequeno e eu resolvi fugir.
           Aí sim eu sofri, sofri muito. Primeiro de esquina em esquina, procurava as pessoas, mas elas se esquivavam. Pedia algum dinheiro e elas às vezes me davam, às vezes não. Continuava a andar sem rumo até que eu encontrei embaixo de um viaduto pessoas que, como eu também perambulava. Elas me ofereceram algo que gostei. Era craque. E foi assim, fiquei com elas e me tornei um viciado. Aí não conseguia ficar sem a droga e resolvi como as outras pessoas, roubar para sustentar a droga.
           Não fiz amizade real com ninguém, só pensava em suprir as minhas necessidades físicas. Alguém me denunciou por roubo e fui indiciado como ladrão. Fui preso varias vezes. Estava na prisão, revoltado comigo e com a vida, quando chegou alguém que queria me ver. Era um antigo colega do orfanato que em ofereceu a mão, me levou para a sua casa, me banhou, me olhou e orou para mim (ele se tornou evangélico).
            Tinha família formada com esposa, filhos e um netinho que acabou de nascer. Tudo na vida dele correu normalmente como manda a vida. Eu, porém era um pobre coitado sem nada. Ele me levou para a sua Igreja e lá fui recuperado. Cheguei até a fazer a leitura lá na frente do altar.
             Mas a droga já havia corroído em mim minha saúde física e comecei a sentir os efeitos funestos de sua ação. Adoeci gravemente, fui para o hospital e lá morri. Fui velado e sepultado por esse amigo, a quem devo todo meu respeito e gratidão.
             Hoje eu me acho em um hospital espiritual onde sou tratado. Vem sempre um pastor que dialoga comigo, me ajuda e me orienta.
             Pergunto a ele o porquê de certas situações, por exemplo: porque eu não tive a mesma sorte de meu colega que como eu foi criado num orfanato e que teve uma vida tão boa? Porque eu sofri tanto, se nada fiz por merecer?  Ele diz que um dia eu vou saber, mas que por enquanto ainda não posso, porque estou me recuperando.
            Hoje tive a oportunidade de escrever nessa reunião, auxiliado por esse pastor e ajudado por uma mulher que diz ser a minha mãe.
            Obrigado a todos.
   
            Eduardo Noronha. 
                                                        
 Psicografia recebida em 2015.                                     

 Médium: Catarina.

domingo, 20 de dezembro de 2015

TEREMOS  NOVA OPORTUNIDADE

Minha mãezinha querida, foi tão pouco tempo que passei junto a você, junto ao meu paizinho, sei o quanto sofreram com a minha doença, ver aquele ser indefeso sofrendo cortava-lhes o coração.  
Ah minha mãezinha te agradeço tanto por ter me recebido, por ter me acolhido em seu ventre, em ter me amado tanto. Sei que nunca consegui desde o meu nascimento ver você ser feliz, vi o seu sofrimento com a doença que eu trouxe ao nascer e me acompanhou pelos quase cinco anos que passei junto à vocês. Sei que viviam um dia após o outro, com esperanças de que eu pudesse me recuperar, mas também com a triste certeza de que eu não poderia passar muito tempo aí.
Até que vivi um pouco mais do esperado, mas mesmo assim nosso tempo foi tão pouco, mas o suficiente para criarmos elos de amor eterno, sei o quanto aprenderam a me amar e eu a vocês. Sei que teremos nova oportunidade juntos e nessa próxima oportunidade serei um menino saudável, cheio de saúde e não será como foi, dessa vez terei uma longa existência e poderei proporcionar a vocês muitas alegrias.
Sei que para sempre sentirão saudades minhas, mas quem sabe eu não estarei aí bem pertinho de vocês em um novo corpinho?
Minha mãezinha, meu paizinho querido Deus prepara grandes alegrias para nós, ainda seremos uma família muito feliz juntos com os outros filhos que vocês terão e serão meus irmãozinhos amados. 
Não chore mais, coloque um sorriso no rosto, nosso reencontro não tardará. Enquanto isso peço que retornem as suas vidas, volte mamãe para o seu consultório que ficou tanto tempo abandonado para que você cuidasse de mim, sua profissão é linda e você precisa voltar.
Tenha fé em Deus, fé no futuro, não estamos sós e nem desamparados, o tempo conta a nosso favor e em breve viveremos momentos muito felizes.
Seu sempre filhinho querido.

