domingo, 5 de abril de 2015


SOCORRO E RESGATE

Quero muito agradecer. Nem sei bem por onde começar. Cheguei aqui aos tropeços, inconsciente, um farrapo humano. Não compreendia o que ocorria, lembrava-me vivamente do leito do hospital, das luzes da sala operatória e dos vultos, que iam e viam, discutindo meu estado critico e minhas chances. Pensavam que não podia ouvi-los, porque, se soubessem, penso que não diriam de mim como se não tivesse medos, angustias e sentimentos. Ouvia os piores presságios a meu respeito e nada podia fazer. Sentia-me culpado quando falavam do corpo doente e desgastado que me levara àquela situação.
Aos poucos momentos de alivio sentia quando à minha cabeceira alguém muito querido se dispunha a uma oração sincera. Sentia-me nesses momentos anestesiado de minha angústia constante, aliviado das dores que me assolavam e aumentavam aquele martírio.
 Lembro-me, certa vez, de uma visita inesperada adentrava na sala que dividia com outros enfermos um ser luminoso, de vestes alvas e semblante calmo. Aproximou-se de cada leito estendendo suas mãos e deixando cair uma chuva de luzes, nem sei bem como descrevê-las. Com ele estavam dois outros que pareciam formar equipe de aprendizes. Quando aproximaram-se de meu corpo inerte, todo ligado àqueles aparelhos, ele sorriu ternamente, lançado-me um olhar de confiança e conforto como a dizer-me que tudo terminaria logo. Estendeu suas mãos naquele gesto e feito seu trabalho deixou-nos desaparecendo no ar.
Caí em sono profundo e quando despertei já não tinha aqueles tubos e aparelhos ao meu corpo. Descansava em sala ampla junto a outros como eu. À minha cabeceira, ao contrario da parede fria e lúgubre do hospital havia uma janela que dava para um jardim coberto de flores e árvores. Lá fora as pessoas caminhavam, sentadas conversavam ou simplesmente apreciavam a paisagem. Até o ar que invadia meus pulmões antes  saturados pelo vício parecia ter eflúvios salutares que proporcionavam calma a cada inspiração.
Por tudo que passei e ainda passo, venho aqui para agradecer brevemente a misericórdia que tenho recebido. Ajuda encontrada me veio pelas mãos de muitos que sequer soube os nomes.
Pelos anônimos que trabalham com amor e generosidade deixo esta minha mensagem-relato para que continuem, com o permissão de Deus, o trabalho silencioso de socorro e resgate.       
Muito obrigado a todos.     
          
                        Djair.                                                         
                                                         
Psicografia recebida em Reunião de Psicografia em  2015.                                     
            Médium:  Ana Paula

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