sábado, 18 de março de 2017

MUITO  BEM  NA  ESPIRITUALIDADE

O que dizer para todos vocês, que estou bem, que tudo aqui é bonito, que é iluminado, que temos paz o tempo todo, dizer o que me fala?
Não tenho o que dizer, eu aqui estou para um despertar, para um melhor entendimento e acreditar que é possível escrever e até mesmo falar através de uma pessoa capaz com dons, eu não consigo compreender muito tudo isso, mas vou relatar um pouco do que eu vivi e como vivo hoje.
Sou um jovem rapaz me chamo João Carlos e fui um lutador, sim, um lutador. Nasci com vários problemas de saúde, fui uma criança que precisava de cuidados constantes e de muita atenção, não sei até hoje o que é ficar sozinho, sempre tinha alguém comigo, sempre.
Nasci com insuficiência renal. E logo passei por uma cirurgia assim que nasci e depois tive várias paradas cardíacas que me deixou impossibilitado de falar e pouco ouvia, mas custaram na época detectar este problema de audição em mim. Com a paralisia em minhas mãos e pernas não conseguia pegar muitas coisas e andava com muita dificuldade e resolvi não mais andar, porém fiquei na cadeira de rodas.
Uma coisa eu tenho até orgulho de dizer, eu era muito inteligente, me comunicava com as pessoas com facilidades e fui para a escola e completei o ensino médio e só não fui para a faculdade porque Deus não quis, eu tinha total condição e sabedoria para isso.
Minhas mãos ainda são problemáticas, eu tenho dificuldade em escrever, e isto eu ainda carrego em mim, no meu espirito eu acho.
Eu faleci devido a todas as complicações que uma pessoa tem quando se é muito doente. Desde que nasci, foram muitos medicamentos, foram os rins, pâncreas, estômago e por aí vai.
Não sou uma pessoa infeliz, sou de bem com a vida, eu nasci assim e não conheci a saúde, o ficar bem não era o meu mundo. Houve muito sofrimento com minha morte, pois eu era uma pessoa fácil de lidar e não havia em mim lamentos, parecia que eu já sabia que passaria por isso e aceitei sem queixas.
            Bem, eu estou bem, estou sempre em companhia de uma linda senhora que ainda não me lembro, e logo eu sei que eu vou lembrar em que parte da minha vida que esteve comigo. Estou bem, muito bem, gosto de dizer isso, pois me sinto muito bem, é engraçado depois de “morto” me sinto bem.
             Deixo para vocês um abraço e estou aprendendo a me sentir bem e a compreender melhor tudo que eu vivi aí na vida terrena.
        Um grande e carinhoso abraço de um rapaz que está se sentindo muito bem na espiritualidade.
   
João Carlos S. Filho.

 Psicografia recebida em 2017.

             Médium: M. Nicodemos.

sábado, 11 de março de 2017


NO LODO DA CONSCIÊNCIA CULPADA

Hoje faz 10 anos terrestre em que cometi o maior erro de minha existência, assassinei minha esposa e tirei minha vida, tirei não, somente a interrompi, pois eu nunca consegui me matar.
Por não ter conhecimento de uma religião, por nunca ter buscado Deus, vivi uma vida vazia, era muito fraco perante as leis de Deus.
Não dei a minha família a atenção e o amor que mereciam, passei mais tempo na rua, nos bares e com outras mulheres, enfim fui um ser vazio e cheio de vícios.
Fruto de todos esses vícios, ao longo dos anos levei minha família ao estado de penúria, levei a dificuldade a eles e por vezes até a fome.
Um dia em uma das conversas de botequim, ouvi de outro “companheiro” de bebida, uma insinuação de que minha esposa me traia. Embalado pelo álcool e pelos impulsos do momento, enegreci ainda mais meu coração e conspirei em meu intimo a morte de minha companheira, sem ao menos averiguar tal informação.
Chegando em casa, alterado pelo álcool, de posse de uma faca, entrei em meu quarto, onde repousava minha companheira  e nossa pequena filha, e sem pestanejar desferi em seu peito um certeiro golpe, o qual atingiu de cheio seu coração e envolto em sombras não vi mais nada, desferi inúmeros  golpes de faca e só me lembro do rubro nas paredes e dos gritos de minha filha. E com a mesma destreza desferi certeiro golpe em meu peito, daí pra lá, como que atraído por poderoso imã fui dali retirado e atraído a um lugar estranho e cheio de tristeza. Não sei como, mas o golpe não me matara como eu imaginava e sim havia me levado a um estado de dor imensurável e insuportável. 
Com o tempo descobri que meu ato foi covarde e errado e que minha esposa foi duplamente vitima de mim, pois sofreu a penúria dos dias de privação e a minha irresponsabilidade, pois descobri que ela nada havia feito. Ela sempre foi uma mulher correta e trabalhadeira e essa informação fez-me ainda mais sofredor.
Minha filha hoje com 19 anos é uma jovem triste, e ainda mais sofrida, fruto dos meus sucessivos erros.
Hoje me foi permitido vir aqui narrar esse meu erro e pedir a Deus e a minha família o perdão pelos meus inúmeros erros e quem sabe um dia recomeçar minha caminhada que será muito longa.
Queria alertar a tantos que trilham esse caminho que trilhei que busquem algo real, busquem a ajuda de Deus e não deixem que o vício e as maledicências turvem vossos olhos e vossos corações para que não afundem no lodo da consciência culpada.  
          

 Ramiro A.

            Psicografia recebida em  2017.                                      

            Médium: Luciano C.

sábado, 4 de março de 2017


EM  BUSCA  DA  REENCARNAÇÃO

 Estou num estado de tristeza profunda, preciso de auxílio, preciso voltar, tenho que voltar. Aqui muitos querem como eu ganhar uma nova chance em um novo corpo de carne e não conseguem, outros no entanto lutam para não regressarem à Terra.
Minha situação não é boa, a muito espero que o casal que vai me receber ou que deveria me receber deem consentimento e me aceitem. Eles me querem quando estão despertos, sonham com um filho para lhes alegrar o lar. No entanto quando nos encontramos na hora do descanso físico deles, e eles me vêem me repudiam com tanta força que a gravidez da que precisa me receber não se concretiza.
Muitas pessoas acham que querem um filho com toda a força do coração, mas quando se deparam com o reencarnante e recordam o passado saem em disparada, apavorados se negam a ter como filho um desafeto tão grande do passado.
Seria tão bom se as pessoas pudessem entender que precisamos dessa chance, que quando estivermos juntos seremos para eles na maioria das vezes o mais dedicado dos filhos, aquele que os servirá de amparo na velhice. 
Porque isso é tão difícil? Preciso tanto voltar! Serei tão feliz junto à eles, seremos uma família feliz eu tenho certeza. Juntos novamente vamos reparar um passado de erros e desencontros. Não sabem eles que os filhos em geral são desafetos do passado e que uma vez unidos como pai, mãe e filho resolvem tantas pendências do passado?
Me aceitem eu lhes peço!
Vamos juntos consertar o que precisa ser consertado e criar laços profundos do mais sincero amor?
Orem por mim, preciso ser aceito. Tenho tanto para dar e tanto para receber deles. Pena que quando se aproximam de mim é só o passado de dor e mágoas que eles veem. 
Mas com tudo isso ainda tenho muitas esperanças de conseguir nascer naquele lar.
Aguardo ansiosamente por essa oportunidade.
Peço a ajuda de Jesus e dos espíritos amigos que possam convencê-los a me receber e é com essa esperança que sigo. Precisamos uns dos outros e sei que vamos conseguir em nome de Jesus esse reencontro.  

