segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

AO MEU FILHO

Quero dedicar estas poucas palavras a meu filho. Começo desculpando-me pela ausência física.
Peço que me perdoe por não acompanhá-lo àquelas reuniões escolares tão enfadonhas as quais eu deixava-me levar pela obrigação de pai enquanto você, meu filho, radiante e orgulhoso da minha presença apertava amorosamente minha mão. Também devo desculpas por não estar nas arquibancadas do ginásio, torcendo, entusiasmado, como os demais pais, a cada lance do jogo do qual participava.
Acho que, até mesmo, devo-lhe desculpas por não estar ao seu lado nas noites de insônia, quando o sono teima em afastar-se e ceder seu lugar as velhos conhecidos tormentos infantis. Nesses momentos posso imaginar quanto lhe seria preciosa a presença do seu pai “super-herói” lhe dedicando um pouco da atenção desperdiçada, tantas vezes, nas noites boêmias de nossa cidade.
Não posso, também, de pedir-lhe que me perdoe por não ter lhe emprestado meus ombros largos e meu colo para seu repouso singelo após a refeição tão carinhosamente preparada por sua mãe. Desculpa-me por não poder estar presente nas fotos e álbuns que marcaram sua trajetória vitoriosa do colegial à faculdade.
Lamento, sinceramente, o pai ausente que sempre fui e relapso ao ponto de trocar as dádivas de nosso lar, refrigério santificado, pela ilusória satisfação pessoal que julgava encontrar nas drogas, na bebedeira e nos jogos de azar. Procurei fora de nosso santuário o aconchego e a felicidade verdadeira que sempre estiveram ali, ao meu lado, junto aos meus olhinhos meigos, à sua mente criativa e sedenta de aprendizado e aos seus cachos tão bem cuidados e “saídos” à sua mãe.
Sinto por não ter sido o pai que você merecia e precisava e, por minhas próprias fragilidades, ter tão cedo lhe deixado à própria sorte.
Peço-lhe perdão, meu filho e prometo-lhe minha vontade ardorosa e meu mais verdadeiro afeto se, por misericórdia deste Deus, que nunca compreendi verdadeiramente, tornar-nos a nos encontrar-mos nas voltas dessas vidas.    
Um abraço do seu pai.
   
            Alfredo.                                                           
                                                         
Psicografia recebida em Reunião de Psicografia em  2014.                                     

            Médium:  Ana Paula.

domingo, 21 de dezembro de 2014


É NATAL, DOE TUDO.

Mãezinha querida seque o seu pranto, não agüento mais te ver assim, preciso que você reaja, meu pai precisa de você e meus irmãos também. A minha etapa aí ao lado de vocês terminou, fiquei aí o tempo que me foi permitido por Deus. Cada um tem o seu tempo e embora com muita tristeza tive que regressar, foi chegada a minha hora e não adianta mãezinha se revoltar contra Deus, tudo tem um porque, não me cabe te dizer isso agora, mas pode estar certa minha partida não foi antecipada, tudo ocorreu conforme o programa traçado por mim mesmo e aprovado pela espiritualidade maior antes do meu reencarne.
Te peço mãe, pare de querer achar culpados, ninguém teve culpa, foi somente a vida seguindo o seu curso normal, não foi acaso que meu corpo se chocou contra aquele carro, tudo aconteceu com a permissão de Deus, a sua atitude só serve para te fazer sofrer, tente elevar seus pensamentos a Deus e ao invés de reclamar agradeça; sua lamuria diária só me faz sofrer, anime-se por favor mãe eu lhe peço.
Você tem meus irmãos aí que ainda precisam tanto de sua ajuda e da sua lucidez, pense neles, pense no meu pai, você sofre e eles também sofrem, sofrem por mim, mas muito mais por ti, eu já não mais pertenço a esse mundo e você ainda tem muita coisa a fazer.
Mãe me deixe seguir o meu caminho, estou procurando a luz e quando estou quase conseguindo me libertar me sinto puxado pela sua dor.
Mãezinha viva em paz e me deixe seguir também, preciso de paz, te peço, desfaça das minhas coisas, roupas e objetos; se quiser guarde algo como recordação, mas não mantenha as coisas do jeito que vem mantendo, não permitindo que ninguém toque.
 Lembre-se é Natal e te peço, doe os meus pertences eu não mais preciso deles e pense quantas pessoas poderão estar calçadas e vestidas com as minhas roupas, mãe pense direito você sempre teve um coração tão generoso, não guarde coisas que eu jamais precisarei. Essa atitude irá melhorar o ambiente do nosso lar. 
Se essa carta chegar até você de alguma maneira faça o que eu te peço, você com certeza me identificará pelas minhas palavras.
Deus te proteja minha mãe. Cuide de você e me ajude a encontrar a luz.

