NATAL COM SIMPLICIDADE
Eu tive várias reencarnações, sempre nasci
em família desprovida de tudo, moradia, emprego e na total miséria, mas sempre
eu me sentia feliz. Esse sentimento de felicidade foi entrando no meu coração à
medida que os meus anjos iam falando comigo, de forma tal, que eu ia lembrando
de mim criança correndo nas vielas, os meus pés descalços na lama, água suja e
eu ali feliz.
Meus pais sempre muito honestos e
trabalhadores, minha mãe faxineira, meu pai biscateiro e muitos irmãos, todos
pequenos ainda. E foi passando um filme, é um filme mesmo, essa era a sensação
que eu tinha.
Quando chegava o natal, essa época era de
muito sofrimento para os meus pais, para nós não, eu e meus irmãos, o natal era
a pura esperança. Escrevíamos cartas, colocávamos meias nas portas e os nossos
corações cheios de esperanças e expectativas.
Minha mãe quase enlouquecia na procura de
mais faxinas que pudesse nós dar um brinquedo somente e realizar um sonho de
seus filhos. Meu pai nem dormia, fazia “bico” durante o dia e a noite era
garçom, isso era todo ano. Nossa casa era a referência de todo o morro, minha
mãe fazia questão de deixar a porta aberta para que todos aqueles que quisessem
cear conosco seriam bem vindos. E a criançada sabia que tinha comida boa e um
brinquedinho novo.
Como eu era feliz, o meu coração era leve,
não era bonita, não tinha cabelos bem cuidados, nem perfumes importados, mas
nós éramos felizes com tão pouco e fazíamos tanta gente feliz.
Mas infelizmente não foi sempre assim e
você que está lendo está psicografia não vai entender nada porque eu na minha
ultima reencarnação tirei minha vida num
dia de natal. Eu uma mulher rica, realizada profissionalmente, uma família
linda, uma casa enorme com esgoto encanado, luz, computador, mas nada me fazia
ser feliz, tudo era muito estranho, como que o mundo que eu vivia não me
pertencia. No natal sempre fazia trabalhos voluntários, distribuía presentes
nas comunidades, isso sim, me fazia feliz.
Quando voltava para o meu mundo, era uma
tristeza que não mais agüentava, tomava remédios para dormir, tomava para
acordar, eu não queria viver assim.
Eu queria ser feliz por completo, de corpo
e alma e isso não acontecia e quando chegou o mês de dezembro, não suportei
tanta diferença de classe social e a felicidade daqueles que não tinham nada
era tão linda e profunda que eu enlouqueci e foi o meu fim.
Hoje com todo o esclarecimento que tenho
aqui, vejo que eu fui feliz com pouco e não estava preparada para viver uma
vida com tantas facilidades.
Hoje eu comemoro o natal com simplicidade e
me sinto muito feliz, mas tenho muito para aprender e estudar.
Vou ser feliz neste dia em que comemoramos
o nascimento de Jesus.
Lindalva da Cruz.
Psicografia recebida em dezembro de 2015.
Médium: M. Nicodemos.