Dinho. Um espírito que busca a reencarnação.


             Psicografia recebida em 2017.                                     
             Médium:  Débora S C

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O ANDARILHO

          Não posso me movimentar. Estou preso a alguma coisa que não sei o quê. Me ajudem.
          Minha voz já está se esgotando, o ar já me está faltando. Ninguém me ouvia.
          Foram estas sensações pavorosas que me acabrunhavam, que me afligiam e que me maltratavam.
          Dormi, não sei por quanto tempo, acordei em um campo com grama muito verde e bem tratada. O céu estava azul. Eu dormi ali? Não; não me lembro. Só sei que me senti muito bem, e senti também que uma coisa mudou em mim. Estava mais leve. Andava devagar, mas sem nenhuma dor, ou desconforto. Eu estava salvo. Mas quem me salvou? Quem me levou a esse lugar? Bastou que eu pensasse isso para ver ao pé de mim um viajante com alforje, chapéu e com sapatos muito fortes para caminhadas.
          Fiquei alegre quis andar até ele, mas ele se adiantou e disse: - Venha, vamos nos alojar, já chegamos.
          Fui, andamos um pouco e vimos casas, edifícios, escolas, parques, árvores... Entramos em um edifício onde tive que me identificar:
          -- Sou Paulo, morei em São Paulo e estou aqui, mas não sei onde estou.
Me disseram que eu já não morava mais em São Paulo, fui atingido por calhaus em uma avalanche que aconteceu na obra enquanto trabalhava. Meus amigos, colegas de trabalho estavam bem, minha família também, mas eu precisava me tratar e saber de minha atual situação.
          Eu não sou ignorante e perguntei: - Eu morri? Triste pergunta, pois me responderam que sim.
          Tive um choque, mas me contive. Pensei e respondi: - Então me ajudem, eu tenho que me acostumar. Quero saber tudo. O andarilho que me levou me disse que ia explicar direitinho, que eu podia estar sossegado, que tudo iria ser esclarecido.
          Hoje trabalho aqui mesmo. Vou de um lugar para outro fazendo o transporte de doentes em macas. Faço esse trabalho e estou bem. De vez em quando penso nos meus. Mas sei que tudo que Deus faz está certo e que certamente um dia eles estarão comigo também.
         Deixo aqui minha gratidão por tudo que fazem por mim, aqui onde estou os amigos e benfeitores; aí na Terra meus familiares, que sei que pensam em mim. Esqueci de dizer que era solteiro, mas que meus pais ainda moram em São Paulo.

         Paulo de Albuquerque. 

Psicografia recebida em 2017.                                     
            Médium: Catarina.

domingo, 29 de janeiro de 2017


TÃO  JOVEM  AINDA

Eu aceito, eu aceito, pois é a vontade de Deus e tenho que aceitar infelizmente.
Eu gostaria muito de ter sabedoria suficiente para melhor compreender a vontade de Deus. No momento me sentia traída e com raiva, não queria estar aqui, sem minha família, sem meus filhos, o meu trabalho que lutei e estudei tanto para conseguir. Por que tão cedo?
Eu me sentia tão jovem ainda e tinha tudo no controle e ia tudo bem, uma vida saudável, tranqüila e com plena capacidade de trabalho e pronta para novos desafios e tudo acaba assim num belo dia, não aceito e acho que não quero aceitar, é pura verdade.
Eu tinha uma rotina, acordava, tomava banho, colocava o café na mesa, acordava os meus filhos e depois íamos para o trabalho, outro para a escola e o outro para creche, e tudo corria bem como todos os dias. E de repente me sinto mal, uma dor na cabeça e sou levada de ambulância para uma unidade de emergência em estado crítico. Eu pensando como estou assim tão grave, eu tenho uma saúde excelente, o que está acontecendo comigo?
Fiquei por um bom tempo ouvindo os comentários, a lamentação do meu esposo, o choro de minha mãe e eu ali ouvindo não podendo dizer nada, quando de repente eu vi uma pessoa chegar dizendo: “chegou a hora, tenho que levar o corpo e preparar para o velório”, enlouqueci e comecei a gritar, implorar por socorro e fiquei desesperada. Como eu morri? Será que vou ver meu corpo sendo comido pelos bichos e vê-lo no caixão com aquelas flores que cheiram morte?
Eu não podia crê que Deus faria isso comigo, eu que sempre fui correta e trabalhadora, cuidadora do meu lar... Comecei a fazer uma avaliação completa de minha vida e pude ver como eu era prática, não ensinei meus filhos a serem religiosos, a procurar Deus para agradecer o dia, a comida e o lar. Não trazia  esses valores e num momento de morte e dor eu lembrei que precisava de uma ajuda que não era material e sim espiritual, uma ajuda de fé, e comecei a ficar pequena, pequenininha que quase sumi. Como eu posso pedir ajuda a um Deus que eu não fiz questão de conhecer? Será que Ele sabe quem eu sou?
Muitas dúvidas eu criei e foi aí que veio um anjo, que não é um anjo, me ajudou nos primeiros momentos e depois veio o esclarecimento, depois veio a necessidade do estudo para compreender melhor e agora estou aqui certa que Deus não esquece de um filho seu, mesmo que esse filho não faz questão de conhece-lo. Agora eu aceito o meu desencarne com calma e procuro orientação sempre que em encontro com dor e saudades dos meus.
Eu aprendi e quero levar pra todo sempre que precisamos sim de Deus e seus valores.
Um grande e caloroso abraço.

Maria Conceição Ribeiro.           
         