 Márcinho.                                                                         
                                                         
Psicografia recebida em 2015.                                      

            Médium:  Débora.

domingo, 13 de dezembro de 2015


DE NADA VALEU O GLAMOUR

Dormi uma dama da sociedade e acordei um farrapo...
Como é possível me ser dado tanto e de uma hora para outra me ser tirado tudo, por quê?
Vivia o luxo da mais alta Sociedade Carioca, vivi ao lado de pessoas da mais alta estirpe, tinha as facilidades tinha amigos, tinha uma bela casa, bebia os melhores vinhos, enfim tinha tudo.
Dormi um dia após mais uma noite de festa e glamour e ao abrir meus olhos não acreditava no que via, estava em um pesadelo, afinal eu estava um verdadeiro lixo humano, nada parecido com a bela mulher bem tratada que sou. O cheiro de perfume deu lugar ao odor mau cheiroso da podridão, a bela casa sumiu e estava eu em um lamaçal fétido e frio e nem mesmo  a água para refrescar meus lábios ali eu tinha.  
Onde estão as pessoas que sempre se alinhavam comigo nas festas, onde?
Tudo aquilo era ilusão, a vida que achei que vivia foi uma grande ilusão, de nada valeu o glamour e as festas, fui vil e mesquinha. O que tanto cultivei, o que tanto busquei só serviu para ajudar-me a mergulhar neste mar de lodo e lama que hoje vivo. Nem de perto sou a linda mulher do passado.
Tanto busquei a fama e o reconhecimento que encontrei a miséria e a face sórdida de mim mesmo.
A morte mostrou-me o como eu realmente era.

Ângela.   

            Psicografia recebida em 2015.                                     

            Médium: Luciano C.

domingo, 6 de dezembro de 2015

AS DROGAS X MEU PAI

Meu pai me perdoe, preciso muito do seu perdão, sinto que ainda guarda rancor, raiva e muita tristeza quando se lembra de mim. Sinto muito por tudo que eu fiz o senhor passar, noites inteira sem dormir, procuras em hospitais e até mesmo em IML. Sei do seu sofrimento meu pai e da minha responsabilidade, hoje não tenho um minuto sequer de paz, gostaria tanto poder está com o senhor e ajoelhar em seus pés e pedir perdão.
Tenho passado por muitas provações aqui meu pai, o meu corpo sofre de ulceras terríveis na pele, a minha garganta está toda machucada devido o mau uso das palavras e o meu corpo sofre devido as drogas, etc. Hoje tenho uma senhora que cuida de mim e uma equipe que faz tratamento espiritual, pois eu ainda sinto muita falta das drogas e da vida louca que vivia.
Não consigo dormir ainda uma noite inteira, como passava muitas noites acordado por efeito das drogas, sinto que estou perdido. Meu pai ore por mim, pense em mim para que eu sinta o seu amor e o seu calor.
Estou aqui num momento único, onde me foi dado essa oportunidade de dizer o quanto estou arrependido de ter feito tanto mal a você meu pai.
Sei que esta carta o senhor não vai ter acesso devido a sua crença, mas estou aqui nesse desabafo para alertar a muitos que o efeito das drogas não é somente no usuário que ela fere e consome, mas também nos seus mais queridos e amados que tanto sofrem que chegam a pedir a morte por não querer ver o seu amado filho se perder nas drogas.
Hoje sei o que sofro não é somente por minhas atitudes e sim por todo o sofrimento e noites sem dormir que fiz o meu pai passar.
A dor que é física é tão pequena em relação a que sinto na alma e no meu ser. E sei que essa dor não é só minha e sei também que o meu pai sofre porque ele me disse: “não quero perder o meu filho para as drogas”, e rogava a Deus para me salvar. Sua fé foi muito abalada quando faleci e ele ali vendo o meu corpo e eu já pedindo perdão sem ele poder me ver já foi uma loucura, uma loucura...
Senti sua fé sendo diminuída e ele cobrando de Deus o porquê Dele não ter ouvido suas orações.
Meus queridos amigos deixo aqui o meu relato, mas me sinto um pouco aliviado pois pude de uma forma desabafar e alertar a muitos que pensam em usar qualquer tipo de droga, seja ela qual for pensem em seus familiares, eles também morrem.

Um desabafo de um jovem chamado Wilson L. de 21 anos, interrompi minha vida sem pensar na pessoa que eu mais amava: meu pai.    
 

