sábado, 30 de julho de 2016


MORRI E NEM VI

         Se alguém me falasse sobre a morte, eu logo desconversava. Não acreditava em nada, isto é só acreditava que existia uma força motriz que governava tudo, que fazia com que tudo funcionasse em ordem. Mas eu não falava em Deus, mas numa força motriz, uma articulação até automática que organizava tudo.
         Eu não sabia o que era morte e nem queria saber.
       Um belo dia, após o trabalho eu não sentia-me bem. Eu trabalhava em serviço braçal e eu coordenava várias pessoas que faziam parte de meu trabalho.
        Cheguei em casa e assentei-me para ver televisão, não era para ver televisão, mas apenas para dar um tempo para que eu me refizesse. Tinha levado minha marmita para o trabalho e comi normalmente. Eu acreditava que não era a comida, mas eu não estava bem.
         Morava com minha mãe, pois não me casei. Meu pai havia morrido de uma longa doença, e eu como bom filho achava que devia e tinha obrigação de cuidar de minha mãe.   
        Oh! Coisa estranha! Eu cai sobre os meus braços e ouvi claramente a voz da mamãe:
        -- Acudam, meu filho está morrendo!
         Para mim mamãe estava enganada, pois eu não estava morrendo.
        Aproximaram-se algumas pessoas, inclusive meu pai, me puzeram numa maca e me levaram ao hospital, um hospital que eu não conhecia. Eu não estranhei a presença de papai, achei normal, pois me esqueci momentaneamente que ele havia falecido.
        Passou o tempo para mim, fiquei um tempo bom nesse hospital e aos poucos fui notificado que realmente havia morrido!
        Que é isso? Eu Morto? Mas então o que é morte? Achava que fosse algo ruim, mas não senti nada desagradável. Mas pela ordem natural das coisas, eu devia estar vivo e minha mãe morrer primeiro.
      Assisti a morte de minha mãe e até ajudei a transportá-la para o mesmo hospital em que estive. Meu pai também estava presente e ajudou.
         Hoje vivemos, não só nós três, mas uma família numerosa na erraticidade. Estudamos juntos e hoje sei o que é morrer. O que o Frade São Francisco falava: “É morrendo que se vive para a vida Eterna...”
        Vou me preparar para ajudar aqueles que passam para o lado de cá, tirando deles o medo da morte e auxiliado no trespasse.
        Obrigado e que Jesus abençoe a todos.
       
        Pedro.      
                                                                 
 Psicografia recebida em 2016.                                     

 Médium: Catarina.

domingo, 24 de julho de 2016

CICLO DE ÓDIO

Como tenho medo da noite, desde que era criança o que mais temia era quando a noite caia, a escuridão trazia a tona todos os meus medos e junto os fantasmas de minha imaginação.
Essa mesma noite após alguns anos, trouxe também um outro fantasma e muito triste e doloroso para mim, o estupro, o qual por varias noites era subjugada, o mais triste o agressor era quem eu amava e tinha por obrigação me proteger, meu pai.
Porque aquilo tudo acontecia, que mal havia feito, eu era só uma ingênua criança, por quê?
Os anos passaram com ele a gravidez, um filho de meu próprio pai, tinha apenas 16 anos, desesperei-me. Meu pai tendo por pretesto em ser uma desavergonhada, alegando perante a nossa humilde família que eu tinha homens, escondeu os seus atos e jogou-me na rua, minha mãe fingia nada saber e assim fui mais uma na rua da desilusão.
Após algum tempo vagando pelas ruas, fui acolhida pelas freiras do convento local e ali fui ajudada a ter e criar meu fruto do pecado. A dor e a raiva ocupavam o meu ser todos segundos de minha vida.
Definhei e durante o parto perdi minha vida...
Como que atraída por um poderoso imã, fui atraída para meu antigo lar e para perto de meu pai. Tornei-me verdadeira sombra daquele ser repugnante que um dia chamei de pai.
O obsediei tão intensamente que o levei a loucura, o fiz tirar sua vida e ao chegar aqui, descarreguei sobre ele ainda mais minha ira.
Não sei quantos anos foram de escuridão, até que um dia cansada de tudo aquilo cedi a luz e abandonei minha vingança, e descobri que mesmo temendo a noite, por causa de minha vingança vivi por centenas de anos em uma noite que nunca acabava.
Vivi a noite de minha ignorância, acreditando ser vitima de meu pai, quando no fundo nunca fui vítima e sim cega dos erros que cometi no passado e não soube aceitar resignada o resgate quando tive a chance, pelo contrário voltei a pecar e de forma ainda pior.
Meu Deus, ajude-me a quebrar esse ciclo de ódio e dor que eu e meu pai estamos vivendo a séculos.

Catherine.  