 Psicografia recebida em dezembro de 2016.
             Médium: M. Nicodemos.

domingo, 22 de janeiro de 2017


ÓDIO ME FEZ PERDER TUDO

Ainda ontem, eu era um homem feliz realizado, tinha uma família linda, era amado e muito amava meus familiares, tinha um emprego, enfim era feliz.
Disse que era feliz, pois que num determinado dia, todo meu castelo se desmoronou.
Dois homens, ou duas feras, cruzaram o caminho de minha família e mudou meu destino.
Aqueles homens por instinto animal e encharcados de droga invadiram minha casa, roubaram o que eu tinha de material e principalmente levaram os meus tesouros vivos, minha esposa e meus dois filhos, e ferindo-me mortalmente, ali deixaram-me no meu antigo lar.
Depois de um tempo que não sei determinar, dei conta que não mais pertencia ao meu mundo, eu havia morrido e comigo minha família.
Não tive tempo de pensar em nada o ódio cegou-me e com que impulsionado por uma flecha fui de encontro aqueles dois homens e com a sanha de um leão ferido, atirei-me sobre eles.  Não sei por quanto tempo com eles lutei e com ajuda de alguns ‘justiceiros” passei a obsediá-los  dia e noite, principalmente à noite. Fiz deles dois farrapos e os incitei-os ao suicídio, ao qual foi consumado, e daí sim os escravizei por anos a fio.
Passara-se o tempo e certo dia cansei daquilo e foi só aí que lembrei de minha família, o motivo maior de tudo aquilo. Não os achei e enlouqueci e desesperei.
Vaguei por todo canto a buscar e nunca os achei.
Um dia uma “luz”, um ser mostrou-me o que me tornei, não acreditei no que estava vendo, eu me transformara num misto de lobo/homem, um ser sujo e maltrapilho.
Cai na real, descobri que fui cego pelo ódio e por isso tudo perdi pela segunda vez.
Chorei e cai de joelhos e depois de muito tempo lembrei de Jesus e de Deus e entrei num torpor que me desacordou.
Muito tempo se passou, muito sofrimento, muita culpa... Finalmente aceitei.
HojeHoje euHhmHoje em tratamento descobri que pelo ódio joguei tudo fora. Perdi minha família, perdi o tempo e estacionei no caminho.
Um dia espero que todos eles me perdoem, que eu possa encontrar os meus que tanto amei e que eu também encontre a paz.

Júlio Santiago.

            Psicografia recebida em dezembro de  2016.                                     

            Médium: Luciano C.

domingo, 15 de janeiro de 2017

FUI UMA MÁQUINA DE GANHAR DINHEIRO

 Não faço parte de nenhuma lista de pedidos, não tenho a meu favor sequer uma prece, estou só e ninguém mais se interessa por mim.
 Vou contar-lhe um pouco da minha vida. Nasci numa família pobre, meu pai era agricultor e minha mãe dona de casa que mal assinava o nome. Fui criado em meio de muita pobreza, mas a nobreza dos meus pais era igualmente grande, eram apesar de muito humildes pessoas de enorme valor moral, carinhosos, não fosse a pobreza extrema diria que nada me faltou, vivia feliz junto com meus irmãos e eu era o mais velho.
Quando me tornei adolescente tive a oportunidade de mudar para a cidade e assim comecei meus estudos, já era alfabetizado e o patrão do meu pai me vendo inteligente e perspicaz me ofereceu abrigo em sua casa e custeou meus estudos, família que viria a ser a minha segunda, pois que todos eram de uma bondade e parecíamos nos conhecer de outras existências.
Aproveitei ao máximo as oportunidades que me ofereceram e logo consegui me formar, comecei a trabalhar e me casei com moça de boa família, mas dona de uma ambição sem limites. Antes que o meu primeiro filho nascesse, meus bondosos pais adotivos sofreram acidente e desencarnaram o casal e uma filha um pouco mais nova que eu. Senti muito, mas o que fazer? Era tocar adiante a vida agora sem o apoio deles.
Trabalhei constantemente e assim fui pela vida afora trabalhando e ganhando dinheiro. Fui pai de três filhos, que muito diferente de mim não queriam saber de nada a não ser gastar o dinheiro que para eles era coisa farta. Próximo aos sessenta anos desencarnei de maneira repentina, o que para minha mulher e meus filhos não foi nenhuma tristeza, já saíram dos funerais contabilizando o que ficaria para cada um, e não era pouco, consegui um patrimônio invejável.
O tempo passou e já à muitos anos me encontro aqui, meus pais e irmãos já regressaram, mas por serem melhores que eu estão num plano onde não tenho acesso, eles sim quando podem vem me ver e me trazer algum consolo. Os amigos que fiz em vida jamais se lembraram de mim, minha esposa e meus filhos também, estou aqui a tantos anos e nunca, nunca mesmo me foi dirigido por eles um pensamento de amor, nunca recebi uma prece que viesse deles para me confortar o coração doido de mágoas.Vivo porque não posso morrer, mas não sou feliz, vivo acabrunhado e sozinho.
Meus Deus por quanto tempo eu passarei por essa situação? Se me perguntarem se fui bom, eu diria que fui uma máquina de ganhar dinheiro que pode proporcionar aos meus todo o conforto, mas nunca estive presente, diferente de meus pais sem instrução, que eram o ponto de apoio de todos, o que eu fazia? Trabalhava, ganhava dinheiro, mas era um marido ausente, um pai relapso, achava que tudo podia ser resolvido com o dinheiro, que engano meu Deus, hoje vejo que nada trouxe e nada deixei de bom, deixei dinheiro que eles logo puseram a perder e com isso o vinculo deles comigo acabou junto com o dinheiro.
Espero um dia ser presente, amigo e não uma máquina de produzir bens materiais, quero ser outra pessoa.
Obrigado por me ouvir. Deus te proteja.

 Não direi meu nome porque isso não interessa mais, sou apenas um espírito que sofre com seus equívocos.

             Psicografia recebida em dezembro 2016.                                     

             Médium:  Débora S C

sábado, 7 de janeiro de 2017


EM DIREÇÃO A UMA ENCARNAÇÃO EXPIATORIA

         Dondoca fui, minha vida foi tranqüila cheia de mimos e pingentes. Fui filha amada, neta querida. Tinha tudo, nada me faltava. Mas o que eu fiz de minha vida? Embrenhei-me em más companhias, explorei meu corpo e fiz de mim um brinquedo nas mãos daqueles com quem convivi. Era tudo o que eu queria; ser amada, ser alvo do desejo alheio. E por fim embrenhei-me nas drogas.  
         Meus pais fizeram tudo por mim. Conselhos não adiantavam. Nada mais eu queria, já não ia mais para casa. Fui internada várias vezes em casas de recuperação. Mas qual o quê, nada adiantava. Era muito vago em minha mente a noção de responsabilidade. Achava que eu estava certa.
         Meu pai cobria as despesas que eu fazia, ou melhor, consertava o que eu destruía.
         Um dia, não sei precisar quando, embrenhei-me por um caminho de uma droga nova, de um efeito sedutor, conforme me falavam... E eis que esse caminho não teve volta, pois eu estava com overdose... E eu fui, fui e fui. Não mais voltei.
         Meu corpo jazia inerte, mas eu não. Eu contorcia de dores e desejava que alguém me despertasse. Mas nada. Ninguém me acudia. E foi nesse estado que fui parar em um lugar, que não sei onde, em que vários enfermos, ou melhor, drogados como eu dormiam. Eu via tudo, mas não coordenava meus atos, nem meu cérebro.
         Pessoas iam e vinham. Olhavam um e outro e eu estava ali também entre eles, mas sentia diferente. Meu corpo não possuía mais aquela pureza e beleza que tinha. Eu tinha fácies terrível. Contorcia os olhos, os lábios e mal podia beber o remédio que me ofereciam. Era terrível! Eu não era aquela pessoa tão horrível. Eu era linda. Como fiquei assim tão deprimente. Meu corpo cambaleava eu não me sustentava de pé.
          Deram-me um sedativo, creio eu, e eu dormi. Dormi muito. Quando acordei fui despertada por meu avô, que me sustentava a cabeça, fazia-me um cafuné como de costume e disse:
          _ Minha filha levante, mas levante para a vida, corra, ande, viva... Não destrua mais teu corpo. Vais nascer novamente, só que sua liberdade vai ser cortada, pois vais ser uma cadeirante. Teu corpo físico foi lesado, por isso tens que restituí-lo com uma vida de dores e expiações. Teus pais serão os mesmos, porém eles terão que rever os valores espirituais com teu renascimento. Procurarão uma religião que ainda não tens, e por tua causa, também irão se reformar. Valorizarão os bens espirituais, ajudarão ao próximo, ajudarão outros cadeirantes por tua causa.
         Levante minha filha e dê os últimos passos em direção a uma encarnação expiatória.
         Ficarei contigo e te ajudarei, Deus está conosco e nos ajudará.
         Que Deus nos ajude minha filha nessa parte tão difícil de nossas vidas, mas tenho certeza que venceremos.