 Psicografia recebida em 2015.
             Médium: M. Nicodemos.

domingo, 29 de novembro de 2015

MELHOR COISA DO MUNDO

         Eu tinha nanismo. Minha cabeça era grande assim como minhas mãos. Meu corpo não se desenvolveu, mas o meu coração palpitava como de qualquer pessoa. Zombavam de mim e até minha mãe às vezes me escondia, eu pensava que era por vergonha de ser assim, mas hoje que estou no plano espiritual vejo que era para me proteger das zombarias.
           Fui uma criança de rosto belo, minha mãe mesmo cortava meus cabelos, enfeitava com uma fita branca e dizia que eu era bonita.
         Depois eu vi que não era bem assim. Morávamos nos arredores de uma cidade pequena e aos quinze anos eu queria ir à festa na cidade. Não quiseram me levar. Meus irmãos e minhas irmãs foram e voltaram contando as novidades. Como eu gostaria de ter estado lá.
   ue me levou tus oi tanta gente me ajudando. Nda valeu e eu morri.
 mente norrem. Mu       O tempo passou, meus irmãos casaram e eu fiquei em companhia de meus pais. Oh que coisa esquisita. Eu cuidei deles até eles morrerem. Foram enterrados no cemitério local. E eu fiquei sozinha na casa que eles construíram. Cuidava dos animais, da casa e da horta.
      Com passar do tempo também envelheci. Comecei a enxergar o que os outros não enxergavam. Via pessoas que falavam comigo. Me orientavam em várias coisas.
          Um dia um casal chegou em minha casa  correndo com uma criança no colo. Estavam aflitos e sem saber o que fazer. Me pediam socorro. A mim, uma anã e velha... Mas eis que me apareceu um senhor que só eu via e me mandou por a criança ao colo e rezar por ela. Foi o que fiz, mas esse senhor pegou a criança, enfiou os dedos em sua garganta puxando algo e a criança voltou a respirar.
           Bastou que isso acontecesse para que eu não tivesse mais sossego, todos achavam que eu curara a criança e foi uma verdadeira procissão de gente que vinha para que eu ajudasse. Nunca mais fiquei só.
            Apareceu uma moça, que morava sozinha para me ajudar e realmente me ajudou, pois ficou comigo muito tempo, morando comigo até o meu desencarne.
            Hoje agradeço a Deus por tudo isso e digo que a melhor coisa do mundo é a mediunidade.

             Ana ou Tianinha como muitos me chamavam.
                                                         
 Psicografia recebida em 2015.                                     

 Médium: Catarina.

domingo, 22 de novembro de 2015

UMA ESCRAVA FELIZ

        Todos os dias as 11:30 da manhã eu me encaminhava para a grande varanda daquela fazenda e tocava o sino, o sino que convidava a todos para o almoço.
         O prazer que eu sentia era muito grande, pois ao tocar aquele sino centenário não era só os patrões, os senhores que eram convidados para o almoço, os meus irmãos de cor também. Certo que eles não almoçavam juntos dentro da casa grande, mas naquela fazenda a comida que era servida aos senhores era a mesma servida aos escravos que ali nunca foram tratados como escravos.
        Os solteiros que viviam avulsos moravam na senzala, que mais parecia um grande alojamento com camas simples, mas todos tinham sua cama, ninguém dormia no chão, os que haviam constituído família moravam em casinhas individuais, ali todos eram tratados como gente com dignidade, embora não tivessem salário, mas não lhes faltava comida, bebida, roupa e o mais importante dignidade, coisa que para aquela época para os que nasciam com a pele negra era em maioria absoluta das vezes negada.
           Eu vivia ali, era muito feliz, mas não nasci naquela fazenda, fui vendida quando tinha 14 anos, sai de um verdadeiro inferno, pois que a fazenda que vivia o negro não tinha o menor direito, nem de comer.
           Me lembro bem de quando cheguei lá, senti muito medo, mas logo vi que aquela fazenda representava para meus irmãos de cor que lá moravam. Lá cresci, virei adulta, nunca me envolvi afetivamente com nenhum escravo, eu vivi para meus senhores, ajudei a criar aquelas lindas crianças e sempre fui muito amada por elas, eu era a Babá a Ba como eles me tratavam. Morri lá já bem velha e sempre recebendo o carinho daquela família.
          Tive uma vida muito feliz ali e penso porque não tinham o mesmo tratamento os negros em outras fazendas. Aquela família era constituída de espíritos bons, todos ali pensavam da mesma maneira.
          Essa foi a minha penúltima encarnação, e talvez a mais feliz de todas, tenho saudades daquele tempo. E quando ainda hoje, mais de um século do fim da escravidão, vejo pessoas sendo tratadas como verdadeiros escravos, pessoas sofrendo ameaças, outras sendo mortas por guerras religiosas, sinto meu coração doer. Quanto tempo já passou, e ainda se vê seres humanos com tanto ódio no coração, com tanta amargura.
           Eu creio em um mundo melhor para todos. Citei meu exemplo para mostrar que pessoas existem, em todas as épocas, que são verdadeiros anjos para o próximo.
           Não descrêem da humanidade, mesmo em meio a tanta maldade podem acreditar anjos encarnados ainda existem. Tenham fé na humanidade, fé nos seres humanos. Fé em Deus.           

           Maria, uma escrava feliz.

          Psicografia recebida em 2015.                                     