            Psicografia recebida em 2016.                                     

            Médium: Luciano C.

sábado, 16 de julho de 2016


PRA  DEUS  NADA É  IMPOSSIVEL

Estou sem paciência, não agüento esperar por dias melhores, eu necessito de paz e ninguém conseguiu ver em mim o meu sofrimento íntimo.
As minhas angustias estão me consumindo e eu não vou suportar, sei e sinto que o meu fim está próximo e bem próximo.
Onde encontrar Deus, onde encontrar a esperança, onde encontrar o amor e respeito, onde?
Como dói esse sentimento de desprezo e abandono, eu convivi com a falta de amor, bem nem sei o que é ser amado e abraçado.
Quando nasci já fui carregando a culpa do desencarne de minha mãe, complicações no parto e o meu pai, homem sem coração, não suportou a falta de minha mãe e a responsabilidade de criar um filho sozinho e se perdeu nas drogas e no álcool.
E eu pequeno ainda, digo bebê recém nascido, fui colocado em um orfanato com a desculpa de não ter um familiar com condições financeiras para me criar. O abandono meus amigos é cruel, machuca e dilacera o coração e a culpa é um tormento que fica constante em seu peito.
Como eu pedi a Deus que olhasse pra mim e compreendesse o meu sofrimento e a minha necessidade de ter um lar, um carinho, de me sentir importante pra alguém. Já crescido e com poucas esperanças, pensava: “jamais serei adotado e acolhido em um lar, uma criança que já carrega no seu histórico uma tragédia, quem iria querer?”.
Um dia chuvoso e frio, uma senhora adentrou no abrigo, eu já crescido e pensei, não serei eu, então me recolhi a um canto da sala e não sei o que aconteceu, eu tive uma vontade enorme de orar com todo o meu ser e alma e felizmente fui eu o escolhido.
Tive uma família linda, carinhosa, irmãos lindos e conquistei o meu lar, casei, tive filhos e com o passar do tempo foi crescendo em mim a vontade de criar uma criança sem lar e sem amor como eu. Conversei com minha amada mulher e resolvemos ir ao mesmo abrigo e foi Deus novamente agindo em mim, escolhi um menino na pré-adolescência e ele foi o meu filho de coração que segurou em minha mão no dia em que fui escolhido para viver na pátria espiritual, um menino que se chama Emanuel. 
Fiquem com Deus e orem, Ele sempre atende aos nossos chamados.
    
José Francisco Teixeira.

 Psicografia recebida em 2016.

             Médium: M. Nicodemos.