         Um espírito presente à reunião auxiliado pelo amigo
          Walter Perroni.
                                                                              
 Psicografia recebida em 2016.                                     

 Médium: Catarina.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016


COMO SE FOSSE O SEU ÚLTIMO DIA

O que dizer? Se estou bem? Não estou eu queria ficar mais com meus, eu queria viver a minha vida, que eu estava vivendo.
Com a minha alegria e com o meu bom ânimo eu estava sempre agradecida a Deus por mais um dia, e agora me encontro “morta”, morta sim, não vivo a vida que eu desejei, não estou com os meus amigos. Sim estou morta, e outra, não conheço nada sobre o espiritismo, não acredito em reencarnação, não quero viver com os outros e sim com os meus, sei que não será possível, mas no momento é o que eu quero. 
Meu desencarne, morte, foi muito de repente, eu estava com saúde boa, me sentia animada e com vontade de viver aquele dia intensamente, agora escrevendo estas palavras, é estranho eu tinha uma angustia no meu peito, e não liguei os fatos. Eu estava eufórica, elétrica e querendo resolver tudo e com muita atenção para não haver erros. Engraçado hoje sei bem o porquê, era o meu último dia na Terra.
 Ah meu Deus se eu soubesse que seria o meu último dia, teria largado tudo de lado e teria ficado com o meu grande e intenso amor, ficaria abraçada com a minha mãe, teria dado aquele beijo no meu pai, teria acordado ele e não sentiria pena de interromper seu sono matinal, mas infelizmente não sabia que seria o meu fim e que um mal súbito me tiraria a vida e me levaria para um mundo desconhecido e estranho.
Estou sem vida para vocês aí na Terra e cheia de vida aqui na espiritualidade, sofrendo as mesmas dores, saudades, amando o meu querido José e morrendo a cada dia de revolta, de perguntas que não tenho ainda condições de entender as respostas. Eu queria viver mais, como eu era feliz e grata por tudo que tinha. O que fiz a Deus para Ele ter me dado tão pouco tempo e ter me dado tantas graças?
Eu nasci em uma família super respeitosa, trabalhadores, honestos e que me amava e eu sentia o amor de todos, uma menina que sentia que seria uma grande e talentosa médica, que salvaria vidas, que levaria alegrias, esperanças a tantas pessoas, mas não, fui retirada sem piedade do convívio dos meus, por que Senhor, por quê?
Eu sinto que sou querida e sinto as vibrações de amor dos meus, mas eu queria mais muito mais.
Tenho que ir, desculpas, mas não sou uma pessoa triste e sem esperanças, mas ainda não tenho a sabedoria do entendimento e compreensão dos fatos.
Um grande abraço a todos e vivam a vida como se ela fosse o seu último dia, não deixe de beijar, abraçar, dizer que ama e que é feliz para seus pais, amigos e namorado.

Maria Joaquina Mendonça.

 Psicografia recebida em 2016.
             Médium: M. Nicodemos

sábado, 17 de dezembro de 2016


MÉDICO OU COMERCIANTE DA SAÚDE?

 Passei grande parte da minha última encarnação vivendo em uma grande cidade. Como em todos grandes centros ali tinha gente de todo jeito, ricos, milionários, pobres, paupérrimo e os que não tinham nem onde morar.
Vi de tudo, na minha condição de médico do serviço público, recebia doentes de classes financeiras muito prejudicadas, esses doentes eram tratados tão somente naquele ambulatório do serviço público. No meu consultório particular atendia as abastadas. Assim sendo não fiquei sem saber o que uma pessoa sem recurso sofre com a falta de oportunidades, mesmo a mais básica que é ter saúde, de ser tratado com dignidade.
Nesse ambulatório os doentes eram atendidos por mim de maneira fria, muitas vezes não permitia nem mesmo que o doente assentasse numa cadeira para relatar o problema. Quantas vezes eu mal olhei para essas pessoas, não perdia meu tempo em fazer uma consulta minuciosa para que pudesse dar um diagnóstico certo. Receitava algo que pudesse amenizar a dor, e nada mais tratava-os com muito descaso.
No meu consultório particular o assunto era outro, me detinha aos mínimos detalhes e usava de todo o meu conhecimento para ser preciso no diagnóstico.
Quando penso nisso me sinto o pior dos seres, não fui um médico, fui um comerciante da saúde. Desperdicei o maior beneficio que poderia obter da medicina que era ajudar amenizar a dor e sofrimento de todos, não só a dor dos que podiam pagar, os que com seu dinheiro mantinham o meu conforto, mas também dos pobres que eu recebia através do governo, porque esses não eram atendidos por favor, eu recebia para isso.
Atender alguém que não pudesse pagar? Jamais. Recordo do filho pequeno de uma mulher que trabalhava em minha casa estar doente, e eu estando tão próximo daquela família nada fiz para ajudar, mandei que a mãe o levasse no tal ambulatório e ali friamente atendi aquela criança. Hoje agradeço por não ter sido um caso grave senão meu remorso seria ainda maior.
Fico pensando a quantos humilhei com minha arrogância, quantos maltratei com meu pouco caso e indiferença.
O tempo passou, eu tive uma vida confortável e feliz... Até que regressei e aí pude ver tudo o que eu fiz e tudo que eu poderia ter feito. Vivi feliz na carne, mas do que adiantou se hoje aqui sofro com esse remorso que me corrói a alma.
Quantos encontrei aqui que viviam tão pobremente e hoje eu que era o Doutor sou o mais pobre dos homens.
 Agradeço a Deus por ter conseguido entender tudo que eu fiz de errado e agradeço mais ainda pela oportunidade que eu sei que terei em reparar todo esse mal, em poder ter a chance de uma outra existência e poder ter oportunidade de ser uma pessoa melhor.
Obrigado Jesus por me mostrar meus erros e me fazer aprender através da dor.
Hoje sigo em busca de paz, paz que só terei quando puder olhar meu próximo com carinho, atenção e amor, sem pensar quanto esse próximo tem e não o que ele é.
Orem por mim.

Meu nome? De que interessa!
Chamo-me egoísta.        
  