          Médium:  Débora S C.

sábado, 14 de novembro de 2015


NÃO SOU HERÓI

Não sei quanto tempo se passou, mas vejo que não é mais aquele frio e triste inverno de 1944, aquele famigerado inverno onde sofri as atrocidades daquela guerra, que ceifou milhares de vidas, vidas que não mereciam serem ceifadas.
Como foram difíceis aqueles anos, não havia paz em nenhum lugar. Eu estava imerso naquela guerra e eu lutei, matei e morri sem nunca ter tido vontade de estar ali.
Fui convocado para a guerra, o desespero tomou conta de minha vida e da minha família. Eu era tão jovem e de repente ali estava eu tendo que matar outros seres como eu, eu que não havia matado um único animal em minha existência, agora estava ali tendo que matar sem motivo algum. Eu não acreditava na guerra eu era contra tudo aquilo.
Sinto até agora o cheiro do sangue daqueles seres mortos, sinto o frio inebriante daquelas trincheiras, sinto o som das bombas e o zunir das balas, sinto o medo dos ataques que sempre aconteciam no escuro da noite.
Sinto saudades de minha mãe, da ultima vez que a vi ao embarcar naquele trem rumo a batalha.
Sinto a tristeza do primeiro ser humano que assassinei em nome da guerra e de todos outros e outros que matei.
Meu Deus me perdoa e não queria fazer nada daquilo, eu quero sair deste combate que nunca acaba eu quero voltar pra casa, eu quero ter paz novamente.
Não sou herói, sou assassino e dos mais vis, pois matei em nome de um ideal que não era meu.
Quero voltar pra minha terra e esquecer todo mal que fiz.
Não sou aquela cruz na terra distante, quero voltar a ser o garoto que corria ingenuamente nas serras de minha terra natal.

Geraldo.  

            Psicografia recebida em 2015.                                     
            Médium: Luciano C.

domingo, 8 de novembro de 2015

FUI MUITO REBELDE

Como é bom está aqui, fico maravilhada com essa sensação de poder escrever através de outra pessoa. È um milagre ou um efeito especial, como Deus é maravilhoso, nós dá essa possibilidade de confortar os nossos familiares e nos dá a oportunidade de mais uma vez poder pedir perdão mesmo estando “morta”.
Eu sou uma pessoa que não acreditava em mediunidade e espiritismo pra mim era vela, macumba nas encruzilhadas e rosas vermelhas. Não tenho nenhum conhecimento da doutrina, mas não vou questionar e sim aproveitar essa oportunidade que o Pai me proporcionou e vou pedir perdão.
Sempre fui muito rebelde, tinha umas idéias meio fora das convencionais. Gostava de me sentir livre, dona do meu nariz, mas com as minhas atitudes fiz muitos sofrerem e magoei profundamente minha genitora. Muito católica e muito correta com suas coisas e negócios, eu simplesmente retirei de seu coração o verdadeiro sentimento da felicidade, da paz e quase levei minha querida mamãe a loucura e ao desespero.
Joana era seu nome e eu Juliana sempre me perguntei do porque de tanto semelhança no nome e que foi ela quem escolheu. E eu com a minha rebeldia não fui um orgulho e nem o seu espelho de pessoa.
Mãe Joana eu quero pedir perdão e lutei muito para estar aqui. Não foi fácil para mim, durante anos ou até mesmo décadas, achava eu que você que me deveria pedir perdão. Como fui egoísta e insensível, me desculpa por todas as noites sem dormir a minha espera, por ter subido aquele morro cheio de desconhecidos e escuro. Muito obrigada por ter cuidado dos meus filhos que abandonei e que muito tempo depois do meu desencarne vieram me dizer que nenhum havia se perdido.
Muito obrigada e me perdoe, esse perdão me levou a luz e hoje já não sou mais uma menina suja e desajeitada. Hoje me sinto uma pessoa que tem vontade de mudar a sua própria história e refazer com vocês a minha nova oportunidade de vida.
Deixe que eu renasça em seu leito de amor, para que eu possa suprir todo o seu sofrimento e fazer a senhora Joana uma mulher e mãe bem sucedida.
Me perdoe Dona Joana e receba o meu abraço.
    
Juliana Carvalho.     