       Rafael.                                                                         
                                                          
Psicografia recebida em Reunião de Psicografia em  2014.                                     
            Médium:  Débora.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014


DESAJUSTADO CORAÇÃO

Já tive muito só. Andava, por aí, sem rumo e sem vontade. Não aceitava minha “passagem”, meu desencarne. Não refletia com equilíbrio e justiça sobre meus próprios passos. Exigia consolo, abrigo e  compadecimento. Não admitia, contudo, repreensões e admoestações.    
Pensava que este mundo aguardava-me como felicidade alcançada. Acreditava que deixaria o mundo “dos vivos” e adentraria ao “dos mortos” liberta de pressões por condutas morais irrepreensíveis, livre de cobranças e compromissos sociais e familiares e, acima de tudo, verdadeiramente esperava encontrar-me diante da liberdade absoluta. .
Surpreendeu-me trazer comigo os mesmos temores e angustias que alimentara “em vida”. Não apenas eles, mas também, as dores físicas pareciam perturbar-me com a mesma intensidade. As sensações e, muito custou-me aprender que não necessitava do alimento material ou da bebida para saciar fome e sede. Faltou-me paciência e reflexão para transpor essa ponte entre a vida e a morte com serenidade e aceitação.
“Em vida” tudo queria, tudo desejava com ansiedade e sem medidas. Faltou-me educar a consciência muito mais que aos modos.
Persevero hoje na decisão de libertar-me deste cativeiro de angustias e sensações materializadas. Já não vivo tão só. E, ora vejam só, finalmente compreendi que não existe o mundo “dos vivos” e o “dos mortos”. A vida continua exuberante deste outro lado e se manifesta de muitas formas que nem mesmo ainda posso compreender.
 Acompanho a vida de pequena comunidade que, nas horas de desilusão e rebelião, me acolheu em seus braços fraternos. Convivo com outros como eu, ansiosos, rebeldes, ignorantes e carentes de disciplina e compaixão.
Quando me permitem cá retorno eventualmente, trazendo noticias esperançosas ou apenas, como agora, deixando meu depoimento.
Quero agradecer àqueles que perseveram em mim, que me ajudaram a andar quando já me imaginava “morta”, que me ajudaram a ver, quando me acreditava cega e embalam-me em canções que falam de amor e solidariedade, alimentando, dessa forma, a fé que já esteve escassa em meu desajustado coração.
Que Deus nos abençoe a todos.
  Janaína.
      

 Psicografia recebida em Reunião Psicografia  2014

             Médium:  Ana Paula.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014


DESCONFORTO

Não me sinto confortável aqui onde estou, afinal do que serviu tanta doação em dinheiro para a igreja?
Me falavam lá que as minhas fartas doações mensais me garantiriam um lugar muito feliz depois da minha morte, que Deus estaria preparando um lugar especial para mim. Na verdade eu não acreditava muito nisso, mas era tão bom pensar assim, mais fácil, tudo o que eu precisava era desembolsar uma verba para a igreja e no final das contas tudo estaria acertado.
Nunca me julguei pessoa ignorante, sabe eu estudei, me formei e tinha diploma universitário. Hoje eu vejo o quão ignorante fui, não me esclareci em certos assuntos por pura comodidade.
Não me sinto revoltada pelo meu desconforto somente, mas o desconforto maior é o de ter sido tão invigilante, por ter me deixado enganar e digo com muita certeza, me deixei enganar por vontade própria. 
Aprendi que devemos acreditar e eu de certa forma acreditava em muitas coisas que eu ouvia, mesmo sabendo que eu própria vivia a falar mentiras, talvez não fossem mentiras assim tão graves, para resolver uma ou outra situação, as vezes para eu safar de alguma coisa e até mesmo para justificar pequenas coisas. Não julgava serem mentiras grandiosas, mas mesmo assim eram mentiras.
E se eu, sem pestanejar, contava sempre as minhas mentirinhas, por que achar que os outros só falavam a verdade?  A verdade é que fui bem ingênua, ou me fiz de boba, acho a segunda hipótese a mais provável.
 Agora, deixando essas reflexões que de nada mudarão alguma coisa nessas alturas da minha jornada, vou me remeter a realidade.   
Muito mais nos é viável aceitar certas coisas do que questiona-las, mais confortável não é?
Sair do nosso conformismo e do nosso conforto é mais difícil, mas, no entanto tentar entender e questionar é o que nos abrirá os olhos.  
Digo-lhes uma coisa, procure racionar, antes de aceitar mentiras como verdade.