            Psicografia recebida em 2016.                                      

            Médium:  Débora S C.

domingo, 11 de dezembro de 2016


NÃO  ABORTEM,  NÃO MATEM.

         Oh Jesus, porque tu que sois o maior espírito que já nasceu, viveu e morreu na Terra não me ajudas?
         Sou sofredora demais, sei que errei demais, mas mereço uma complacência. Fui muito vil, nasci em berço de ouro, tive tudo que eu podia ter. Fui casada, tive filhos... Ah os filhos tive apenas os que eu quis... Os outros eu abortei, e esse foi o meu erro... Na queria mais nada que me estorvasse. Eu gostava de vida boa, de viagens, de luxo, de festas... E os filhos estorvariam.
         Os que eu tive, foram dois, eu os entreguei a colégios caros, depois a pessoas que pudessem ser seus tutores. E eles nem se importavam comigo... Também eu não me importava com eles. Eles que se virassem. Eu queria aproveitar a vida.
         Fui mulher bonita e de sociedade, uma vez que meu marido tinha um excelente emprego e se envaidecia ao me apresentar como sua mulher...
         Bem tratada, bem vestida e a vida foi passando. Eu jamais pensei em ti Jesus... Só quando num leito de hospital vi teu retrato e um crucifixo que me faziam pensar em ti, enquanto esperava um tratamento revolucionário que me prometeram, pois a minha doença foi um câncer avassalador que me carcomia por dentro.
         Sentia dores horríveis; veio até meu leito um grupo de pessoas que conversaram comigo, falavam sobre Ti, Jesus, e me consolavam dizendo que a morte não existia e que tudo passaria. Eu não acreditei, mas como não havia algo melhor para me consolar eu peguei essa dica e comecei a pensar: --Será que isto é verdade? São pessoas tão serias e estudiosas... Talvez isso seja verdade...
         E eis que aconteceu, eu sei que morri, mas não morri, eu estou aqui a vos falar, mas algo muito ruim está acontecendo comigo... Eu ouço choros de crianças que me chamam: mamãe, mamãe...  Eu corro para ajudá-las e elas evaporam como fumaça, mas o choro continua. Às vezes ouço outras coisas: Por que a senhora não me quis e me matou? Por quê? Eu acho que estou ficando doida.
         Jesus me ajude, agora eu não faria mais isso, pois sei que fiz errado, mas também não me arrependo. Só sei que não farei de novo.
         O que fazer meu Deus?
         Ajudem-me com suas preces, pois necessito delas.

          Maria, um espírito atormentado que pede preces.      
           
                                                                          
 Psicografia recebida em 2016.                                     

 Médium: Catarina.

domingo, 4 de dezembro de 2016


MENINO POBRE  E  DESCALÇO, MAS FELIZ.

Ah, se eu pudesse voltar a ser criança, quantas coisas teria feito diferente, quantos caminhos eu deixaria de trilhar, quantos equívocos eu deixaria de cometer. Ser criança e ser feliz e viver uma vida verdadeira, porque não vivi toda minha vida como uma criança?
Não cheguei aos 22 anos de idade e neste pouco tempo de vida carnal sinto que fui bem pior que um velho guerreiro medieval.
Nestes anos de vida, acumulei tantas dívidas que se fosse sanar e repara cada uma em uma encarnação, levaria milênios...
Hoje vejo que a cegueira da alma, os vícios, as ambições e todas as vis paixões mundanas de nada adiantaram, pelo contrário me jogaram num lodaçal, num poço de desilusão. Não trouxe nenhum bem material os quais foram meus “tesouros”, tudo ficou no dia que cerrei meus olhos para a vida carnal; sai da terra como um “patrão” e aportei neste mundo como um escravo, um lixo humano.
Que saudades sinto quando era aquele menino pobre e descalço, mas feliz, não tinha ambição, nada era difícil e eu era feliz a meu modo. Naquela encruzilhada da vida quando tinha 15 anos, eu não deveria ter seguido o comando que segui, deveria ter feito diferente, mas a ambição e a falta de bons conselhos me fizeram seguir o caminho que segui e que me levou a derrocada, quando achava o contrário.
Hoje estou arrependido, mas não só de arrependimento irá bastar, sei que tenho de reparar todos os atos que pratiquei e mesmo que leve uma eternidade, rogo a Deus que me conceda a chance de tornar-me limpo novamente e quem sabe voltar a ser como criança novamente, ser puro.
A minha mãe, que nunca a conheci, hoje quero pedir-te perdão, você gerou esse ser tão cruel que fui. Perdão.
Que seja feita a vontade de Deus e que ele tenha piedade de mim.
   
 Osvaldinho.

            Psicografia recebida em 2016.                                     

            Médium: Luciano C.

sábado, 26 de novembro de 2016

O  SUICIDA  E  O  MUNDO COLORIDO

Em paz me encontro neste momento, mas não foi fácil para mim todo esse tempo. Hoje sinto bem, fortalecido na fé e sinto esperança no meu coração.
O meu ato não foi exemplo para ninguém e eu não quero ser  lembrado sempre como um suicida. Eu vivi pouco tempo com a minha família, pois sempre estive hospitalizado em clínicas psiquiátricas e de loucos, pois se diferem no tratamento. Eu vivi os dois lados da loucura, quando você é visto como um delinqüente e quando você é visto como um louco anti-social, podendo causar danos a outras pessoas, ser considerado um perigo para sociedade.
Gostaria muito que meus familiares lembrassem de mim como um garoto sonhador, que queria mudar o mundo e fazer parecer um arco iris de tão colorido, era o meu desejo. O meu mundo eu não conseguia ver colorido e me sentia triste, então eu pensava em colorir o mundo de quem eu gostava e amava.
Um dia eu amanheci e percebi que não era possível colorir o mundo e fui ficando desanimado, descrente, angustiado e o meu estado de saúde agravou. Fui ficando irado com tudo, tinha muita raiva, não gostava que pessoas me tocassem e se dirigissem a mim com pena e falsidade, eu ficava completamente indiferente, louco mesmo.
Minha mãe, acho eu que era a única que me entendia e eu acho que ela compreendia toda aquela loucura que eu vivia. Numa visita eu disse: -- “mãe não quero viver neste mundo mais, eu não pertenço  mais aqui, eu colori o meu mundo, olha aqui.”  E eu havia desenhado um mundo bem colorido num pedaço de papel e entreguei a ela. Eu vou arrumar um jeito de chegar neste mundo, não sei como, mas eu vou e a senhora não fique triste, pois estarei feliz e liberto deste mundo cruel e cinza.
Minha mãe com toda preocupação do mundo avisou toda clínica que eu queria cometer o suicídio, mas acho que ninguém acreditou e fiz, provoquei a minha própria “liberdade”.
Como fui tolo em acreditar que iria para um lugar lindo, colorido e de luz. Fiquei na escuridão por muitos anos e muitas décadas e quando eu pensava no meu mundo colorido era o momento de paz, mas logo a realidade se fazia presente.
Bem, fui recuperando por misericórdia de Deus nosso Pai, pois eu era doente e não tinha total responsabilidade pelo meu ato, mas não deixei de viver o meu tempo no umbral como todos que cometem um ato desta natureza.
Eu quero deixar aqui um pedido. Vamos lembrar de um suicida com mais respeito, carinho, piedade e se lembrar façam uma prece, oração, reze, seja o que for, mas com muito respeito, pois somos filhos de Deus que não suportamos viver num mundo cinza.
   