 Psicografia recebida em 2015.
             Médium: M. Nicodemos.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

FLORES NASCEM  FLORES MORREM

           Meu pai.
         Porque ficar desalentado com minha morte? Flores nascem flores morrem. Nem sempre as flores dão frutos e sementes.
          Assim fui eu. Jovem, tranqüilo, confiante, observador... Mas não observei que alguma coisa não ia bem em mim. Comecei a me sentir meio fraco e triste, mas não disse a ninguém. Minha mãe notou, mas eu não disse nada.     
       Estudava como qualquer um, mas estava muito aborrecido e desanimado com os estudos. Comecei a ficar pior, quando alguém disse que deveria procurar um médico. Minha mãe me levou. Exames, exames e exames.
        Quando o médico viu, eu notei um ar de preocupação em seu olhar. Era uma doença grave: leucemia.
     Chamaram-me e com muitos rodeios me disseram e falaram também que eu ia ser hospitalizado. Muitos tratamentos, mas seria necessário um transplante de medula. Fiquei internado muito tempo e durante esse tempo minha mente não parava: por quê? 
         Nem sempre compreendemos, mas durante aquele tempo fui preparado e acredito que vocês também foram preparados, mas não aceitavam o fato.     
         Um dia acordei muito ofegante, o oxigênio me faltava, houve uma correria e fui para UTI. Lá estranhei bastante porque eu nunca vi tanta gente me ajudando. Nada valeu e eu morri.
         Mamãe se desesperou, falou blasfêmias: “Onde estava Deus que me levou tão jovem”? Por quê? Meu Deus!
         Daí a pouco não vi mais nada... Fui levado de maca para um lugar que não sei falar onde fica. Tudo muito limpo e muito agradável. Meu corpo já não doía e eu estava bem. Fui cuidado por dois jovens que me falavam de vida eterna, de consolações, de alegrias vindouras e que me diziam que breve eu me recuperaria.
      Será que não precisaria mais do transplante? Disseram que não, que o corpo que estava doente foi descartado e que o corpo que eu possuía era perfeito, não necessitava de transplante.
      Dormi tranqüilo e sossegado e até hoje sinto muito bem. Faço excursões com amigos que conheci agora e às vezes vou à casa de vocês. Vejo-os, acaricio-os, mas não me vêem.
      Sou como uma plantinha ainda, porém saudável e espero novamente estar no convívio de vocês muito breve.
        Um abraço de carinho do filho
        Dudu. ue me levou tus oi tanta gente me ajudando. Nda valeu e eu morri.
 mente norrem. Mu                                                         
 Psicografia recebida em 2015.                                     

 Médium: Catarina.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

IMPRUDÊNCIA  E  REMORSO

        Quanta dor trago comigo dentro do meu peito, e não posso atribuir essa dor, a causa dela, senão a mim mesmo.
        Que saudades sinto das minhas crianças, que já não são mais. O tempo passou e eles cresceram e o pior cresceram sem a presença do pai, o que eu fiz meu Deus? Poderia ter feito tudo diferente.
        Depois de uma noite em um bar com amigos, depois de muita bebedeira, peguei meu carro para regressar à minha casa. Tinha consciência do meu estado, sabia que estava completamente alcoolizado. Sai rindo e assim liguei meu veículo rumo a minha morte, felizmente só eu morri com a minha imprudência, poderia ter sido muito pior o meu remorso se além de perder a própria vida tivesse acabado com a vida de algum inocente.
        Quando vi o que eu fiz e que com essa atitude infeliz eu jamais retornaria ao lar e encontrar a esposa amada e os meus três filhinhos, dois meninos e uma menininha, a mais nova que era o meu amor maior. Meu Deus como viver sem a companhia dos que eu tanto amava. Tinha também meus pais e meus irmãos que eu sabia iriam sofrer muito, principalmente meu pai e minha mãe. Oh minha mãe tão querida, tão boa e carinhosa, pensar no sofrimento dela me deixava louco de dor.
         Os anos se passaram, meus filhos cresceram e já são homens, minha menina se transformou em uma linda mocinha. Minha esposa amadureceu e hoje tem outro companheiro, ao qual agradeço por cuidar dela e fazer-lhe companhia, mas sei que no intimo ela jamais o amará como me amou e ainda hoje mantém muito a contra gosto do atual marido uma foto minha no móvel da sala.
          A idade também transformou meus pais em idosos, como eu gostaria de estar ao lado deles para ampará-los na velhice, no entanto, por imprudência eu acabei com tudo isso.
          Hoje a única coisa que peço é perdão, perdão aos que eu tanto amo, perdão a Deus.
          Na vida temos que ter sabedoria bastante para defender-mos nós de nós mesmos, eu não consegui fazer isso. Que tristeza!
          Choro por tudo o que eu não vivi, choro por toda vez que meus filhos choraram de saudades, choro pelos meus pais, pela minha linda esposa que ficou sozinha para cuidar da educação dos nossos filhos. Outra vida eu tivesse e tudo seria diferente. Sei que todos nós temos muitas vidas, mas o que deixei de fazer nessa que foi minha ultima vida não farei mais.
          Deus me perdoe, cuide de mim, me ajude a superar essa dor, esse remorso.
           Amo os que deixei, os amarei para sempre e sei que um dia nos reencontraremos, que quando chegar esse dia todos possam ter me perdoado.