   Uma irmã da Congregação Evangélica do Reino dos  Céus.
                                                            
                                                         
Psicografia recebida em Reunião de Psicografia de 2014.                                     
            Médium:  Débora S. C.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014


NATAL

Aproxima-se o Natal. Comemora-se o nascimento de Jesus!
Programação de toda espécie alegram o dia esperado.
A preocupação do momento são os enfeites, os comensais e os trajes que não poderão faltar, no auge da moda, pensando em estar sempre melhor vestidos que os outros.
Os presentes são comprados; as dívidas crescem, e a realidade só acontece quando, após muita comida e muita bebida for ingerida, trás os transtornos justificáveis.
E o aniversariante? Não veio à festa? Naturalmente sim, mas não conseguiu passar por aquela vibração negativa que todos manifestavam pelos pensamentos e pelas ações. Jesus quer ser lembrado pela mensagem que vivenciou, mostrando-nos o caminho da evolução. Ao invés de tanto desperdício, porque não nos juntamos e fazemos uma leitura de uma página do Evangelho?
Podemos cear juntos e até trocar presentes, mas a comemoração precisa ter um sentido fraternal. Inventamos um Natal de mentiras e esquecemos que desesperamos, com  nossa atitude, aqueles que não tem o que alimentar-se. Torturamos crianças que não conseguem entender porque “Papai Noel” não leva nada para eles.
È preciso acordarmos do sono que ainda gostamos de dormir. Jesus é o nosso Mestre e ao Mestre devemos respeito e consideração. È necessário que aos poucos, grupos pequenos vão se unindo com propósitos maiores. Trazer para toda a humanidade, a Mensagem de amor contida na Doutrina Cristã.
Já perdemos muito tempo fingindo não entender que essa grande festa não atinge o Mestre que deve entristecer-se a cada ano, onde espera a maneira certa de ser homenageado, no ensinamento que leva a maneira correta de postar-mos como cristãos verdadeiros.

Jesus nos abençoe.

          Um Espírito amigo.                                                            
                                                          
Psicografia recebida em Reunião de Psicografia de 2014.                                     
            Médium: Luci. 