sábado, 9 de julho de 2016

A CONFUSÃO ME MATOU

 Não consigo aceitar o que me aconteceu, não consigo entender que por uma coisa boba, um motivo tão banal eu fui expulso do meu corpo.
Passarei a contar o que ouve e que me fez regressar de maneira tão violenta.
Sai de casa naquele dia completamente tranqüilo. O que eu tinha para resolver era coisa rápida, e como era feriado eu regressaria a casa e passaria o dia ao lado da minha companheira e dos meus dois filhinhos, que nasceram no mesmo dia, eram dois lindos meninos, gêmeos idênticos que a quatro anos Deus me presenteava.
Ainda no caminho de ida para resolver o que eu precisava fui abordado por um homem que aos gritos me insultava, não consegui muito bem entender o porquê de toda aquela atitude. Ele parou o carro ao lado do meu no sinal e me insultava, eu sem entender perguntei o que havia acontecido, o homem tremulo de ódio dizia que eu não me fizesse de bobo, e eu continuei sem entender. Logo percebi que ele me havia confundido com alguma outra pessoa, ou melhor, confundido o meu carro. Dizia que estava me fazendo de bobo, mas que eu sabia muito bem que eu o tinha fechado. Tentei mais uma vez argumentar e aquele sujeito cada vez mais agressivo, até de supetão sacou de uma arma que ele trazia à cintura e sem que nada pudesse ser feito atingiu a minha cabeça.
E foi ali mesmo no meio da rua, por um motivo que eu nem sabia, eu despedia-me do meu corpo, despedia-me da vida feliz que eu tinha ao lado dos que eu tanto amava.
Quando consegui entender o que havia acontecido a dor que senti, não sei precisar, fiquei louco e comecei uma busca implacável atrás daquele homem que me tirara tudo o que eu mais tinha de valor, minha vida, o convívio feliz com minha família. Eu de homem bom e digno passei a ser um ser que o objetivo principal era a vingança. Passei muito tempo, acho que muitos anos a procura daquele sujeito, a essa altura já havia me tornado um lixo, não pensava mais na companheira querida e nem nos filhos amados, era movido tão somente pela idéia de vingança.
Depois de longa procura encontrei o tal sujeito em um cárcere imundo, completamente isolado e triste, eu aproveitei da situação infeliz daquele ser e comecei ali a minha vingança, devagar com paciência e com a permissão dele, por causa do remorso consegui ir minando-lhe a saúde física e principalmente a saúde mental, até que ele enlouqueceu e gritava desesperado, ele conseguia me ver, pedindo que me tirasse dali, ele chorava, gritava até cair extenuado no chão, onde ele se debatia até perder os sentidos, e em uma dessas crises ele bateu a cabeça de modo que assim perdera a vida. Exultei e ali mesmo já estava eu pronto para pegar aquele infeliz. E assim consegui ajudado por outros companheiros.
Passei subjugando aquele homem e impondo-lhe atrozes sofrimentos. Um dia sem que me desse conta fui acolhido em uma casa espírita e ali começou o meu tratamento. Meu e o do pobre coitado que eu mantinha sobre o jugo. O tempo foi passando e o tratamento evoluindo, até que consegui a minha e a liberdade dele.
Esse tratamento foi longo e sofrido, nunca mais tive noticias da minha família, até que um dia fui levado à minha antiga casa, lá vi uma senhora de cabelos grisalhos e dois homens que pela aparência, ou seja, por serem completamente iguais, um carregando uma linda menina ao colo e o outro feliz anunciava o nascimento de mais um filho. Fiquei tonto, fiquei sem rumo ao perceber que a senhora era a minha linda companheira e os dois homens aqueles meninos que um dia deixei para ir logo ali e voltar.
Chorei ao ver aquela cena, o tempo havia passado e eu perdera a oportunidade mesmo de longe ter tido noticias deles. Me senti a pior das criaturas, quando um espirito que me acompanhava  falou com doçura, esse filho que anuncia a vinda do seu neto receberá como filhinho aquele que tirou a sua vida e alguns anos depois virá você ira se unir a eles.
Era Deus ali colocando as coisas em ordem, fazendo que as arestas do passado fossem aparadas.
Hoje agradecido a Deus pela oportunidade, aguardo o meu retorno, terei no meu assassino o irmão amoroso e ele em seu algoz do passado o irmãozinho menor que ele amará do fundo do coração.  Peço a Jesus para que tanto eu quanto ele possamos aproveitar essa bendita oportunidade e aprendermos o verdadeiro amor fraternal.

Simão. 

            Psicografia recebida em 2016.                                     
            Médium:  Débora S C

domingo, 3 de julho de 2016


EXISTE  VIDA  PLENA  APÓS  A  MORTE

            Os meus pés estavam hirtos, gelados e eu não os sentia. Minhas pernas estavam muito inchadas. Mesmo assim eu não percebia a gravidade da situação.
              Meus filhos iam me visitar e nada diziam a respeito. Os médicos iam e vinham, olhavam e examinavam, mas também nada me falavam de concreto.
          Um dia me levaram à sala cirúrgica, me disseram que eu sofreria uma intervenção nas pernas. Eu obedeci como se eu fosse um cordeirinho. Na verdade eu estava nas mãos dos médicos, e eu também acreditava que Deus e meus santos favoritos não me abandonariam. Eu sofri a intervenção...  Mas oh! Que tristeza, amputaram-me uma das pernas e tentariam salvar a outra, que se o sangue não circulasse eu também ficaria sem ela.
             Fui para o quarto e eu senti uma coisa muito estranha. Eu sentia coceiras e dores na perna amputada. Meus filhos vieram e eu pedi a eles que coçassem minha perna. Eles coçaram a perna que ficou e eu disse a eles: é a outra que coça! Eles acharam que eu não estava em meu juízo perfeito. Fiquei internado mais alguns dias e os médicos me disseram que teriam que amputar a outra perna. Eu pensei: é preferível morrer!
            E eu morri. Só que eu não morri da forma que eu pensava. Me via no caixão, depois vi meu enterro, ao que muitas pessoas me convidaram para sair dali e ir para outro lugar. Eu fui andando com minhas duas pernas. Pensei estar ficando louco, mas não, eu estava recuperado com minhas duas pernas que não doíam e nem coçavam. Eu estava são.
        Hoje estou aqui, recuperado, em companhia dessas pessoas, tendo oportunidade de me expressar. Não sou espírita, mas não hesitei em vir aqui dar meu testemunho.
             A morte do corpo não é a morte da alma. O corpo serve enquanto estamos vivos na Terra; no plano em que estou é tudo muito bom e diferente. Existe vida plena, como Jesus disse: Eu vim para que todos tenham vida e vivam plenamente.
             Tenhamos fé, façamos o bem nas nossas condições, amemos ao próximo que Jesus e Deus nos ajudarão.
              Obrigado.

               Nelson. 
                                                       
 Psicografia recebida em 2016.                                     

 Médium: Catarina.