              Obrigado.
              Antônio Joaquim M.                   

 Psicografia recebida em   2016.

             Médium:  M. Nicodemos.

sábado, 19 de novembro de 2016

VIVO NUM TORMENTO SEM FIM

Estou aqui quase dois séculos e ainda hoje não consigo me perdoar de todas as maldades que fiz. Fui um rico dono de várias fazendas, muitas terras, muitos escravos. Era temido por todos, respeitado e também muito odiado e até hoje existem negros, ex-escravos que não conseguem me perdoar. 
Na minha principal fazenda, onde eu residia com a minha família eu tinha muitos, muitos escravos, e como “dono” de todos aqueles seres teria eu, hoje sei disso, que ter ajudado a quantos viviam sobre o meu domínio. Tratava aquelas pobres criaturas com mãos de ferro, tinha prazer de tratá-los com crueldade, me comprazia enormemente com isso.
Gostava de ver aqueles mais rebeldes serem castigados, terem suas costas abertas em feridas, aquilo me deixava feliz, pra mim eles não tinham alma. As negrinhas da minha senzala eram todas abusadas por mim, quantas infâncias eu destrói. Gostava de ver os pais daquelas pobres crianças assistindo toda a minha maldade e os mais atrevidos eram mortos sem pena, afinal era só um a menos em meio a tantos escravos.
Pratiquei as maiores crueldades que um ser humano pode praticar.
Meu Deus como me envergonho! Mas vou dizer, preciso dizer. Quando descobria que as moças abusadas por mim esperavam uma criança eu nem me importava em pensar o que fazer, a ordem era a mesma para todas. Ao darem a luz, o capataz, homem igualmente ruim, pegava o recém nascido e enterrava vivo, muitas vezes sobre o protesto louco de suas mães, outras já tão sofridas com toda a humilhação nem se importavam, ficavam inermes vendo toda aquela barbárie.          
Eu não podia me comprometer, odiava os negros, como explicar que gostava de me deitar com as jovens negrinhas da minha senzala? Antes que alguma suspeita pudesse recair sobre mim eu eliminava a prova. Matei muitos filhos, sou um assassino cruel, matei meus próprios filhos.
Oh meu Deus que dor sinto agora, o que fazer para corrigir tantas maldades? Vivo atormentado, ouço choro de recém nascidos, esse som não para nunca, vejo mulheres a me acusar de assassino, homens a me xingarem. Vivo num tormento sem fim.
Desespero, desespero e desespero é isso o que eu sinto, a vergonha de mim mesmo, a dor de ver como num ato contínuo todas as minhas maldades como um filme que não tem fim.
Hoje sou um pobre maltrapilho, um monstro sem face, preciso de ajuda, mas não consigo pedir, a vergonha não deixa, sofro a dor de todos os que eu fiz sofrer.
Se alguém ler essa narrativa e se sensibilizar com o sofrimento que causei aos meus irmãos, sim meus irmãos, aquelas pobres criaturas que eu tanto fiz sofrer são sim meus irmãos, peço que orem por eles, para que eles possam me perdoar, não por mim, pois que eu não mereço, mas por eles que sofrem terrivelmente até hoje por não me perdoarem, vivem igualmente a mim presos nas trevas do ódio e da vingança. Ajude-os com suas orações, peçam a Jesus por eles?
Quanto a mim? Não mereço nada, nem o sofrimento de quase dois séculos paga a metade do que fiz sofrerem os outros.
Me desculpe fazer com que leiam coisas tão cruéis, mas precisava desabafar e pedir pelos os que fiz tanto mal.

Um ex-senhor de engenho.
Um pobre ser reduzido a nada pela própria consciência culpada.     
                          
            Psicografia recebida em 2016.                                      

            Médium:  Débora S C.

sábado, 12 de novembro de 2016


O QUE A GENTE FAZ A GENTE COLHE

         Era tarde da noite, o carro corria. Chovia muito, eu comecei a ficar desassossegado. O motorista era boa pessoa com muita pratica no volante. A chuva era torrencial e não se via muita coisa, pois era impossível avistar o caminho. O estrondo que se deu nos ensurdeceu e algo muito pesado nos atingiu. Hoje eu sei que um caminhão desgovernou, bateu em outro carro e nos atingiu.
         A chuva continuava e a escuridão era demais. Eu me sentia preso, não me movia, mas estava vivo eu sentia isso. Passou muito tempo, não sei quanto tempo, e comecei a ouvir vozes. Pensei que eram gemidos, mas eram vozes mesmo.
         Já estava amanhecendo e alguém com uma lanterna iluminou meus olhos. Eu estava morto. Senti um calafrio e um medo enorme. Como explicar? Não sei.
         Levaram-me num camburão, pois todos estávamos mortos. O acidente foi fatal. Sinto muito dizer mas eu não me conformei com isso. Era jovem ainda, com tantos planos para o futuro. Possuía família, mulher e dois filhos.  Como fazer? Meu Deus! Não pode ser verdade, mas era.
         Fui velado, houve até missa de 7º dia, mas eu não me conformava. Sofri muito, fui socorrido por uma equipe espiritual, eu não era espírita fiel, mas simpatizante, acredito na vida após a morte e na reencarnação.
         Digo para vocês que isso muito me ajudou, pois logo, logo me refiz e hoje eu já posso auxiliar aos meus.
         Dizer que sou feliz completamente, não sou. Mas o que posso fazer eu faço e isso me traz alguma felicidade.
         O plano espiritual é exatamente como eu imaginava, com algumas alterações de acordo com cada um. O que precisamos, temos.
         Hoje venho dar o meu testemunho: O que a gente faz a gente colhe, mesmo aquilo que nos parece coisa boba. Mas se trouxe algum benefício para alguém isso muito nos reconforta e ajuda.
      Espero ainda um dia reencarnar fazendo parte dessa mesma família que eu tive nessa encarnação.
            Abraços a todos e obrigado.  
 
            Clebinho. 
                                                        
 Psicografia recebida em 2016.                                     

