EDUCAÇÃO OPRESSORA GEROU O ÓDIO
Fui criada numa educação opressora. Onde se pedia benção aos pais. Onde se obedecia rigidamente todas as regras impostas fora e dentro de casa.
Eu e meus irmãos tínhamos que andar na
linha, pois um desvio papai com sua rigidez batia e batia muito e castigava.
Obedecíamos por medo e não por respeito. O medo era tão grande que não podíamos
ter vida própria, pois vivíamos a vida que ele queria para nós.
Me perguntava todos os dias porque Jesus na
sua infinita bondade tinha me dado um pai tão severo e opressor. Mamãe era mais
ponderada, mas concordava com ele por medo e não por respeito.
Essa foi a minha vida durante 20anos até
que conheci um rapaz e passei a amá-lo. Gesiel era o nome dele. Muito querido
passou a me orientar em como devia ser meu trato com ele. Não pude colocar em
pratica essas orientações, pois não conseguia de forma alguma enfrentar papai,
o medo sempre foi maior que tudo. Ele era um verdadeiro coronel.
Bem, resolvi apresentar Gesiel a papai,
pois se ele descobrisse que estávamos a nos encontrar escondido poderia me
matar. Temia por minha vida. Me apeguei muito a Gesiel, pois ele era pura
demonstração de carinho e amor. Não saberia mais viver sem aquela pessoa que me
apoiava e me amava apesar da pouca idade. Papai ao conhecer Gesiel foi
violento. Colocou o rapaz porta a fora e disse que quem escolhia o namorado
para filha seria ele. Que casaria com quem ele escolhesse e não com quem eu
escolhesse.
Sofri muito, pois passei a ser vigiada e
minha vida se tornou muito mais difícil e atormentada. Devido a tanta tristeza
fui acometida de uma tuberculose que me deixou meses de sofrimento, até que
minha vida teve fim.
Tive que partir para uma nova etapa.
Chequei cheia de dores, revolta e tristeza. Já faz muito tempo que ando por aí,
a espreita aguardando a chegada daquele que tanto me atormentou. Sei que ele
também se foi, morreu, então ele retornará aqui. E eu aqui a esperar.
Não sou vingativa, mas luto por
encontrá-lo. Preciso olhar nos olhos dele e mostrar toda minha revolta. Estou
aqui sim vagando, sofrendo e atormentada, mas me sinto viva para dizer que o
odeio.
Eu
sou Fátima de Oliveira.