           Everaldo Tomé.

          Psicografia recebida em 2015.                                     
          Médium:  Débora S C.

domingo, 18 de outubro de 2015


DE TODO PODEROSO A  ESCRAVO

Era noite uma de tantas outras que já havia vivido, estava naquela simples casa em que humildemente habitava.
No transcurso normal daquela noite um som que nunca mais esqueci em todos os dias dessa minha existência.
Aquele som era da arma que no silencio da noite expurgou-me de meu corpo físico.
Não consegui entender nada, a confusão se fez presente em minha mente, a visão dupla causou-me espanto e desespero. Meu corpo ali deitado, ensangüentado e ali bem na minha frente o algoz com um sorriso nos lábios e a arma ainda fumegante nas mãos.
Ali no meu esconderijo jazia meu corpo inerte e meu algoz feliz ao completar o “trabalho”. Eu o chefe do morro, o todo poderoso, ali deitado, subjugado em minha “fortaleza”.
Como que puxado por um poderoso imã dali fui retirado e em mãos de um grupo de rivais que já nos havia “passado”, quanto sofrimento ali encontrei, quanto...
Do todo poderoso a um escravo, este foi meu destino, virei um escravo.
Foram anos de muitas dores, dores atrozes, onde estava meu poder, onde estavam meus comparsas, onde?
Um dia exausto e um farrapo lembrei do Cristo e aí fui acolhido e hoje aqui posso ver o quanto errei.
Um dia espero reparar todo mal que fiz.

Jéferson.

 Psicografia recebida em 2015.
             Médium: Luciano.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

FOI MINHA PERDIÇÃO E RUINA

Estou feliz em está aqui, uma sensação muito boa e diferente, mas prazerosa e que acalma a ansiedade que carrego no peito. Me sinto bem.
Sou uma jovem muito talentosa, sou uma artista da música e canto muito bem e consigo ou melhor conseguia levar muitas emoções para as pessoas. Eu não soube usar o meu dom para louvar coisas boas para os meus (familiares), eu não dizia com respeito que eles mereciam, sempre com muita violência.
A minha voz era tão perfeita e absoluta que fui convidada para ser a cantora principal de uma opera internacional, fiquei tão enlouquecida e tão orgulhosa que foi a minha perdição e minha ruína.
Como uma jovem mocinha com uma voz tão perfeita podia ser tão cruel e tão infeliz, pois todos que conviviam comigo me achavam infeliz e mal amada, tinham pena de mim, é pena um sentimento tão pequeno e medíocre.
Meu fim foi de extrema solidão, garanti muitos bens, tinha dinheiro o suficiente para viver com conforto, mas a solidão é muito triste. Eu chegava a me sentir sufocada e achava que ia enlouquecer, mas no fundo eu sabia que a única culpada era eu, eu que busquei essa solidão com o meu jeito rude e grosseiro de viver e conviver com as pessoas. Os meus funcionários eram fiéis a mim por conveniência e pelo salário, que eu tinha que pagar bem, pois a minha fama era horrível.
Como eu consegui viver tanto tempo nessa ignorância e nunca perceber que deveria mudar, pois eu estava errada.
Para garantir uma velhice mais segura poderia ter tido o carinho de filhos, netos, ...mas não, não quis filho, pois não queria que meu corpo modificasse, e também não quis conviver com os meus irmãos e sobrinhos, pois todos eu julgava pobres e mal educados.
Hoje eu não tenho ninguém, fui resgatada de um lugar terrível, frio e escuro, por uma luz de muita bondade e amor. Não sei dizer quanto tempo estou neste lugar,  mas pude perceber que foi a misericórdia de Deus que me salvou, pois não cativei nenhum amigo e nenhum familiar que pudesse ter tão nobre sentimento por mim.
Sou hoje uma pessoa em melhoramento, tentando buscar dentro de mim sentimentos que eu nunca tive por mim e por todos que estavam comigo.
Sou uma irmã resgatada, estou emocionada, de uma zona escura e quero com ajuda do Pai conseguir ser uma pessoa melhor e ter o direito de uma nova oportunidade na carne.
Hoje eu consigo ver a luz com menos sofrimento e com menos solidão.
Um grande e caloroso abraço a todos.

Larissa Ferreira.

 Psicografia recebida em 2015.