 Médium: Catarina.

sábado, 5 de novembro de 2016


O PERDÃO É LIBERTADOR

 Era só mais um dia que se iniciava como tantos outros, apesar de ter uma rotina estabelecida pelo trabalho minha vida era de certa forma bem pacata.
Naquela manhã de sábado, de um dia quente de verão, acordei como de costume, despedi-me da esposa querida e saí em direção a minha loja, morávamos muito próximo ao local de trabalho e em poucos minutos de caminhada chegava ao trabalho. Antes de abrir a loja passei para tomar um café em padaria próxima, não gostava que minha esposa tivesse trabalho, já que apesar da meia idade não tínhamos filhos, então pra que dar esse trabalho a ela? Tomava o café da manhã nessa padaria para que ela pudesse desfrutar do conforto de estar por mais algum tempo na cama.
Após o café me dirigi para minha loja e como ainda era cedo, o movimento era pouco entrei e fui resolver alguns problemas rotineiros, estava muito distraído quando um sujeito armado entrou me rendeu, roubou o que quis. Eu não queria reagir, mas num ímpeto infeliz avancei sobre ele na esperança de recuperar os objetos roubados, e ele sem a menor pena sacou de uma arma e me atingiu o abdômen, morri ali mesmo, não tive tempo de dar uma palavra, um adeus, não consegui nem ser socorrido, tudo se deu de maneira tão rápida e inesperada que não tive tempo nem de raciocinar.
Quando acordei, já não fazia mais parte do mundo dos vivos. Tomando ciência do que me houvera acontecido fui tomado por uma sensação de ódio e de rancor que me dominaram, fiquei como louco, como aceitar aquela situação?
Por muito tempo passei entre acordar e dormir, parecia que quando estava acordado a cena trágica se repetia e tornava a se repetir e assim sucessivamente até que o sono me vencia e daí a pouco eu acordava e tudo se repetia.    
Apesar de estar momentaneamente nutrindo enorme ódio no coração, eu não era assim, sempre fui dessas pessoas que a tudo perdoa, sem mágoas, sem ressentimentos. Acho que por isso fui socorrido, nunca estive desamparado, e com o passar do tempo depois de muitas conversas, muitos tratamentos consegui finalmente ir me desvencilhando daquele ódio que me consumia.
Quando me livrei desse ódio e concedi o perdão sincero ao meu assassino, afirmo a vocês que não foi a ele que perdoei , perdoei a mim mesmo, perdoei-me quando tirei do meu coração aquele ódio imenso que sentia.
Hoje venho através desse relato mostrar à vocês, que hora possam estar lendo,  sobre a importância enorme do perdão. Se soubéssemos o quanto é bom conceder o perdão a alguém, como isso é libertador, não passaríamos cultivando mágoas por tanto tempo e acabando em gotas homeopáticas com nossa saúde física e espiritual, que aos poucos vai nos minando as forças.
A palavra perdão é linda de se dizer, mas dizer que perdoa sem que esse perdão saia do coração não adianta. Sei que para muitos é difícil, mas saibam irmãos e amigos que o perdão é libertador.
Luz no caminhar de todos. 
     
Mauro.     
 
            Psicografia recebida em 2016.                                     

            Médium:  Débora S C.

sábado, 29 de outubro de 2016


JOVEM  RAPAZ  DE  23 ANOS

Quanto sofrimento, muita dor, muita solidão e desespero. Minha fé? Não me lembrava dela e nem que existia um Deus.
 Infelizmente a doença quando vem e nos deixa impossibilitado de viver a vida que tanto desejamos e nos deixa a beira da loucura, do desespero, os questionamentos são muitos e não tem respostas, bem não tinha!
Hoje desencarnado muito me foi esclarecido, mas ainda continuo em tratamento e cada dia com explicações e estudo consigo entender um pouco o porquê de tudo isso que eu vivi.
Sou um jovem rapaz de 23 anos, estudante universitário, estagiário em uma grande empresa onde eu pensava em conquistar o meu primeiro emprego e assim ser um grande profissional, atleta, adorava esporte, opa! Adoro ainda, não deixei de gostar das minhas opções como esporte, profissão, cor, etc... Isso também me deixou inquieto e pensativo, como? Eu ainda gosto das mesmas coisas, mas não pertenço mais a vida corpórea? Eu achava que seria uma outra pessoa, mas não sou o mesmo com as mesmas manias e etc...
Um dia pela manhã fiz o meu lanche matinal como de costume e fui para o meu banho, quando me ocorreu um sangramento nasal, fiquei tranqüilo, mas um pouco preocupado, não era comum e eu sempre cuidei muito da minha saúde.       
Olha tinha muito medo de adoecer e sofrer em uma cama com pessoas em minha volta chorando, escondendo a verdadeira situação e enfim, a doença era o meu temor e fiquei o dia todo com aquela preocupação e resolvi ir ao médico, por sinal um excelente profissional, que não fez vista grossa e sim foi fundo saber o porquê do sangramento, graças a Deus ele encontrou e já me encaminhou para uma especialista que já me indicou um tratamento radical a base de quimioterapia e radioterapia, enfim vocês já sabem qual doença eu vivi e lutei até o fim.
É infelizmente o câncer me venceu, mas em nenhum momento eu achei que ia me vencer, acho que isso foi o que Deus gostou em mim e não deixou que eu ficasse muito doente a ponto de ter pessoas me limpando e chorando em meu leito, eu desencarnei sim, mas me achando um vencedor.
Não lembrei de rezar, fazer preces, orar e nem promessas, eu queria vencer aquele momento ruim em que eu estava vivendo e não pensava em morte e lamentos e sim viver. Tinha fé, mas não orava porque não queria parecer um fraco perante a Deus e ficar lamentando e mostrar que era capaz de vencer.
Eu lutei contra uma doença grave, mas ela não me venceu, ela simplesmente foi um instrumento, ou melhor, uma causa para me levar para o meu plano espiritual, era o meu momento, era o momento do meu fim, ou melhor, o meu recomeço na vida espiritual.
Sou feliz.

Glauco Barbosa Filho.

 Psicografia recebida em 2016.

             Médium: M. Nicodemos.

sábado, 22 de outubro de 2016


HORAS VAZIAS

As datas para mim eram valiosas. Decorava datas de nascimento, de casamento, de morte. Aniversários de casamento.
Tudo para mim se resumia no calendário. Ao iniciar novo ano, como eu me alegrava e ficava jubiloso. O que haveria de acontecer naquelas datas? Era isso que eu pensava.
Porém jamais poderia imaginar que naquele ano eu morreria, porque a minha data estava marcada e eu iria ter que prestar contas de meus dias, de meus minutos. Qual o que? O que fiz de meu tempo? Nada de extraordinário. Casei-me, criei meus filhos, tive netos. E como todo mundo descansei em minha aposentadoria, sempre a contar as datas, sem nada fazer de beneficio para aqueles a quem deveria fazer.
Minha nora precisou de mim, eu dei uma desculpa e me esquivei, outra pessoa me solicitava e eu escapulia. Gostava mais de sintonizar meu radinho, ou minha TV para ouvir notícias mirabolantes. Nada fiz. E isso está sendo cobrado aqui onde estou.
Por que é que eu me sinto tão só? Por que ninguém mais se lembra de mim? Às vezes alguém que eu calculo ser minha netinha pergunta: Mamãe onde está o vovô? Eu quero dizer estou aqui, ore por mim. Mas qual o que? Tudo passa e novamente venho para meu lugar de sempre.
Hoje venho a esse grupo, onde sou convidado por meus irmãos espirituais que me acobertam, para que eu possa aprender um pouco e dizer-vos:
_ Não contem as horas passadas ao leu, horas vagas. Não desperdicem seu precioso tempo, porque ele passa rápido. Façam algo em prol de seus irmãos e familiares. Orem por aqueles que os aborrecem. Não se esquivem de fazer o bem seja à quem seja.
A recompensa virá em horas cheias de felicidades e alegrias. Não colecionem horas vazias volto a dizer.
Obrigado.    