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O MOLEQUE  E  O CARINHO

É com muito carinho que estou aqui, carinho porque hoje sei o verdadeiro significado desta palavra.
Fui uma criança com muitos irmãos e vivi em completa pobreza, nós éramos carentes de tudo, tudo mesmo, amor, atenção, dinheiro, moradia, comida, enfim vocês têm noção de toda a dificuldade de uma família que vivia em uma favela sem nenhum recurso.  Meu pai era um alcoólatra, minha mãe sofredora e passou a usar drogas pesadas, mas eu acho que era para fugir da realidade. Eu e meus irmãos nem sei, parece que os acontecimentos em que eu vivi, em determinado tempo de minha vida não existiu, eu não consigo lembrar. Sei que fui para as ruas e meus irmãos para o abrigo de menores que fazem coisas erradas.
Eu muito pequeno nas ruas, as pessoas me davam atenção e muitas das vezes matavam a minha fome, não de comida mais de me sentir gente, de ser olhada, mesmo com um olhar de desdém, mais eles estavam me vendo, sabiam que eu existia e isso para mim era muito importante, muitas das vezes eu me perguntava: por quê? Meu Deus, porque eu fico vivo nesta miséria e não morro de fome ou de frio. Que propósito você tem para mim?
Numa noite muito fria eu achei que não ia resistir, mas resistir e uma mulher muito bonita veio ao meu encontro e se encantou comigo, encantou mesmo,pois não tinha nada para oferecer a ela.
Ela olhou para mim e disse?
Como você chama? Eu disse:
Não sei, pois não lembrava mais o meu nome, sou um moleque é como todos me chamam aqui.
– Você que ter um lar?
– Como um lar? Você não me conhece, é melhor a senhora ir embora daqui, é muito perigoso.
– Não vou, quero a sua resposta, você quer ter um lar?
– Eu gritei, eu quero, eu quero é o que eu mais quero.
– Então venha e fui e....
E hoje entendo que não resisti ao frio, eu desencarnei isso mesmo desencarnei e fui ter o meu lar aqui, num mundo de luz, de esperança, de renovação e de renascimento.
E digo a todos vocês que aqui eu aprendi o que é ter carinho e receber carinho.
Fui uma criança de rua, mas resisti a tudo de errado, não me droguei, não roubei e não bati em ninguém. Consegui ser um menino do bem.
Muito obrigado pelo carinho e atenção.
              Um menino do bem.
              O Moleque.     

 Psicografia recebida em Reunião Psicografia  2014

             Médium:  M. Nicodemos

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

RETORNAMOS MUITO JOVENS

Nem sei como conter minha emoção, é difícil para mim, pois que ainda estou em processo de adaptação, mas peço forças a Deus e aos companheiros espirituais aqui presentes. Então vamos lá.
O nosso retorno por ter se dado de uma maneira repentina causou sofrimentos para vocês que aí ficaram, para nós dois também não foi fácil, fomos socorridos cada um a sua vez e nossa menina recebeu socorro imediato.
Nunca poderíamos imaginar que aquele dia feliz se transformaria em uma tragédia tão grande, que nos tirasse a vida e nos privariam da alegria da feliz convivência em família.
Não pensem que foi fácil aceitar, foi um processo complicado, doloroso, cheio de perguntas e muitas saudades. Entre um dormir e acordar sentia-me entorpecido e assim passei longo tempo. Hoje ainda nos encontramos em um hospital para tratamos o espírito rebelde e inconformado. Com tudo isso nossa situação hoje é muito boa, pois que já conseguimos aceitar e nos adaptar a nova vida. Não quer dizer que a saudade passou, pois que isso não passará nunca.  
Não pensem vocês que foi imprudência e não queiram atribuir culpa aos outros, tudo o que aconteceu teve uma razão de ser, ainda não sei qual foi essa razão, mas nessa encarnação nos três partiríamos novos, de forma violenta. Deus é perfeito em tudo o que faz e se deixou que nos acontecesse isso era porque precisávamos passar por isso.
Peço a vocês que não se revoltem contra Deus, em hora nenhuma Ele nos abandona, está sempre ao nosso lado na pessoa de um irmão iluminado a nos trazer a paz, por isso peço novamente: confiem Nele.
 A melhor maneira de amenizar a dor da saudade é através da oração, portanto não deixem de orar, a oração nos liga ao mais alto e com isso conseguimos forças para todas nossas dificuldades.
Sei que sentem falta da alegria da nossa princesinha, mas podem ter certeza ela também está bem, ou melhor, muito bem. Crianças aqui têm tratamento especial, não se preocupem.
Quero pedir as duas famílias que se acalmem, que se perdoem, ninguém foi culpado de nada como já disse. Sei que vocês tinham expectativas em relações a nos três, afinal retornamos muito jovens. Nos criamos expectativas mais quem decide é Deus e não há como lutar contra isso, tudo em Deus é perfeito.
 Estamos num lugar muito bonito e nos sentimos felizes, quando pensarem  em nós, pensem como se estivéssemos viajando para outro país e que ficaremos por lá muito tempo, mas com a certeza de que um dia nos reencontraremos.
Fiquem na paz de Deus, acalmem os corações atordoados, nós não morremos, todos estamos vivos, a morte não existe.
Saudades sempre e de todos.

                    Flávio Amorim.                                                              
                                                         
Psicografia recebida em Reunião de Psicografia de 2014.              
Médium:  Débora S. C