             Médium:  M. Nicodemos.

domingo, 4 de outubro de 2015


CÃES  E  GATOS  ESPIRITUIAS

          As dores no meu peito sempre apareciam e depois passavam. Mas naquele dia não. Parecia ao contrário que elas pioravam e pioravam. Eu estava só, mas mesmo assim fiz tudo o que tinha que fazer. Arrumei-me, tomei meu banho e ia me deitar. Mas meu peito ardia e doía muito. Quis gritar, mas não pude. Cai, fiquei desacordada. Eu achava que estava desacordada, mas não estava.
          Ninguém aparecia para me socorrer. Eu sangrava, pois bati com a cabeça em uma quina. Eu não me movia. Sentia tudo a minha volta. Via as pessoas que se aproximavam, mas eu não as conhecia. Me chamavam, mas eu me recusava ir. Não queria ir, queria ficar.
      E o tempo passou. Até que ouvi vozes que estavam chegando e se aproximando. Eu as conhecia. Me cobriram e diziam elas: - Já morreu! Mas eu queria dizer que não havia morrido. Mas eles insistiam. Veio um camburão e me levou.  Eu estava só novamente. Que coisa triste, abriram meu peito e constataram o que eu não queria ouvir, eu estava morta: ataque do coração.
       Realmente o médico há tempos havia me dito que meu coração estava crescendo, mas eu ainda era tão nova para morrer... Tinha meus animais, tinha planos, simples, mas os tinha. 
        Depois disso, oh coisa incrível. Alguém veio e me levou ao colo. Esse alguém era uma mulher bem jovem que dizia ser minha mãe. E eu sentia que era, mas era tão jovem ainda. Me abraçou, me beijou e levou-me.
         Hoje estou bem, vivo em uma comunidade espiritual onde me preparo para desempenhar um trabalho com cães e gatos espirituais.
         Veja eu não tive uma religião certa, não frequentava nada, mas agora sei alguma coisa sobre a espiritualidade. Minha mãe é quem me orienta e me instrui. Diz-me que tudo vai dar certo e que eu serei muito feliz ainda e poderei ajudar aos meus que ainda estão na Terra.
         Queria ser melhor, mas vou tentar andar devagar para chegar lá. Tenho muito que aprender.
      Beijos aos meus irmãos e sobrinhos. Agradeço a meu companheiro que tanto me ajudou e espero poder vê-lo em breve.
        Peço que se lembrem se mim em suas orações. Tenham fé em Deus porque ele existe sim.              
        Helena.   
        ( Essa irmã adorava animais e sempre realizava trabalhos voluntários no canil municipal de sua cidade.)                                                                                  
                                                       
Psicografia recebida  em  2015.                                     

            Médium: Catarina.