Joaquim.

Psicografia recebida em 2016.                                     

            Médium: Catarina.

sábado, 15 de outubro de 2016


O  CÂNCER  ME  VENCEU

 Não consigo aceitar o que me aconteceu, não sei por que Deus fez isso comigo, logo eu que era tão feliz, que tinha tantos planos para o futuro, que era jovem e bonita, por que meu Deus, por quê?
Me sinto enfraquecida, doente, desesperada. Tenho saudades da minha casa, da minha mãe, do meu pai e da alegria dos meus irmãos. 
Tenho saudades do meu noivo! Ah meu Deus, fazíamos tantos planos, como queríamos o casamento, quanta coisa planejada para esse dia que nunca aconteceu.
Já havíamos marcado a data, providenciamos os preparativos, até que senti aquela dor terrível que a muito vinha me incomodando, mas que eu atribuía ao cansaço do dia a dia. Até que ela chegou implacável, arrastando-me para o médico de maneira urgente. Passei alguns dias fazendo exames e então o diagnostico, o câncer no pulmão já estava avançado, não havendo nada mais a ser feito.
Como sofri quando recebi o diagnóstico, como minha família sofreu. Meu noivo, ah meu amor que dor ter que voltar e te deixar, como éramos felizes juntos! Em poucos meses emagreci a ponto de não poder manter-me de pé e as dores cada dia mais fortes, sem haver medicamento capaz de amenizá-las. Sofri, sofri muito, mas não queria partir, tinha vontade de viver, vontade de continuar..., mas nem a minha força de vontade e a minha determinação em não deixar levar pela morte foram capazes de me manter viva, o corpo, minado pela doença não mais resistiu e eu voltei. Voltei, mas não me conformei, voltei, mas não aceito, quero meu corpo de volta, minha vida, minha família e meu amor, como viver sem ele?
Não sei a quanto tempo estou aqui, as vezes parece que foi ontem, outras vezes que já são varias décadas, não sei, perdi a noção de tempo.Como é ruim a situação em que me encontro. Preciso de ajuda, tenho que encontrar meu noivo, ele precisa saber que eu não quero vê-lo com ninguém, que ele é meu e eu não aceito dividir esse amor.
Tenho medo de que o tempo o faça esquecer-se de mim, não vou suportar mais essa dor. Ajudem-me, preciso encontrá-lo, preciso muito, olhem para mim, estou um farrapo, não consigo manter-me de pé, mas a cabeça, essa não para de funcionar, quero parar de pensar, quero parar de sentir, já que não posso mais retornar ao meu corpo, então quero morrer de verdade, deixar de existir? Será pedir muito?
Me sinto revoltada, estou triste, suja, esfarrapada, não suporto mais viver assim.
Preciso de ajuda!

           Soraia. 

            Psicografia recebida em 2016.                                     

            Médium:  Débora S C

sábado, 8 de outubro de 2016



SUICÍDIO, UM ATO TENEBROSO.

A se eu soubesse...
Que cada manhã fosse tão importante.
Se eu soubesse que cada dia é uma dádiva.
Se eu soubesse...
Se eu soubesse que viver era tão importante.
Que meu egoísmo, minha rebeldia era tudo inútil.
Se eu soubesse que acordar toda manhã era tão magnífico.
Que trabalhar era tão prazeroso...
Porque reclamei tanto? Por quê?
Por rebeldia findei meus dias.
Por rebeldia hoje sofro.
Por incredulidade descobri que por maiores que fossem meus problemas, nada, nada valeria esse sofrimento...
Se eu soubesse que morrer era tão doloroso, nunca faria o ato tenebroso que cometi.
Hoje acredito no erro que cometi, hoje, depois que acordei para os meus problemas, orei a Deus e nessa oração a luz se fez presente.
Hoje peço perdão a Deus e a minha família e que um dia possa reparar o grande equivoco que cometi.

Danilo.

            Psicografia recebida em  2016.                                     
            Médium: Luciano C.

sábado, 1 de outubro de 2016


É POSSÍVEL  SER AMADA

“Se essa rua fosse minha, eu mandava, eu mandava ladrilhar com pedrinhas com pedrinhas de brilhante, só pra ver o meu amor passar...” Eu era tão pequena e vivia a cantarolar pelas ruas do lugarejo onde vivia, eu acreditava em príncipe encantado e sentia que viveria um grande amor, um amor de conto de fadas, com um final feliz e com a mesa farta e com os filhos e netos reunidos no almoço de domingo.
Cresci com essa intuição e já com idade boa pra casar, como dizia minha mãe: - Já está na idade de casar, eu digo boa, e pare de pensar que o príncipe vai chegar e vai ser o seu grande amor, tudo ilusão minha filha querida e sonhadora.
Mas eu acreditava que seria sim muito feliz e teria filhos lindos e amáveis, enfim tudo aconteceu tão rápido que casei com um homem que só vi um dia e no outro eu já estava casada, um escolhido pelo meu pai, um bom homem, de família boa e tem terras produtivas. Você vai ter aquela mesa farta que tanto fala, palavras de meu pai.
E assim foi o meu príncipe escolhido pelo meu pai, onde não havia nenhum encantamento, nenhum cavalo branco e nem um castelo. A minha realidade começou na noite de núpcias, fui violentada e como não podia falar nada, a violência foi cada dia mais cruel, fui maltratada e humilhada de todas as formas, mas eu não era uma pessoa que desejava mal e nem comentava nada com minha família. Todos achavam que eu realmente tinha encontrado o meu grande amor.
E fui vivendo conforme eu era imposta, fiquei grávida e achei que seria amada pelo filho que estava em meu ventre, e assim com seu amor o sofrimento seria mais doce e teria um bom motivo para viver, pois coloquei no mundo uma pessoa que me amaria e principalmente ia me proteger de todo mal.
Mas com o tempo meu filho foi crescendo e fui vendo que seu caráter era igual ao do pai, arrogante, cruel com os empregados e gostava de fazer os outros perderem tudo com sua ganância.
Eu fui desanimando com tudo e me entreguei a bebida, eu ia para o meu quarto e bebia e passei a viver um sonho de princesa e príncipes com castelos e cavalos brancos e livres, vivi nesta ilusão por muitos anos até que fui internada em um hospital de loucos e fiquei por longos anos.
 Me recuperei, trabalhei no hospital como voluntária e não mais voltei para casa. Um dia eu no jardim cuidando de um interno fui tocada por um homem educado, feliz e que queria conhecer o seu grande amor e nos conhecemos, nos amamos. E eu felizmente encontrei o meu grande amor, num momento onde eu já não mais acreditava que seria possível eu viver.
Hoje sei que é possível sim ser amada, respeitada e principalmente ser ouvida por um homem que não seja cruel.

Cecília da Cruz Avelar.
 
 Psicografia recebida em 2016.

             Médium: M. Nicodemos.