domingo, 27 de setembro de 2015

INDIGENTE DA VIDA E DA MORTE

Quero contar  minha história aos que tiverem a paciência de ler minhas palavras.
Minha primeira lembrança é de uma enorme casa cheia de crianças, as vezes uns iam e nunca mais voltavam, achava aquilo tudo muito estranho. Com o passar do tempo vim a saber que se tratava de um grande orfanato numa grande cidade do nosso país. Era dirigido por freiras, umas boas e outras nem tanto.
Muitos nunca devem ter ouvido falar na “roda dos enjeitados”, já que isso não é mais usado. Funcionava mais ou menos assim: a mãe que por motivo ou outro não desejava a criança recém nascida, colocava-a nessa roda, tocava um sino e se afastava, minutos depois uma das freiras ia ao local rodava a roda para o lado de dentro e recolhia o infeliz enjeitado que ali era depositado.
Foi assim que fui parar naquele orfanato, onde passei alguns anos da minha curta vida.
As crianças ali deixadas eram dadas para adoção, daí a lembrança de ver uns indo e não voltando, esses eram os que com sorte conseguiam um novo lar. Muitos eram verdadeiros filhos de coração daqueles que os adotavam, outros eram adotados com intuito de serem empregados da família adotante.
As crianças mais bonitas de pele alva eram as primeiras a serem escolhidas, nós os de cor negra ficávamos sempre a esperar alguém que pudessem nos tirar de lá.
A vida corria assim naquele lugar que chegavam e saíam crianças, vivi ali até completar uns 13 anos, quando um casal com cara de bons amigos me levou em adoção, naquele tempo as adoções não tinham a burocracia e o acompanhamento que tem hoje, alguém ia lá te escolhia e te levava.
Minha alegria foi enorme quando fui escolhido, achei que o meu grande dia houvera chegado, que ilusão! Logo que cheguei na nova casa fui levado a um quarto insalubre, era ali que eu viveria. Descobri que eu seria naquela casa um serviçal para fazer serviços de jardinagem, de pintura, enfim o que precisasse.
Eu era acordado cedo pela dona da casa que já vinha com uma lista dos afazeres daquele dia. Me levantava sonolento e se resistisse e voltasse a dormir era tirado da cama com bofetadas na cara. Minha alimentação era restrita, não me davam o que os filhos dos donos da casa comiam, os via se fartarem e pra mim somente os restos ou que a empregada velha da casa conseguia esconder e me dar, ali era a única pessoa que tinha pena de mim. Escola não frequentava, o que aprendi foi no orfanato.   
Trabalhava o dia todo fazendo serviços que cabiam a um adulto, não a mim criança ainda e além de tudo com pouca saúde.
Quando terminava os serviços podia tomar frio, banho quente era luxo. Me davam um prato de comida e só então podia me recolher ao meu pobre quarto onde um colchão era colocado no chão fazendo as vezes de cama. Muitas vezes chorava tanto que o sono e o cansaço me venciam a aí acordava para meu e exaustivo dia.  
Quando adoecia era horrível, muitas vezes achavam que era uma farsa e mais ainda eu sofria, só quando tive uma febre de delirar é que me deixaram ali naquele quarto e quem me ajudava era a velha empregada que era tratada como eu. Me contou certa vez que ela também fora adotada pela mãe da dona da casa para ser empregada da família. A vida dela era tão dura quanto a minha, só sofrimento.A diferença é que ela era muito bondosa e se conformava com isso e dizia até gostar dos patrões.
Quando fiz 17 anos comecei pensar em sair dali, um dia me deram um dinheiro para fazer um mandado. Sai como de costume, coloquei o dinheiro no bolso e nem olhei para traz, com a roupa e aquela quantia sai dali para nunca mais voltar.
Passava dias nas ruas a mendigar comida, me sentia muito humilhado, mas com o passar do tempo tudo isso foi desaparecendo, comecei junto com outros moleques iguais a mim mesmo a praticar pequenos furtos e logo me viciei em álcool, comecei a cheirar cola de sapateiro, acabei entrando nessa vida sem volta, até procurar por furtos maiores. Furtava, comia, cheirava cola e bebia e a vida ia seguindo.
Até que um dia em num assalto mais ousado fui atingido por um tiro no peito. Havia sido pego pela policia, terminava ali a minha existência carnal. Terminava ali uma vida que eu nem sabia como tinha começado.
Ninguém chorou, ninguém se lamentou, fui levado à terra como indigente. Indigente que fui a vida toda.
Filho sem mãe, rapaz sem carinho.
Vida triste, podia ter tomado outro rumo? Sim poderia, mas imaginem que isso não é fácil. Por isso antes de julgar pensem em quantos sofrem e acabam como eu por pura falta de ajuda.

Um indigente da vida e da morte.   

                                                         
Psicografia recebida em  2015.                                      
            Médium:  Débora S. C.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015


UM ANJO ME LEVOU PARA O CÉU

Ruas escuras, frio, fome, solidão, tristeza e muita dor, somente eu relatando e descrevendo o que eu vivi. Vocês já podem imaginar onde e como eu vivi quando estava na carne.
Sou andarilho acho eu que sempre fui e não me lembro de ter família, eu não me lembro de nada que se refere o amor maternal, paterno ou de irmão.
Nas ruas você sempre encontra irmão: Irmão tem pão! Vai uma cachaça aí ou vai um cigarro ou drogas? Irmãos nas ruas têm também aqueles que deixam um agasalho, um copo de café com leite, um cobertor e também uma palavra consoladora que deixam para nós mendigos.
Sempre que possível eu me lavava e dormia em albergues, isso quando estava consciente e de bem com a vida pensando que era gente e que merecia estar limpo e descansado para o amanhecer do dia.
Eu tinha sonhos lindos que um dia iria construir uma família com esposa e filhos, mas não consegui nada, cada dia eu vivia um pesadelo.
Um dia um homem que sempre me deixava um recado, bilhete, do meu lado com palavras de coragem, de luta e sempre com bilhete tinha um cigarro, um pão e um cafezinho bem amargo, tipo para curar a ressaca. Adorava ler e pensava: Nossa esse cara sabe tudo, como ele pode escrever essas palavras tão lindas e que me faz sentir gente e com esperanças de um dia eu não mais sonhar e sim viver aquele sonho. 
Numa tarde eu pensei não vou dormir, quero conhecer essa pessoa que me deixa feliz e com coragem e assim eu fiz não dormi e foram várias noites a esperar, mas chegou o dia e foi uma surpresa enorme porque era uma criança e não um senhor como eu havia imaginado. Nossa quanta emoção, como uma pessoa tão pequena ter tanta sabedoria? Não sei explicar.
Hoje eu aqui estou me recuperando dos vícios da carne e quero muito agradecer a essa criança que me fez tão feliz e me proporcionou tanta alegria. Um grande e carinhoso abraço a esse anjo querido que por muitas noites me levou para o céu.
Obrigado. 
Antonio Ezequiel.     

 Psicografia recebida em 2015.

             Médium: M. Nicodemos.